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Corrida da IA está dividindo o mundo entre os que têm sistemas avançados e os que não têm

BRCOM by BRCOM
junho 24, 2025
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Nicolás Wolovick, professor de ciência da computação da Universidade Nacional de Córdoba, na Argentina. “Estamos perdendo”, disse — Foto: Sarah Pabst/The New York Times
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Maior do que o Central Park de Nova York, o projeto, estimado em US$ 60 bilhões e que inclui até mesmo sua própria usina de gás natural, será um dos centros de computação mais poderosos já criados quando for concluído, possivelmente já no próximo ano.

Por volta da mesma época da visita de Altman ao Texas, Nicolás Wolovick, professor de ciência da computação da Universidade Nacional de Córdoba, na Argentina, comandava o que é considerado um dos centros de computação em IA mais avançados do país. O local era uma sala adaptada dentro da universidade, onde cabos se entrelaçavam entre chips de IA antigos e servidores de computador.

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“Está tudo cada vez mais dividido”, disse o Dr. Wolovick. “Estamos perdendo.”

A inteligência artificial criou uma nova divisão digital, separando o mundo entre as nações que possuem poder computacional para desenvolver sistemas avançados de IA e aquelas que não têm.

Nicolás Wolovick, professor de ciência da computação da Universidade Nacional de Córdoba, na Argentina. “Estamos perdendo”, disse — Foto: Sarah Pabst/The New York Times

Essa divisão está influenciando a geopolítica e a economia global, criando novas dependências e impulsionando uma corrida desesperada para não ficar de fora de uma revolução tecnológica que pode reordenar economias, impulsionar descobertas científicas e transformar a maneira como as pessoas vivem e trabalham.

Os maiores beneficiários, de longe, são os Estados Unidos, a China e a União Europeia. Essas regiões abrigam mais da metade dos centros de dados mais poderosos do mundo, usados para desenvolver os sistemas de IA mais complexos, segundo dados compilados por pesquisadores da Universidade de Oxford.

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Apenas 32 países — cerca de 16% das nações — possuem esses grandes centros equipados com microchips e computadores, o que lhes garante o chamado “poder de computação”, na linguagem da indústria.

Estados Unidos e China, que dominam o setor tecnológico, exercem influência particular. Empresas americanas e chinesas operam mais de 90% dos centros de dados que outras empresas e instituições utilizam para trabalhos em IA, de acordo com dados da Oxford e outras pesquisas.

Em contraste, a África e a América do Sul praticamente não possuem centros de computação em IA, enquanto a Índia tem ao menos cinco e o Japão, ao menos quatro. Mais de 150 países não possuem nenhum.

Os centros de dados de IA atuais superam de longe os de gerações anteriores, que serviam para tarefas mais simples, como e-mails e streaming de vídeo. Gigantescos, com alto consumo de energia e repletos de chips avançados, esses centros custam bilhões de dólares para serem construídos e exigem infraestrutura que nem todos os países conseguem fornecer.

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Com a propriedade concentrada nas mãos de alguns poucos gigantes da tecnologia, os efeitos da lacuna entre os que têm e os que não têm esse poder computacional já estão se tornando visíveis.

Os sistemas de IA mais utilizados no mundo, como os que alimentam chatbots como o ChatGPT da OpenAI, são mais proficientes e precisos em inglês e chinês — idiomas falados nos países onde está concentrado o poder computacional.

As gigantes da tecnologia com acesso aos equipamentos de ponta estão usando IA para processar dados, automatizar tarefas e desenvolver novos serviços. Avanços científicos, como descobertas de medicamentos e edição genética, dependem de computadores poderosos. Armas movidas por IA já estão chegando aos campos de batalha.

Uma unidade de processamento gráfico Nvidia H100 — Foto: Marlena Sloss/Bloomberg
Uma unidade de processamento gráfico Nvidia H100 — Foto: Marlena Sloss/Bloomberg

Nações com pouco ou nenhum poder de computação em IA enfrentam limitações em pesquisas científicas, no crescimento de startups e na retenção de talentos. Alguns governos estão alarmados com o fato de que a necessidade de recursos computacionais os torna dependentes de corporações e governos estrangeiros.

“Países produtores de petróleo sempre exerceram uma influência desproporcional nos assuntos internacionais; num futuro próximo movido por IA, os produtores de poder computacional podem ter um papel semelhante, já que controlam o acesso a um recurso crítico”, disse Vili Lehdonvirta, professor de Oxford que realizou a pesquisa sobre centros de dados em IA com seus colegas Zoe Jay Hawkins e Boxi Wu.

