A investigação que levou à megaoperação desta terça-feira nos complexos do Alemão e da Penha revelou o arsenal do Comando Vermelho (CV) na região. A facção é descrita como tendo “poderio bélico incalculável”, com centenas de fuzis, além de granadas e drones, à disposição para enfrentar inimigos, sejam eles outros criminosos ou as forças policiais. Roupas camufladas e até fardamento do Batalhão de Operações Especiais também estão entre os equipamentos usados pelos criminosos.
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As análises de conversas de Juan Breno Malta Ramos Rodrigues, o BMW, foram as responsáveis por revelar grande parte das imagens e detalhes acerca do arsenal do CV. Ele é o líder da Equipe Sombra, unidade que atua nas ações de expansão territorial da facção, e é um dos principais nomes do CV no Complexo da Penha.
“O poderio bélico da facção é incalculável, nas diversas análises, centenas de fuzis foram observados dentre os mais diversos personagens e em diferentes níveis de hierarquia”, descreve a Polícia Civil na investigação.
Nas imagens coletadas pelos policiais, BMW aparece em meio à mata e com roupa camuflada, o que, para os investigadores, corrobora o entendimento de que ele é figura central nas ações de guerrilha do grupo. Entre os armamentos que ele costuma ostentar estão um fuzil AK-47 decorado com uma fita vermelha e um outro fuzil que conta com o logotipo da marca alemã de carros de luxo.
Além de liderar ações de expansão territorial da facção, ele também treina novos membros do CV. Algumas dessas ações de treinamento aconteceram justamente na pedreira localizada no topo do Complexo da Penha, que foi cenário da maior parte do combate de terça-feira que resultou em mais de 120 mortos. Em um vídeo obtido pela polícia, criminosos aparecem fazendo disparos no local.

Vídeos mostram treinamentos do CV no Complexo da Penha
Os investigadores também conseguiram imagens de um relatório dos criminosos no qual constam diferentes nomes de traficantes e seus respectivos armamentos. Na lista, estão fuzis como AK-47, AR-10 e M16. O documento foi encontrado em conversas de Washington César Braga da Silva, o Grandão ou Síndico, um dos nomes de confiança de Edgar Alves de Andrade, o Doca ou Urso, membro da alta cúpula do Comando Vermelho. Grandão atua como um gestor da comunidade, sendo o responsável por montar escalas de plantão, gerir bailes funk, pagar propinas e controlar o acesso a Doca.
Em outra imagem obtida pelos investigadores, dois investigados aparecem ao lado de 22 fuzis.
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Os documentos também mostram que os criminosos têm acesso a fardas do Batalhão de Operações Especiais (Bope). Segundo a investigação, um dos principais homens de combate da facção é Leonardo de Araújo Alves da Silva, o Fiel, um dos integrantes da “Equipe Sombra”. Os investigadores destacam que ele “corriqueiramente faz uso do fardamento das forças de segurança em sua função de ‘puxador de guerra’ de BMW”.
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Conversas obtidas pelos policiais também revelaram o uso de drones para monitoramento da comunidade. Controladas à distância, as pequenas aeronaves permitem aos criminosos acompanharem ações policiais na região do Complexo da Penha, possibilitando a eles anteciparem possíveis incursões. Em conversas analisadas pelos investigadores, os traficantes também mostram interesse em adquirir drones com visão noturna.

Drone do CV monitora comunidade na Zona Norte do Rio

