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Como milhares de latas de maconha foram parar nas praias do Rio

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julho 28, 2025
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Banhista joga lata de maconha encontrada no mar em Ipanema — Foto: Lucio Marreiro/Agência O GLOBO

Os pescadores em Maricá, no Estado do Rio, mal podiam acreditar. No dia 25 de setembro de 1987, eles encontraram uma porção de latas boiando no mar e, quando abriram as tampas, depararam-se com cerca de 1,5kg de maconha em cada uma delas.

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No dia seguinte, uma reportagem do GLOBO revelou que o mesmo vinha ocorrendo em várias outras cidades do litoral fluminense e de São Paulo. Segundo o delegado Cláudio Barrouin, da Polícia Federal, as latas eram parte de um carregamento de 22 toneladas de maconha, distribuídas em mais de 14 mil recipientes, que haviam sido atiradas no Oceano Atlântico pelos tripulantes do navio Solana Star.

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A embarcação tinha deixado a Austrália para entregar a droga nos Estados Unidos. Alertada pelo governo americano de que o navio passaria pela costa brasileira, a Polícia Federal montou uma operação com a Marinha. Quando a equipe se aproximou do Solana Star para uma abordagem, perto de Angra dos Reis, a tripulação jogou o flagrante na água, e as correntes trataram de levar grande parte daquela canna

Banhista joga lata de maconha encontrada no mar em Ipanema — Foto: Lucio Marreiro/Agência O GLOBO

“Estávamos acompanhando a aproximação do Solana Star, ouvindo as conversas dos tripulantes com outras pessoas no Panamá, para onde o barco iria antes dos Estados Unidos”, disse o delegado Barrouin, que lamentou a falta de evidências para incriminar a tripulação. “Tentaremos reconstituir o trajeto do barco e compará-lo com as rotas das correntes marítimas que carregaram as latas para a costa”.

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A abordagem das forças de segurança aconteceu no início de setembro de 1987, a mais de 300km do litoral. As latas levaram dias para atingir as praias. No dia 25 daquele mês, cerca de 700 recipientes já haviam sido localizados pela polícia ao longo de 200 km da costa de São Paulo. No porto de Itajaí, um homem foi preso com uma lata que tinha comprado de dois marinheiros que, por sua vez, haviam encontrado a droga na Ilha Grande.

Um casal achou uma lata em Barra de Guaratiba; um gari encontrou dois recipientes em Arraial do Cabo; duas latas foram recuperadas por surfistas na Praia de Ipanema e entregues aos salva-vidas na areia, no Posto 8.

Diariamente, as forças policiais informavam que mais latas estavam sendo localizadas por agentes ou entregues a órgãos de segurança pela população. Mas não havia como saber quantas outras não chegavam às autoridades.

Único preso, cozinheiro de navio dá entrevistas algemado com latas de maconha — Foto: Guilherme Pinto/Agência O GLOBO
Único preso, cozinheiro de navio dá entrevistas algemado com latas de maconha — Foto: Guilherme Pinto/Agência O GLOBO

Ainda em setembro, a tripulação do barco pesqueiro João de Deus, em Florianópolis, entregou à polícia 19 recipientes, mas, dias depois, três latas foram encontradas escondidas na casa de máquinas da embarcação. Em outubro, um homem foi preso depois de a PM achar 1,5kg de maconha “da lata” em um vaso sanitário na garagem do prédio dele, na Urca. O morador disse ter comprado a droga de um pescador no Rio.

Muita gente que não era traficante estava vendendo maconha depois de encontrar latas do Solana Star. Em dezembro de 1987, policiais prenderam dois homens que não tinham envolvimento prévio com o crime, mas foram flagrados com 346 recipientes escondidos num terreno em Angra dos Reis. Quando foram detidos, eles confessaram que já tinham vendido o equivalente a 27 latas com a droga.

A maconha contida nos recipientes que não tinham se perdido no mar e nem foram apreendidos se espalhou pelo país. A droga, de origem tailandesa, ganhou fama pela sua potência. Assim, a “maconha da lata” se tornou uma espécie de selo de qualidade. Na época, não era tão fácil comprar maconha na cidade, mas a enorme quantidade da droga que inundou as ruas levou a uma queda nos preços da droga.

Toda aquela situação, poucos anos após o fim da ditadura, foi incorporada pelo imaginário carioca e se tornou o principal assunto nas rodas de conversa das areias de Ipanema ou nas mesas de bares. As latas foram parar em sambas de carnaval dos blocos Simpatia É Quase Amor e Suvaco do Cristo. Ricardo de Carvalho Duarte, o poeta Chacal, escreveu “Da Lata”, que seria musicada por Fernanda Abreu. Em 1994, a cantora lançou “Veneno da lata”, um de seus maiores hits.

A música “Melô do Marinheiro”, lançada pelos Paralamas do Sucesso um ano antes, com o verso “Entrei de gaiato no navio”, caiu como uma luva para descrever a situação Stephen Skelton, o cozinheiro do Solana Star. Único membro da tripulação preso por causa do episódio, ele foi condenado a 20 anos de cadeia, mas passou apenas um ano no xadrez antes de ser libertado e expulso do Brasil.


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