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O poder computacional em IA é tão valioso que os componentes dos centros de dados — como microchips — se tornaram peça central das políticas comerciais e externas dos Estados Unidos e da China, que disputam influência no Golfo Pérsico, no Sudeste Asiático e em outras regiões.

Ao mesmo tempo, alguns países começam a investir dinheiro público em infraestrutura de IA, buscando mais controle sobre seus futuros tecnológicos.

Os pesquisadores de Oxford mapearam os centros de dados de IA do mundo — informações que empresas e governos muitas vezes mantêm em segredo. Para criar uma amostra representativa, eles analisaram os sites de clientes de nove dos maiores provedores de serviços em nuvem do mundo para verificar onde estavam localizados os centros e qual poder computacional estava disponível no final do ano passado.

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As empresas incluídas foram as americanas Amazon, Google e Microsoft; as chinesas Tencent, Alibaba e Huawei; e as europeias Exoscale, Hetzner e OVHcloud.

A pesquisa não inclui todos os centros de dados do mundo, mas as tendências são claras. Empresas dos EUA operavam 87 centros de computação em IA — que podem incluir múltiplos centros de dados —, quase dois terços do total global, em comparação com 39 operados por empresas chinesas e apenas seis por europeias.

Dentro desses centros, a maioria dos chips — os componentes essenciais para realizar cálculos — era da fabricante americana Nvidia.

“Temos uma divisão computacional no centro da revolução da IA”, disse Lacina Koné, diretor-geral da Smart Africa, que coordena políticas digitais no continente africano. E completou: “Não é apenas uma questão de hardware. É a soberania do nosso futuro digital.”

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Há muito tempo existe uma lacuna tecnológica entre os países ricos e os países em desenvolvimento. Na última década, smartphones baratos, a expansão da cobertura de internet e o florescimento de negócios baseados em aplicativos levaram alguns especialistas a concluir que essa divisão estava diminuindo.

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No ano passado, 68% da população mundial utilizava a internet, um aumento significativo em relação aos 33% de 2012, segundo a União Internacional de Telecomunicações, uma agência das Nações Unidas.

Com um computador e conhecimento em programação, iniciar uma empresa se tornou mais barato e acessível. Isso impulsionou indústrias tecnológicas ao redor do mundo, desde pagamentos por celular na África até aplicativos de transporte no Sudeste Asiático.

Mas, em abril, a ONU alertou que a desigualdade digital tende a aumentar sem ações concretas em relação à inteligência artificial. Apenas 100 empresas — em sua maioria localizadas nos Estados Unidos e na China — foram responsáveis por 40% dos investimentos globais em IA, segundo a organização. As maiores empresas de tecnologia, acrescentou, estavam “assumindo o controle sobre o futuro da tecnologia”.

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Essa disparidade tem origem, em parte, em um componente que todos querem: um microchip conhecido como unidade de processamento gráfico, ou GPU. Esses chips exigem fábricas que custam bilhões de dólares para serem produzidos.

Agrupados aos milhares em centros de dados — e, em sua maioria, fabricados pela Nvidia —, as GPUs fornecem o poder de computação necessário para criar e operar modelos avançados de inteligência artificial.

Conseguir esses chips de silício é uma tarefa difícil. Com o aumento da demanda, os preços dispararam, e todos querem estar no início da fila para fazer pedidos. Para piorar, esses chips precisam ser organizados em enormes centros de dados que consomem quantidades absurdas de energia e água.

Muitos países ricos têm acesso a esses chips por meio de centros de dados, mas outras nações estão ficando para trás, de acordo com entrevistas com mais de duas dezenas de executivos e especialistas em tecnologia de 20 países.

Alugar poder computacional de centros de dados localizados em outros continentes é uma prática comum, mas que pode gerar diversos desafios — incluindo altos custos, velocidades de conexão mais lentas, necessidade de adequação a legislações diferentes e dependência dos caprichos de empresas americanas e chinesas.

