Na contramão do ministro José Guimarães (Relações Institucionais), o coordenador da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à releeição, o ex-ministro Camilo Santana, rejeitou a ideia de o governo promover “limpa” em cargos de partidos do Centrão que decidiram apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).
Na primeira semana do segundo turno, o senador recebeu o apoio de União Brasil, PP, Republicanos e Podemos. Flávio também deverá contar com a maioria dos diretórios do MDB. As siglas fizeram indicações a cargos no governo Lula ao longo do mandato e, com exceção do Podemos, comandaram ministérios ao longo do mandato.
— Governo não age dessa forma, temos muitos aliados desses partidos, temos Hugo Motta (Republicanos), governador da Paraíba (Lucas Ribeiro) que é do PP, muitos parlamentares temos boa relação. Importante agora é a ganhar a eleição — afirmou Camilo na manhã deste sábado, em conversa com jornalistas no QG da campanha de Lula em Brasília.
A declaração de Camilo contraria a ideia de integrantes do governo que se irritaram com a adesão dos partidos do Centrão com assento na Esplanada à candidatura de Flávio Bolsonaro. O Podemos, apesar de não ter ministros no governo, ocupa o comando de autarquias e tem indicações na máquina federal, considerando cargos nos estados.
Guimarães disse ao GLOBO nesta semana que está fazendo um levantamento das indicações dessas legendas em cargos da administração federal e que defenderá no Palácio do Planalto que essas pessoas sejam exoneradas.
— Se depender de mim, vamos fazer uma limpa geral nos cargos e indicações. Quem está com Lula tem que estar com Lula— afirmou o ministro.
Responsável pela articulação política do Executivo com o Legislativo, Guimarães atuou junto a lideranças dos partidos de centro no primeiro turno para garantir a neutralidade deles. Antes do primeiro turno, o próprio Lula conversou com dirigentes partidários do Republicanos, do Podemos e da federação União-PP para garantir essa neutralidade.
Ele pediu às lideranças que as siglas não tomassem nenhuma decisão num eventual segundo turno sem conversar com ele, indicando estar aberto a definir espaços na Esplanada em caso de vitória nas eleições.
Sem o apoio formam de partidos do Centrão, Lula busca manter a aliança com lideranças dessas legendas, como presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), além de dirigentes regionais, especialmente do Nordeste, onde Lula tem maior votação.
Coordenador da campanha de Lula contraria ministro e rejeita 'limpa' em cargos do Centrão: 'Importante agora é ganhar a eleição'
