Debate entre os postulantes ao Senado por São Paulo realizado pelo g1 contou com a participação de quatro candidatos nesta sexta-feira (25). Marina Silva (Rede), Simone Tebet (PSB), Soninha Francine (Cidadania) e Geraldo Rufino (Podemos) discutiram sobre a crise no Supremo Tribunal Federal (STF), crime organizado, meio ambiente e críticas à concessão da Enel.
Os candidatos André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP) foram convidados e confirmaram presença, segundo a assessoria do g1, mas não compareceram. Derrite, em especial, foi alvo de críticas dos candidatos pela ausência quando o tema segurança pública foi debatido.
O embate contou com seis temas principais, que foram discutidos ao longo de pouco mais de uma hora: meio ambiente, relação entre os poderes, crime organizado, emprego e renda, educação e emendas parlamentares.
Crise no STF
Ao mencionar a atual crise do STF, Tebet defendeu paridade de gênero na composição da corte.
— A relação entre os poderes virou caso de polícia, e isso é muito sério, (defendo) reforma do judiciário já com mandato, com idade mínima, com controle de decisões burocráticas e tendo que colocar mulheres até termos paridade, porque a única por enquanto que ainda não está envolvida nesses escândalos é a ministra Cármen Lúcia — disse Tebet.
— O ministro do Supremo não pode fazer articulação política, a proibição de atividade política já consta da lei orgânica da magistratura, não pode um ministro articular o diálogo e se pronunciar em redes sociais e passar informações estratégicas para jornalistas, isso não é admissível. As regras para a composição do Supremo precisam ganhar contornos um pouco mais firmes para não ficar dependendo tanto do próximo presidente, que indica conforme os seus critérios inevitavelmente políticos — disse Soninha Francine.
Marina Silva, por outro lado, defendeu uma reforma política mais ampla.
— No Congresso nós temos também muitas anomalias em que o Conselho de Ética não funciona para parlamentares que se desviam de suas funções, portanto eu sou favorável a reforma do judiciário e uma reforma política — disse a candidata.
Crime organizado
Ao entrar no assunto crime organizado, Simone Tebet (PSB) criticou a gestão do adversário Guilherme Derrite na Secretaria de Segurança.
— Nós temos, no crime organizado, o maior risco e o maior problema no estado de São Paulo. São Paulo não pode virar um Rio de Janeiro. O PCC já está aqui, já está dentro da prefeitura, no transporte coletivo, mas nós estamos agora com o CV, lá numa operação em Rio Claro, tocando terror no interior, e nós temos denúncias gravíssimas que já chegaram dentro da Secretaria de Segurança Pública com o ex-comandante do candidato que, lamentavelmente, não está aqui, Guilherme Derrite — disse Tebet.
Rufino, por outro lado, defendeu mais oportunidades de emprego para evitar que pessoas em situação de vulnerabilidade sejam cooptadas por grupos criminosos.
— A primeira coisa é asfixiar o financeiro. Empresa, estrutura, sem caixa, vai morrer. Mas eles vão lá na base, recrutam e começam de novo. Quando chega na base, eu acho que a solução tem que ser a prevenção. Lá tem que chegar escola profissionalizante, oportunidade de trabalho para os menores, atividade esportiva, precisamos chegar na comunidade, nas vilas, favelas e periferias, antes do crime — disse o candidato.
Meio ambiente
Tebet aproveitou as discussões em torno de soluções para a crise hídrica e saneamento básico para falar de mudanças climáticas e defender, por duas vezes, a rescisão do contrato de concessão da Enel para a Região Metropolitana da capital paulista.
— Nós não podemos aceitar mais que na época que chove e alaga tudo, a Enel deixe praticamente um terço da cidade no breu. Essa concessão precisa urgentemente ser revista e até, quem sabe, rescindida […] Chove demais, como acontece no litoral norte, no Vale do Ribeira, desaloja gente que está no Litoral Norte ou em palafitas ou em áreas de encostas em outras regiões. É isso que dá quando a gente tem governos que são negacionistas, terraplanistas, que não entendem a importância das mudanças climáticas, sequer acreditam nelas. Se estiver no Senado Federal, vou estar lá de olho e fiscalizando esses contratos de concessão. A Enel precisa sair do Estado de São Paulo — afirmou a ex-ministra do governo Lula.
Marina Silva embarcou na discussão em torno do tema relembrando programas criados durante a gestão petista enquanto ela ocupou o cargo de ministra do Meio Ambiente.
— Desde que nós aprovamos a lei dos catadores, a lei da reciclagem, nós já conseguimos captar mais de R$ 1 bilhão e esses recursos, a maior parte, vieram aqui para São Paulo, para cooperativas, fortalecendo essas cooperativas que empregam, sobretudo, mulheres que vivem em situação de risco. Como ministra, priorizamos essa agenda e como senadora vou fazer isso também por São Paulo — disse a candidata.
Emprego
Ao falarem de trabalho, as candidatas aliadas ao presidente Lula defenderam os níveis de desemprego que chegaram ao menor patamar histórico da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE, em 5,4%, no segundo trimestre deste ano. Soninha Francine, no entanto, defendeu uma revisão na classificação de ocupados e desocupados.
— Uma pessoa pode ser considerada ocupada, isso está lá no manual de instruções para os entrevistadores da Pnad, se trabalhar como estátua viva, como alguém que limpa parabrisa de automóveis, como alguém que toma conta de automóveis. Eu não concordo que essas sejam atividades que possam ser consideradas dentro do universo da população ocupada. Então a gente precisa olhar o cenário do mundo do trabalho no Brasil não com tanto otimismo — disse a candidata.
Considerações finais
Ao pedirem votos ao final, tanto Marina quanto Tebet mencionaram o presidente Lula e políticas que desenvolveram enquanto ocuparam ministérios da gestão petista. As duas fizeram diversos acenos ao longo do debate no eleitorado feminino.
— Sou candidata ao Senado porque eu quero trabalhar para que São Paulo e o Brasil possam instaurar um novo ciclo de prosperidade com emprego, renda, vida digna, combate ao feminicídio, para que as nossas mulheres possam viver em paz — disse Marina.
— Sei a dificuldade que vocês têm […], segurança pública, especialmente no combate à violência contra a mulher, regionalização da saúde, mais recursos para infraestrutura […] nós estamos diante das eleições mais importantes da história das nossas vidas. Estou com o presidente Lula pela democracia, pela soberania, pelos avanços dos direitos sociais e contra qualquer tipo de crime organizado — afirmou Tebet.
Soninha Francine, ao dar a última contribuição para o debate, relembrou os mandatos de vereadora que exerceu na cidade de São Paulo.
— Pelejei muito na Câmara Municipal para aprovar a criação de uma comissão de ética para conselho tutelar, que precisa de mudanças profundas. Mas enquanto elas não acontecem, vamos nacionalizar a eleição dos conselhos para que cada prefeitura não faça de um jeito? — propôs a candidata.
Rufino, por fim, relembrou sua trajetória pessoal, do passado de vulnerabilidade a vida como empresário.
— Meu nome é Geraldo Rufino, empreendedor, catador de latinha, CLT, gerador de emprego. Essa trajetória toda eu quero levar para o Senado para que lá tenha alguém que conhece todas as dores da trajetória de um ser humano neste país — disse o candidato.
Crise no STF e crime organizado: debate ao Senado de SP tem críticas à Enel e ausência de Derrite e André do Prado
