Duas pessoas foram encontradas mortas após o naufrágio de uma embarcação no último sábado (26) próximo à Ilha da Queimada Grande, no litoral de São Paulo. As buscas continuam pelo terceiro tripulante, que segue desaparecido. Conhecida como “Ilha das Cobras”, região está infestada pela víbora da ilha dourada, uma das cobras mais venenosas do planeta.
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A ilha é formada por 430 mil metros quadrados de solo rochoso, sem praias arenosas e sem fontes de água doce. A Ilha, que pertence à Área de Proteção Ambiental de Cananeia-Iguape-Peruíbe, é considerada a segunda ilha com a maior densidade populacional de cobras no mundo, perdendo somente para a Ilha de Shedao, na China.
A ilha possui duas elevações: a primeira mais plana onde se localiza um pequeno farol e a segunda constituída por uma elevação de 206 metros. Não há praias nem enseadas que possam facilitar o desembarque, que é feito em plataformas rochosas e escorregadias.
O desenvolvimento da espécie Bothrops insularis, mais conhecida como jararacas ilhoas, se deu por causa do isolamento geográfico a que foi submetida desde a época da glaciação da Terra, há 10 mil anos. Quando as águas do degelo cobriram grandes extensões de terra, formaram-se várias ilhas, como essa. A maioria dos animais migraram para o continente, mas os que eram impossibilitados de nadar, ficaram confinados, e sobreviveram apenas aqueles que puderam se adaptar às condições da ilha.
Presa numa ilha rochosa onde o alimento se resume a aves, a jararaca passou a subir em árvores, o que não é natural para as espécies do continente. Seu veneno tornou-se mais potente para garantir a morte imediata da presa que, se demorasse para morrer, poderia acabar no mar. A cor da pele da cobra tornou-se menos vistosa: ocre uniforme, que varia até um marrom claro, chamando pouca atenção.
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O conhecimento sobre esse animal se expandiu a partir de 1911, quando o faroleiro Antônio Esperidião da Silva enviou exemplares da jararaca-ilhoa para o Instituto Butantan, que iniciou todas as pesquisas conhecidas com essa espécie. Em 1925, os faroleiros foram retirados da Ilha e o farol foi automatizado.
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As águas que banham a ilha têm ótima visibilidade e contam com uma atração extra, navio naufragado Tocantins, um cargueiro de 110 metros de comprimento que se encontra quase na vertical. Além disso, o mar ali é recheado de espécies como barracudas, peixes-frade, peixes-voadores, arraias e tartarugas.
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O nome “Queimada Grande” não é à toa, já que a própria Marinha ateou fogo diversas vezes na Ilha por medo das serpentes. A prática ocorreu por alguns séculos na tentativa de acabar com a população excessiva de cobras. As queimadas eram grandes e diversas vezes podiam ser avistadas do continente.
O Cobom Marítimo foi acionado, no sábado (23), para o naufrágio de uma embarcação com três tripulantes, ocorrido a aproximadamente 25 quilômetros da costa de Itanhaém, nas proximidades da Ilha da Queimada Grande, popularmente conhecida como Ilha das Cobras.
Segundo o GBMar, a solicitação foi feita pelo proprietário de uma marina, que disse ter recebido o pedido de socorro de um dos tripulantes e perdido o contato com ele. O trio estava em uma lancha de nome “Jany”.
A lancha foi identificada na região da Praia da Baleia, a embarcação foi avistada por um avião da FAB (Força Aérea Brasileira). Dois corpos foram localizados.
As buscas organizadas pela Marinha e equipes dos Bombeiros continuam para encontrar o último tripulante do barco.