Kate Kallot, fundadora da Amini, uma startup de IA, no escritório da empresa em Nairóbi, Quênia — Foto: Natalia Jidovanu/The New York Times
Kate Kallot, fundadora da Amini, uma startup de IA, no escritório da empresa em Nairóbi, Quênia — Foto: Natalia Jidovanu/The New York Times

A Qhala, uma startup no Quênia, ilustra bem esses problemas. Fundada por uma ex-engenheira do Google, a empresa está construindo um sistema de IA conhecido como modelo de linguagem de grande escala (LLM), baseado em línguas africanas. Mas a Qhala não tem acesso a poder computacional próximo e precisa alugar serviços de centros de dados fora da África.

Os funcionários concentram seu trabalho nas manhãs, quando a maioria dos programadores americanos está dormindo, para aproveitar uma rede com menos tráfego e velocidades de transmissão de dados mais rápidas.

“A proximidade é essencial”, disse Shikoh Gitau, 44 anos, fundadora da Qhala.

“Se você não tem os recursos computacionais para processar os dados e construir seus modelos de IA, então você não consegue avançar”, afirmou Kate Kallot, ex-executiva da Nvidia e fundadora da Amini, outra startup de IA no Quênia.

Nos Estados Unidos, por outro lado, Amazon, Microsoft, Google, Meta e OpenAI prometeram investir mais de US$ 300 bilhões neste ano, grande parte destinada à infraestrutura de inteligência artificial. Esse valor se aproxima do orçamento nacional do Canadá.

O Kempner Institute, da Universidade de Harvard, que tem foco em IA, possui mais poder computacional do que todas as instalações pertencentes a países africanos combinadas, segundo uma pesquisa sobre os maiores supercomputadores do mundo.

Brad Smith, presidente da Microsoft, afirmou que muitos países estão buscando mais infraestrutura de computação como uma forma de soberania. No entanto, fechar essa lacuna será difícil, especialmente na África, onde muitas regiões ainda não contam com fornecimento confiável de eletricidade.

A Microsoft, que está construindo um centro de dados no Quênia em parceria com a empresa G42, dos Emirados Árabes Unidos, escolhe os locais para seus centros principalmente com base em três fatores: demanda de mercado, energia elétrica e mão de obra qualificada.

“A era da IA corre o risco de deixar a África ainda mais para trás,” disse Smith.

Jay Puri, vice-presidente executivo da Nvidia para negócios globais, afirmou que a empresa também está colaborando com diversos países para desenvolver suas capacidades em IA.

“É, sem dúvida, um grande desafio,” disse ele.

A distribuição desigual do poder computacional em IA dividiu o mundo em dois blocos: nações que dependem da China e nações que dependem dos Estados Unidos.

Esses dois países não apenas controlam a maior parte dos centros de dados, como também estão planejando construir muito mais do que os demais. E têm usado essa vantagem tecnológica como ferramenta de influência geopolítica. As administrações Biden e Trump, por exemplo, aplicaram restrições comerciais para controlar quais países podem comprar chips de IA de alto desempenho — o que tem permitido aos EUA escolher seus aliados tecnológicos.

A China, por sua vez, tem usado empréstimos com apoio estatal para incentivar a venda de equipamentos de rede e centros de dados de empresas chinesas.

Os efeitos dessa disputa são visíveis no Sudeste Asiático e no Oriente Médio.

Na década de 2010, empresas chinesas avançaram significativamente na infraestrutura tecnológica da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos — dois parceiros estratégicos dos Estados Unidos — com visitas oficiais e financiamento generoso. Em resposta, os EUA tentaram usar sua liderança em IA para conter a influência chinesa.

Em um acordo com o governo Biden, uma empresa dos Emirados prometeu excluir tecnologias chinesas em troca de acesso à IA da Nvidia e da Microsoft.

Em maio, o presidente Trump assinou novos acordos que concedem ainda mais acesso a chips americanos à Arábia Saudita e aos Emirados.

Uma disputa semelhante está ocorrendo no Sudeste Asiático. Empresas chinesas e americanas — como Amazon, Alibaba, Nvidia, Google e ByteDance (dona do TikTok) — estão construindo centros de dados em Cingapura e na Malásia, com o objetivo de atender toda a Ásia.

No cenário global, os Estados Unidos estão na dianteira: empresas americanas estão construindo 63 centros de computação em IA fora do território americano, enquanto a China opera apenas 19, de acordo com os dados de Oxford.

E, com exceção de três, todos os centros chineses no exterior utilizam chips da Nvidia, apesar dos esforços da China para desenvolver seus próprios chips concorrentes. As empresas chinesas conseguiram comprar os chips da Nvidia antes das restrições impostas pelo governo dos EUA.

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