Em meio a tantas tecnologias para melhorar a aparência da pele e combater a flacidez corporal, uma opção no território da cirurgia plástica vem crescendo. O jato de plasma de argônio é um tratamento invasivo, geralmente associado à lipoaspiração ou a outros métodos de retirada de gordura. Funciona assim: uma cânula introduzida abaixo da pele, por um corte de um a dois milímetros, libera uma bolinha de gás ionizado extremamente quente (o plasma). “Ela aquece o tecido causando um dano térmico e gerando uma retração das fibras de colágeno. Logo, uma rigidez imediata”, explica o cirurgião plástico Victor Lima. Portanto, o resultado já é sentido na hora, mas, após cerca de oito meses, uma cicatriz interna obriga o corpo a produzir novo colágeno, e a firmeza chega ao ápice.
Argoplasma, como é chamado o aparelho, começou a ser utilizado por aqui há aproximadamente cinco anos, principalmente nas regiões de abdômen, braços e pernas, embora também possa ser aplicado na papada. No consultório do cirurgião plástico Brunno Freitas, a procura maior é por mulheres entre 30 e 55 anos, com queixas variadas — de lipedema (acúmulo de gordura em certa área) à flacidez após gestação ou perda de peso substancial por consequência das famosas canetas emagrecedoras. “Uma das grandes vantagens é que, como chegamos a uma melhora de até 60% da flacidez, muitas vezes é possível impedir a retirada de pele do local e, portanto, uma cicatriz extensa”, aponta Brunno Freitas, que, de quatro anos para cá, realizou cerca de 200 procedimentos com o plasma. Outro efeito benéfico em relação às demais tecnologias dermatológicas é a melhora da definição muscular, que vem junto com a firmeza da pele.
Não necessariamente o Argoplasma precisa ser conjugado com cirurgias, no fim da lipoaspiração ou abdominoplastia, por exemplo. “Pode ser feito isoladamente, quando não há excesso de gordura mas apenas a flacidez de pele. Acontece bastante nos braços e no bumbum”, conta Victor Lima. Nesses casos, o procedimento dura em torno de duas horas e a recuperação, uma semana (com valores a partir de R$ 20 mil).
Apesar do entusiasmo com os benefícios do Argoplasma e do Renuvion — equipamento com tecnologia semelhante que utiliza gás hélio em vez de argônio —, médicos enfatizam a necessidade da realização em ambiente hospitalar com suporte adequado e, muitas vezes, de anestesia geral. Sempre em sintonia com a expectativa da paciente. “Não existe mágica nem tratamento que funcione para todo mundo. O Argoplasma não consegue transformar uma flacidez extrema , há limite de resultado. Por mais que aconteça a retração da pele, não será suficiente, ou seja, seria um desperdício o investimento para essa pessoa”, alerta Brunno Freitas.
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O dermatologista André Braz observa que muitas mulheres mais jovens chegam ao seu consultório com desejos fora da realidade. “Elas veem fotos mentirosas nas redes, cheias de filtro e até produzidas por inteligência artificial. Eu logo detecto essa influência e cabe aí um bom papo”, ressalta o médico. Na dermatologia, além de bioestimuladores injetáveis e ultrassom microfocado, a tecnologia para melhorar flacidez mais nova, que chegou por aqui em outubro do ano passado, é a radiofrequência monopolar (da máquina Volnewmer). Chamada popularmente de “ferro de passar”, ela age mais superficialmente, dando uma esticada imediata. “Tudo depende do excesso de pele e de cada expectativa para orientar sobre o tratamento adequado, seja no consultório ou no encaminhamento a um cirurgião plástico”, conclui André.