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como fazer da tecnologia uma aliada após os 60 anos

BRCOM by BRCOM
julho 31, 2025
in News
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Egídio Lima Dórea, médico e coordenador do programa USP 60+ — Foto: Divulgação

Tradicionalmente vista como um período de desaceleração, a aposentadoria tem se transformado em uma nova etapa de reinvenção pessoal — especialmente para quem encontra na tecnologia uma aliada. Mesmo diante dos desafios da adaptação digital, cada vez mais pessoas estão descobrindo no mundo on-line caminhos para viver essa fase com mais autonomia, conexão e bem-estar.

É o caso da escritora Isabel Dias, de 70 anos. Quando se divorciou, aos 59, ela mal sabia mexer no celular. A necessidade de reconstruir sua vida fez com que contratasse uma expert no assunto para aprender a se virar sozinha.

A vida financeira, com a qual nunca havia lidado, passou a ser controlada em planilhas. As compras de mercado, as transações bancárias, a comida pronta e os medicamentos do mês também ganharam soluções on-line.

— Hoje, só saio de casa para me divertir, fazer aulas de teatro e ir à academia. Não sou ninguém sem a internet.

Mais do que resolver tarefas cotidianas, a tecnologia tem sido um instrumento de reinvenção para Isabel. Além de dar aulas de escrita e fazer cursos diversos — de inteligência artificial a bordado livre —, atua como influenciadora de uma marca de beleza e usa o smartphone para contar passos, medir batimentos cardíacos, jogar paciência e memória.

Para o médico Egídio Lima Dórea, coordenador do programa USP 60+, CEO de consultoria com foco em economia prateada e curador de uma plataforma que desenvolve soluções digitais junto ao público que já viveu mais de seis décadas, a tecnologia é peça-chave para um envelhecimento saudável.

Ele explica que envelhecer bem passa por quatro pilares: saúde, aprendizado contínuo, segurança e participação social. Todos potencializados pelo uso de recursos digitais.

— Quando falamos em saúde, por exemplo, estamos lidando com doenças crônicas não transmissíveis. E a tecnologia oferece ferramentas para monitorar essas condições e evitar complicações.

Egídio Lima Dórea, médico e coordenador do programa USP 60+ — Foto: Divulgação

É possível ganhar até seis anos de vida com ações baseadas em prevenção, diagnóstico precoce e reabilitação. E a tecnologia está no centro disso”

— Egídio Lima Dórea, médico e coordenador do programa USP 60+

Tecnologia como aliada da saúde

Dispositivos como relógios inteligentes detectam arritmias e enviam alertas a médicos. Aplicativos lembram de tomar água, incentivam o movimento, sugerem refeições mais saudáveis e até ajudam a meditar.

— Estudos mostram que é possível ganhar até seis anos de vida saudável com ações baseadas em prevenção, diagnóstico precoce e reabilitação. E a tecnologia está no centro disso — aponta Egídio.

No campo da educação, os benefícios se ampliam. Cursos on-line, universidades abertas e oficinas virtuais permitem que aposentados se mantenham atualizados e engajados.

— O conhecimento amplia a longevidade com qualidade. Não dá para viver uma vida longa sem aprender a viver essa vida — afirma o médico.

Durante a pandemia, Egídio viu de perto a adesão surpreendente dos 60+ às aulas remotas.

— A capacidade de adaptação foi impressionante. Mas ainda temos desafios.

Para além do medo de golpes virtuais, o principal deles é o letramento digital.

— Existe um estigma de que pessoas mais velhas não conseguem aprender tecnologia, e esse preconceito, muitas vezes, é incorporado por elas mesmas. Isso dificulta o processo de aprendizagem — explica.

Para o especialista, estar conectado é hoje uma questão de cidadania.

— Quem não está incluído digitalmente está excluído socialmente. A tecnologia deixou de ser uma opção, é uma necessidade.

Os benefícios se estendem ainda à integração social.

— A solidão é um problema de saúde pública, e a tecnologia, quando bem utilizada, pode mitigar esse isolamento. Mas é preciso equilíbrio: a interação virtual não substitui o contato físico.

Casas inteligentes, sensores de segurança, comandos por voz e plataformas de aprendizado já fazem parte da rotina de muitos aposentados no Brasil e no mundo. Para Isabel, esse universo representa liberdade e independência.

— Vejo meu neto por videochamada todos os dias — diz a escritora.

Em sua rotina cheia de cursos, projetos e lazer, o que era uma barreira virou trampolim para uma nova fase da vida. Mais conectada, criativa e cheia de propósito.

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