Mesmo com a “concorrência” do Pix, as carteiras digitais das chamadas big techs continuam investindo no país. Duas delas, o Google Pay e o WhatsApp Pay, já se integraram ao sistema criado pelo Banco Central e oferecem pagamentos por Pix em seus ecossistemas. Para elas, o mercado brasileiro é estratégico, e o Pix acabou sendo incorporado como mais uma alternativa de pagamento, num país em que os meios de pagamento movimentaram mais de R$ 30 trilhões ano passado, ficando entre os maiores do mundo.
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Como o Pix caiu no gosto dos brasileiros — já são 175 milhões de usuários — o Google aderiu ao sistema criado pelo Banco Central no Google Pay, já que, na avaliação da empresa, não faz sentido falar de meios de pagamento no Brasil sem mencionar o Pix.
A empresa observa que mesmo sem cobrança de taxa, o Pix ajuda a compor a jornada digital do usuário. Quanto mais os brasileiros se digitalizam, mais utilizam plataformas digitais para pesquisas ou pagamentos.
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Embora o Google não divulgue números de investimento, a empresa considera o Brasil um mercado estratégico, já que o brasileiro é usuário frequente de novas tecnologias.
Para que o Google, assim como o WhatsApp Pay, da Meta, pudessem se integrar ao Pix, o BC criou a figura do iniciador de pagamentos do Pix. Diferentemente de um banco ou fintech em que o cliente tem conta transacional, o iniciador de pagamentos facilita um pagamento entre duas partes.
Na Índia, o Google Pay, já está integrado com o Unified Payments Interface (UPI), que é o “Pix indiano”, e já existem conversas com a Colômbia, que pretende implementar um sistema como o Pix.
O Google lembra que, no Brasil, participou do desenvolvimento do Pix por aproximação, dentro do grupo de trabalho com o Banco Central e outros bancos, e está lançando novos produtos que permitem o uso do Pix.
Entre as novidades, está a possibilidade de fazer pagamentos pelo navegador Chrome e pelo Lens, ferramenta de pesquisa por imagem. Pelo menos 500 lojistas de e-commerce já usam a ferramenta desde junho.
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Uma compilação de dados públicos feita pelo especialista em inovação de transição digital, Arthur Igreja, mostra que os brasileiros são usuários frequentes de carteiras digitais. O dado mais recente, de 2023, mostra que cerca de 74% dos adultos brasileiros já haviam usado alguma carteira digital, excluindo o Pix, segundo o especialista.
— As carteiras digitais ainda são importantes como meios de pagamento no Brasil. Na minha avaliação, a investigação do Pix, sob o argumento de deslealdade concorrencial, não faz sentido — diz Igreja.
Projeções de consultorias e das empresas mostram que as carteiras digitais respondem por 31,2% das compras on-line e 12,4% das vendas físicas no Brasil. São percentuais menores que a média global, mas mostram o potencial desses meios no país.
A Apple Pay não está integrada ao Pix, mas a empresa americana vem ampliando seu ecossistema de pagamentos no Brasil e lançou, em 2023, o Tap To pay on iPhone, uma ferramenta que transforma o celular em maquininhas de pagamento por aproximação. Projeções de mercado, mostram que 80% das lojas on-line no Brasil oferecerão o Apple Pay até 2026.
O desafio aqui será crescer fora do chamado nicho premium, já que a penetração do uso de iPhones fica entre 15% e 20%. A Apple não divulga números de investimento no Brasil.
Na avaliação de Igreja, um dos argumentos para a investigação de Trump contra o Pix pode ser o temor de que o sistema se transforme numa espécie de ferramenta comum aos países do Brics, grupo de economias emergentes que vem buscando moedas alternativas ao dólar para o comércio global. A Índia, por exemplo, que integra o Brics, já criou o UPI, um sistema semelhante ao Pix para transações digitais.
Procurado, o Whatsapp informou que o serviço de pagamentos no WhatsApp é oferecido pelo Meta Pay, que opera com diversos parceiros de pagamentos no Brasil. A empresa não divulga o percentual que ocupa no mercado brasileiro nesse segmento nem o investimento no país.
Em 2023, o WhatsApp lançou no Brasil funcionalidade que permite transferências de pagamentos para empresas dentro do aplicativo. Essa opção está disponível para pequenas empresas que usam o WhatsApp Business e permite que os clientes paguem diretamente no chat, usando cartões de crédito e débito, além do Pix.
Diego Perez, presidente da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), lembra que a integração das carteiras digitais ao Pix implica que elas participem de um ambiente regulado pelo BC — e isso pode ter suscitado o questionamento do governo americano sobre o sistema.
— Mas ninguém é obrigado a ter o Pix em seu sistema, como foi a decisão da Apple. E o Pix é um sistema local, não vai tirar a competitividade dessas empresas globalmente — diz Perez.
Luiz Ramalho, CEO da fintech Magie, explica que o Pix disputa com as carteiras das big techs as transações instantâneas especialmente via QR code e, mais recentemente, por aproximação através da tecnologia NFC (Pix por aproximação). Em setembro, o Pix passará a oferecer a opção de crédito e haverá disputa com cartões de crédito.