Os nove anos que se passaram desde a estreia, com “Vai passar mal”, parecem uma eternidade agora que Pabllo Vittar chega ao seu sétimo álbum, “LOST IN LUST”, lançado às 21h de ontem. A drag que ousava oferecer novos e consistentes caminhos para a música eletrônica dançante do Brasil não só foi bem-sucedida em seu projeto, como acabou se tornando uma das artistas mais populares e influentes do país, com música & imagem que claramente se propunham a diminuir a distância entre o produto nacional e o internacional.
Com esse novo álbum, ela consegue, ao mesmo tempo, dar o passo largo na direção do mercado externo, sem, no entanto, deixar de lado a sua essência.
Só com faixas em inglês e espanhol, “LOST IN LUST” é um mergulho de Pabllo no hedonismo das noites escuras, onde só a luz da luxúria pode servir de guia. Um primo-irmão do “Confessions II” que Madonna lançou este ano, mas que remete um tanto também ao próprio “Noitada” que a brasileira lançou em 2023.
Tendo a seu lado o velho colaborador (e mentor) Rodrigo Gorky, Pabllo Vittar colou no novo disco com uma série de produtores da nova cena underground/periférica da eletrônica (boa parte deles, brazucas, e todos LGBTQIAPN+): S4tan, PZZS, Chernobruno, Jeska, Ezmehfw, Votú, Eva de LC, Gorfo de Panda, Martinz Beats, LOFIBBGIRL e Carlos do Complexo. Um bom começo para a festa.
Capa de “LOST IN LUST”, álbum da cantora Pabllo Vittar
Reprodução
Festa que começa com uma poderosa e evocativa vinheta, “FUTURE” e segue por “BAD GOOD”, uma boa faixa para rave, que embola techno, tecnobrega e tecnoforró. O rock, por sua vez, dá a pulsação para “ROCKSTAR”, que traz a participação da rapper porto-riquenha Villano Antillano. “ATTENTION” retoma a techneira nervosa do disco, com muitas provocações na leytra em inglês e batidas picotadas. Já na dark e industrial “FRIENDS WITH MADONNA”, Pabllo faz graça da proximidade com Material Girl e proclama (em inglês): “Eu sou a Barbie brasileira original!”.
O clima pesado se estende por “BETTER THAN A FEELING” e desemboca no single anteriormente lançado “BODY TYPE”, agressixa e excitante faixa com a cantora Urias. Na altamente sacana “POLIZIA”, cantada em espanhol, a cantora faz um duo com o italino de origem egípcia Mahmood, que cita, maroto, o “Tá tranquilo, tá favorável” do astro do funk MC Binn (ex-MC Bin Laden). A coisa fica mais pop em “SKIN” e ganha ares de sedução reggaeton em “BIG BANG”, com participação do cantor venezuelano La Cruz.
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Toques de techno, à la Faithless, dão sabor a “ALONE”, faixa bem sombria, em que Pabllo fala de anjos e do Céu, antes de cair em “CARNAVAL”, um samba-house em espanhol que, se lançado nos anos 1990, seria tachado de picareta, mas que em 2026 fica tão somente divertido, com as ameaças da drag de perder o controle diante da explosão de desejo que a folia proporciona.
Um final bem de acordo para esse álbum de boas intenções (e algumas boas realizações) de deixar uma marca brasileira no pop global.
Cotação: Bom
Crítica: Novo álbum de Pabllo Vittar mira mercado externo, mas sem perder a essência
