Jovens atletas de Niterói já sonham com o pódio em casa, em 2031, nos Jogos Pan-Americanos. Eles treinam forte em locais como o Parque Esportivo e Social do Caramujo (Pesc) e o recém-inaugurado Parque Poliesportivo da Concha Acústica, enquanto as prefeituras da cidade e do Rio trabalham para trazer o evento para o Brasil, na disputa com a paraguaia Assunção. Aos 16 anos, a velocista Rafaelle Wetzel Deodato é uma esperança de medalha, ao participar de campeonatos e conquistar títulos.
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— Estou no Pesc desde o início. Pratico atletismo nas provas de 100m, 400m com barreiras e 400m rasos. Com isso, tive a oportunidade de competir em muitos lugares e já conquistei 17 medalhas em campeonatos. Antes, eu nunca tinha sequer entrado em um avião. Quero viajar o mundo para competir. O esporte me trouxe muito mais do que troféus. Ganhei disciplina, respeito ao próximo e aprendizado. Nem sempre a gente sai ganhando, mas sempre leva algo de positivo — diz Rafaelle, que é da seleção estadual do Rio de Janeiro e inspira os mais jovens.
Com 15 anos, Antônio Lourenço dos Santos Neto é outro atleta do Pesc que coleciona medalhas: já são nove, no lançamento de dardo e no arremesso de disco. Ele participa de campeonatos estaduais e nacionais desde que se encontrou nas modalidades.
— Comecei no futebol. Aí a professora do projeto me chamou para experimentar outra atividade e aceitei, mas fugia porque tinha vergonha. Um dia, vi um garoto lançando dardos e fiquei observando. Gostei da técnica e percebi que era isso que eu queria fazer. Desde então, nunca mais desisti. Quando pego o dardo, só consigo imaginar que ele vai voar longe. E é assim que me vejo também no esporte — conta Antônio, que nasceu em São Paulo e se mudou para Niterói com a família.
O Parque do Caramujo foi inaugurado há quatro anos, ocupando hoje uma área de aproximadamente dez mil metros quadrados. Tem quadra poliesportiva coberta, campo de futebol, pista de atletismo e skate park. São mais de 20 modalidades oferecidas gratuitamente. Segundo a prefeitura, a partir da prática esportiva no Pesc, muitos jovens tiveram a chance de sair do bairro, da cidade e até do estado para participar de competições oficiais. Hoje, o local atende mais de mil pessoas de todas as idades, promovendo inclusão por meio do esporte, lazer e atividades sociais. A partir dos 6 anos, crianças, adolescentes e adultos têm acesso a práticas que vão do muay thai ao hóquei sobre grama, passando por circuito funcional, wrestling, vôlei, futebol e jump. A proposta é promover o esporte com crescimento social e emocional, incluindo também educação ambiental.
— Muitos dos nossos alunos têm histórias de vidas complexas, não vêm de uma base familiar sólida, e estão conseguindo vencer através do esporte. Temos casos de pais que estão presos, entre outras dificuldades. A mãe da Rafaelle, por exemplo, já esteve em situação de rua e ela foi criada pela avó, que faleceu no ano passado — destaca o gestor do Pesc, Carlos Aveiro. — Estamos dando todo o suporte de assistência social e psicológica, e até financeira, enquanto não recebe do Bolsa Atleta. Hoje ela é primeira do ranking sul-americano até 17 anos da prova de revezamento. É uma menina aguerrida, que treina com bastante esforço. Sua professora, Iracema Rosa, também é muito capacitada e já colocou diversos atletas na seleção brasileira. O Antônio também tem muito potencial no lançamento de dardo.
Aveiro destaca outros jovens com grande potencial: — Temos outros atletas que figuram no cenário nacional, como os gêmeos Rafael e Samuel Dias, do badminton, que com 12 anos já figuram como medalhistas nacional; o Ryan Thomas, também medalhista nacional no wrestling; e a Maitê Silva, de 12 anos, com marcas no levantamento de peso olímpico que também a colocam no cenário nacional. Trabalhando da base até o alto rendimento, hoje o Pesc pode ser considerado o maior celeiro de atletas de Niterói.
O prefeito Rodrigo Neves, que acaba de divulgar a logomarca dos Jogos Rio-Niterói, ao lado do prefeito Eduardo Paes, falou dos investimentos nos jovens atletas:
— Ver jovens talentos surgindo nesse espaço e se tornando promessas para os Jogos Pan-Americanos de 2031 reforça que estamos no caminho certo. Niterói seguirá investindo para que o esporte continue sendo um vetor de transformação e orgulho para a população.
Nesta semana, a vice-prefeita Isabel Swan foi a Lima, no Peru, entregar um dossiê para a Panam Sports, oficializando a candidatura conjunta de Rio e Niterói aos Jogos Pan-Americanos de 2031, ao lado do presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Marco La Porta. A decisão sobre a sede sairá em agosto, na Assembleia Geral da Panam, que organiza o Pan e os Jogos Parapan-Americanos.
A prefeitura sancionou, no dia 10 de abril, a nova lei da Bolsa Atleta. A iniciativa, de autoria do Poder Executivo, prevê o apoio financeiro a 240 atletas e paratletas. O programa contempla esportistas do desporto de base e de alto rendimento, de todas as modalidades, vinculados a associações municipais, federações estaduais, confederações nacionais, Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). De acordo com a administração municipal, o objetivo é formar atletas capazes de representar Niterói em competições estaduais, nacionais e internacionais, promovendo inclusão social e valorizando a diversidade esportiva.
A nova lei estabelece quatro categorias de bolsas, que vão desde o incentivo à base até o alto rendimento. Serão 120 no valor de R$ 750, para atletas de base; 50 de R$ 1.200, para participação em campeonatos estaduais; 40 de R$ 2 mil, destinadas a competições nacionais; e 30 de R$ 3 mil, para atletas que disputarão torneios internacionais, como Pan-Americanos e Mundiais.

