Gol da Alemanha. Quer dizer, do agro. E da mineração. Imbuído de espírito cívico, Hugo Motta fez a Câmara pernoitar até 3h40 de anteontem para que o PL 2.159, que implode o licenciamento ambiental, fosse aprovado antes do recesso parlamentar. Entre os 267 deputados que votaram a favor apareceram nomes de PDT, PSB e de outros partidos com ministérios no governo, como PP, PR, PSD, União Brasil e Republicanos (totalizaram 60% dos votos a favor do texto). Já os 116 votos contrários tiveram algumas surpresas de fora da base governista, como os deputados Pedro Aihara (PRD-MG), porta-voz dos bombeiros na tragédia de Brumadinho, e, veja só, o General Girão (PL-RN), do partido de Jair Bolsonaro. O projeto também foi endossado integralmente pela bancada do MDB do Pará, partido do governador Helder Barbalho, anfitrião da próxima COP. O PL segue para — espera-se — veto presidencial.
‘CONGRESSAZO’ II: R$ 30 bi no bolso
Nem só de desmonte ambiental foi a noite na Câmara. Também houve crédito para o agro, com a aprovação, por 346 votos a 93, do PL que abocanha R$ 30 bilhões do Fundo Social do Pré-Sal. Na origem, o PL era voltado a agricultores com dívidas causadas por eventos climáticos, mas o relator Afonso Hamm (PP-RS) ampliou em muito o conceito de dívida. Em suma: mais R$ 30 bi para o núcleo duro do agro. O projeto vai ao Senado.
‘CONGRESSAZO’ III: Ainda os R$ 30 bi…
Um estudo do Instituto de Estudos Socioeconômicos mostrou que o Fundo do Pré-Sal teve R$ 16 bilhões para despesa discricionária em 2024. Ou seja: corre-se o risco de que as petroleiras exijam perfurar mais poços de petróleo para pagar os calotes do agro. Detalhe: a votação do texto se deu após o anúncio, naquela mesma noite, do veto do governo ao aumento no número de deputados, tema pra lá de caro a Hugo Motta.
Jogador internacional em Brasília
O secretário da Convenção da ONU sobre Mudança do Clima, Simon Stiell, participou nesta semana, em Brasília, de reuniões preparatórias para a COP30. Stiell e a presidência da conferência fizeram um balanço do encontro em Bonn, na Alemanha, discutindo como avançar em pontos centrais para Belém, apesar da geopolítica adversa. Entre os temas, financiamento climático e a resposta ao relatório sobre as novas — e insuficientes — metas climáticas dos países.
Previsto para outubro, o relatório-síntese indicará o tamanho do buraco para 2035 com relação à meta de limitar o aumento da temperatura global a 1,5ºC. Stiell também teve reunião na Casa Civil, do ministro Rui Costa (foto), sobre a única coisa que parece mais difícil do que salvar o multilateralismo: a incapacidade do governo federal, até aqui, de resolver o problema logístico em Belém.
O governo anunciou a contratação de dois navios, com 6 mil leitos, para hospedagem na COP. Avisou que ofereceria os quartos a um preço menor a 98 países em desenvolvimento ou insulares —mas errou os nomes dos países, sendo obrigado a tirar a lista do ar. Irã, Moldávia, Armênia, Montenegro, e Geórgia, que constavam na primeira lista, deram lugar a Síria, Malawi, Bolívia e outros que só apareceram na repescagem. A diária ficaria em US$ 220 para os países em desenvolvimento, e em US$ 600 para as delegações de países ricos.