Pela primeira vez, uma Copa do Mundo reúne 48 países. Houve um tempo em que a logística levava a cancelamentos de última hora, em que uma guerra mundial impediu duas Copas de acontecer… houve até um jogo em que as duas seleções usaram uniformes brancos ao mesmo tempo: em 1930, Brasil e Bolívia se enfrentaram pelo grupo B da Copa do Uruguai, no Estádio Centenário, em Montevidéu, no dia 20 de julho. O jogo era só para cumprir tabela, porque a Iugoslávia já tinha vencido os dois adversários e se classificado para as semifinais: de qualquer forma, as duas seleções foram a campo… ambas de branco. O jogo começou assim mesmo, até que, depois de muita confusão de jogadores e árbitros, as ações foram paralisadas, um sorteio foi feito e a Bolívia teve que mudar de camisa. Como não tinha uniforme reserva, vestiu o manto celeste do Uruguai, que não lhe deu sorte: Brasil 4 a 0, e todo mundo para casa.
- PAREDÃO AFRICANO: Herói de jogo contra Espanha na Copa do Mundo, goleiro Vozinha é o jogador menos valioso do elenco de Cabo Verde
- FOCO NO HAITI: Bastidores: seleção se fecha ainda mais após críticas por estreia ruim e evita projetar volta de Neymar
A Iugoslávia foi às semifinais contra o Uruguai (e não a Bolívia vestida de Uruguai), dono da casa, e levou uma sacola de gols: 6 a 1 e muita indignação com o juiz brasileiro Gilberto de Almeida Rego, que teria garfado a seleção europeia em pelo menos três ocasiões: dois gols sul-americanos teriam sido irregulares, e um iugoslavo, mal anulado.
Criada em 1918 a partir da fusão de reinos espremidos entre os impérios Otomano e Austro-Húngaro, a Iugoslávia (“Terra dos eslavos do Sul”) é um ilustre membro do clube dos países que jogaram Copas do Mundo e, em 2026, não existem mais. A boa seleção, que chegou a ser apelidada “os brasileiros do Leste”, foi a oito Copas (de 14 possíveis) até 1990. Em 1992, começou a se dividir em países como Sérvia (que herdou o histórico da antiga pátria), Croácia, Eslovênia, Macedônia, Kosovo e Bósnia e Herzegovina). Destas, a Croácia é, de longe, a mais bem-sucedida, mas outras também frequentam Copas. Em 2026, além dos enxadrezados de Luka Modric, a antiga Iugoslávia está representada pela Bósnia.
Outro país que os mais jovens não conhecem e que se classificou para a Copa de 1930, mas acabou desistindo de participar, foi o Sião, antigo nome da atual Tailândia. A mudança de nome aconteceu em 1939.
Em 1934, outro país do Leste Europeu, integrante da Cortina de Ferro (bloco comunista comandado pela então União Soviética), fez sua estreia em Copas do Mundo: a Tchecoslováquia, também chamada de Checoslováquia e de Tcheco-Eslováquia, mais uma que praticava bom futebol e existiu exatamente na mesma época da Iugoslávia, entre 1918 e 1992, quando se dividiu entre a República Tcheca (hoje Tchéquia) e a Eslováquia. A Tchecoslováquia foi a oito Copas até 1990, chegando a disputar a final contra o Brasil em 1962, no Chile, quando Mané Garrincha levou a seleção ao bicampeonato.
Ainda no bloco do Leste Europeu, as Copas receberam a União Soviética (1922-1991) em sete ocasiões — inclusive em 1982, quando o time de Telê Santana virou o jogo para cima da boa equipe do goleiro Dasaev e do marrento atacante Blokhin — e as duas Alemanhas: a Ocidental foi a todas as Copas a partir de 1954, e a Oriental, à casa da coirmã em 1974. A reunificação veio em 1990, quando o país venceu a Copa, na Itália.
A União Soviética se separou em países como Rússia, Ucrânia e Uzbequistão, que nunca fizeram grande papel no torneio. Os destaques da URSS de 1982 tinham outras origens: Rinat Dasaev é russo de origem tártara (a república do Tartaristão faz parte da Federação Russa), e Oleg Blokhin, nascido em Kiev, é ucraniano, considerado o maior nome do futebol da ex-república soviética.
Voltando um pouco no tempo, em 1938 as Índias Holandesas jogaram a Copa. A atual Indonésia, à época colônia da Holanda (ficou independente em 1945), pegou o Escrete Húngaro, levou um 6 a 0 e nunca mais jogou um Mundial, com nome algum. Em 1974, o Brasil enfrentou o Zaire, nome do antigo Congo Belga após sua independência, em 1971. Em 2026, o país, agora República Democrática do Congo, volta ao torneio, 52 anos depois daquela participação (mais uma coincidência? Naquela ocasião o Brasil pegou a Escócia). O Zaire saiu com três derrotas, 14 gols sofridos (sendo nove só da Iugoslávia) e nenhum marcado. Melhor sorte em 2026 (o grupo é o K, cascudo, com Portugal, Colômbia e Uzbequistão)!
