O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu por meio de uma nota quase três horas após o anúncio das chamadas “tarifas recíprocas” do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Os EUA estabeleceram uma alíquota mínima de 10% para todos os países, e o Brasil ficou enquadrado nesse nível mais baixo. Mas aço e alumínio mantiveram-se com alíquota de 25%.
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No texto, o governo brasileiro lamenta a decisão e diz avaliar possibilidades para “assegurar a reciprocidade no comércio bilateral”.
“Ao mesmo tempo em que se mantém aberto ao aprofundamento do diálogo estabelecido ao longo das últimas semanas com o governo norte-americano para reverter as medidas anunciadas e contrarrestar seus efeitos nocivos o quanto antes, o governo brasileiro avalia todas as possibilidades de ação para assegurar a reciprocidade no comércio bilateral”, diz.
A nota cita a possibilidade de recurso à Organização Mundial do Comércio (OMC), embora a entidade esteja esvaziada. Segundo o comunicado, o Brasil buscará, em consulta com o setor privado, defender os interesses dos produtores brasileiros junto ao governo americano.
O comunicado lembra, ainda, a aprovação do projeto de Lei da Reciprocidade Econômica. O texto passou ontem na Câmara depois de ter sido aprovado por 70 votos a zero no Senado, na véspera. A proposta que vai à sanção de Lula vai permitir que o governo brasileiro adote medidas recíprocas em caso, por exemplo, de elevação de tarifas por outros países.
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A prioridade para o governo brasileiro é chegar a um acordo com os americanos. Caso não seja possível, o Brasil deverá recorrer à OMC, poderá elevar tarifas de produtos importados dos EUA, aumentar tributos sobre produções como filmes e musicais e até quebrar patentes de medicamentos.
Auxiliares de Lula consideram que a tarifa de 10% sobre produtos brasileiros foi melhor do que se esperava. No entanto, a possibilidade de retaliação continua sobre a mesa. A orientação, neste momento, é avaliar os cenários decorrentes da aplicação da tarifa.
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Segundo um interlocutor do governo Lula, o Brasil foi menos atingido do que outros países, como a China, o Vietnã e a União Europeia, que serão taxados, respectivamente, em 34%, 46% e 20%. Mesmo assim, os negociadores brasileiros continuarão buscando um acordo com os EUA e mantêm no horizonte a possibilidade de retaliação a produtos e serviços americanos.
As manifestações da equipe econômica antes do anúncio de Trump foram de apreensão e preocupação.
— Não é fácil o momento que estamos vivendo. É um desafio global muito interessante. Todo mundo muito apreensivo. O dia de hoje é um dia muito particular que o mundo está vivendo — disse o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
A ministra do Planejamento, Simone Tebet, afirmou que as medidas de Trump podem afetar a inflação mundial e, consequentemente, gerar uma retração econômica:
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— São perdas de emprego, inflação.
Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, conversou com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. O chanceler reforçou a negociação para um sistema de cotas para as compras americanas de aço e alumínio do Brasil. Equipes técnicas dos dois governos têm feito reuniões virtuais semanalmente.
Nas trocas comerciais entre Brasil e Estados Unidos, os americanos têm vantagem. Os Estados Unidos acumularam um superávit de mais de US$ 58 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil de 2019 a 2024. O Brasil quer usar esses dados para negociar. O argumento é que “alegação da necessidade de se restabelecer o equilíbrio e a “reciprocidade comercial” não reflete a realidade.

