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conferência termina em um 0 a 0 com gosto de derrota; entenda

BRCOM by BRCOM
novembro 29, 2025
in News
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O carrinho de Alcolumbre — Foto: Editoria de Arte

A COP30 terminou em um 0 a 0 com gosto de derrota. Sim, houve avanços, como a promessa de triplicar o financiamento para que os países em desenvolvimento se adaptem às mudanças do clima até 2035.

Mas, como se sabe, a COP chegou ao fim sem mencionar o necessário fim do uso de combustíveis fósseis, que representam 80% das emissões humanas de CO₂. Isso equivale a um congresso sobre câncer de pulmão que termina sem mencionar o cigarro. Ou, para ficarmos na seara do futebol, a uma Copa do Mundo disputada sem bola.

Em 30 edições da COP, o termo “combustíveis fósseis” só apareceu uma vez no texto final, em 2023, no encontro de Dubai. A incapacidade de voltar a tratar do assunto para implementar a decisão tomada àquela altura é incompetência nossa? Talvez, mas é sobretudo uma limitação do multilateralismo.

A COP é um evento organizado pela ONU — e na ONU as decisões são tomadas por consenso. É isso, por exemplo, que sustenta o embargo econômico dos Estados Unidos a Cuba, mesmo o tema já tendo sido votado 30 vezes na Assembleia Geral (na última votação, ocorrida em outubro, 165 países favoráveis ao fim do embargo perderam para sete — EUA, Israel, Hungria, Argentina, Macedônia do Norte, Paraguai e Ucrânia, que se manifestaram contra). Um ano antes, o placar foi ainda mais injusto: 184 a 2.

Na COP, a lógica é a mesma. Pouco importa que 82 países tenham apoiado o mapa do caminho pelo fim dos combustíveis fósseis. A ideia jamais será implementada sem anuência dos 22 países do Grupo Árabe, muitos dos quais dependem integralmente da produção de petróleo. E convenhamos: será difícil convencer a Arábia Saudita a cortar na própria carne para impedir um novo desastre ambiental em lugares distantes como o Rio Grande do Sul.

Para o bem e para o mal, o planeta não tem uma presidência. Os países são soberanos. E é por isso, salvo raras exceções, que toda COP costuma ter resultado frustrante. Parafraseando o psicanalista Donald Winnicott, uma COP consegue, no máximo, ser suficientemente boa.

A semente para o surgimento das COPs foi a ECO92, no Rio. Naquele longínquo ano de 1992, o recente fim da Guerra Fria dava à humanidade uma certa esperança de cooperação (tanto é que os países foram capazes de se juntar para reduzir o buraco na camada de ozônio). O multilateralismo já tinha problemas, claro, mas não contava com os trumps, netanyahus, mileis e orbans e que trabalham pelo esfacelamento democrático atual.

Lula deu à COP30 o aposto de “COP da verdade”. E a verdade é que o sistema multilateral que nos trouxe até aqui está em crise. Por um lado, convém questionar se é o caso de manter esse sistema respirando por aparelhos (na COP, ele ficou perto de morrer). Pelo outro, talvez ainda seja o melhor sistema que temos.

Há duas boas notícias, pelo menos. A primeira diz respeito à convocação, feita pela Colômbia, para os países comparecerem a uma espécie de “COP paralela”, em abril do próximo ano, em que o fim dos combustíveis fósseis será o ponto de partida, e não o de chegada. A segunda diz respeito a nós. Se a soberania limita o quanto os países podem ser pressionados de fora para dentro, ela ao menos conserva um poder, para a população, de pressionar os Estados de dentro para fora.

É por isso que nos cabe pressionar os Poderes. É por isso que é importante se indignar com a queda dos vetos ao PL da Devastação, ou com a tentativa do agro de anular a demarcação de terras indígenas, para citar dois fatos ocorridos nesta semana. O jogo segue aberto.

O carrinho de Alcolumbre — Foto: Editoria de Arte

Ao comandar a derrubada de 56 dos 63 vetos de Lula à Lei do Licenciamento Ambiental, Davi Alcolumbre deu um carrinho por trás no presidente, na Constituição e em qualquer ambição climática do país. A falta de controle sobre o Cadastro Ambiental Rural, por exemplo, pode reverter a tendência de queda do desmatamento. Marina Silva avisou que o governo deve judicializar (só não convém contar com o apoio do AGU Jorge Messias, que precisa da benção de Alcolumbre para chegar ao STF).

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  • Petrobras: olhou para um lado e chutou para o outro
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Petrobras: olhou para um lado e chutou para o outro

Por falar em carrinho, o Plano de Negócios da Petrobras para 2026-2030, apresentado nesta semana, traz uma queda de 20% nos investimentos previstos em transição energética. Em termos exatos: o investimento, que era de 14,6% do total no último plano, caiu para 11,9%. O corte ocorre ao mesmo tempo em que a empresa coloca-se como “líder da transição energética justa” em campanha publicitária.

Fim de jogo: a última coluna

Raras e raros leitores, esta foi a última coluna da Central da COP, uma parceria não remunerada entre O GLOBO e o Observatório do Clima que tentou, pelos últimos seis meses, dar ao noticiário climático um certo ar de papo de futebol. Mais notícias sobre o tema podem ser achadas nos sites do Observatório, da Central e, claro, do próprio jornal O GLOBO. Até!

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