A trajetória de Dona Solange começa em 1988, com uma sacola de pratas e visitas de porta em porta em Pará de Minas, no Sul de Minas. Antes de fundar a Rahra, ela foi revendedora. A revenda virou atacado, o atacado virou loja, e a loja deu origem a uma rede de semijoias que completa 38 anos com presença nacional. Hoje, a marca mantém aberto o mesmo caminho por onde a fundadora começou: um canal de revenda voltado a mulheres que querem empreender, ao lado de uma rede de franquias em que a maioria das franqueadas é formada por mulheres.
Um setor cada vez mais feminino
A presença feminina avança em diferentes formas de empreender no país. Levantamento do Sebrae mostra que mais de 10,4 milhões de brasileiras são donas de negócios, um crescimento acumulado de cerca de 42% entre 2012 e 2024. No franchising, estudo da ABF (Associação Brasileira de Franchising) aponta que a participação das mulheres nas redes franqueadoras passou de 46% para 57% entre 2015 e 2024. A liderança, porém, avança em ritmo menor: nas operações franqueadas, três em cada dez líderes (32,2%) são mulheres.
Para Dona Solange, empreender sempre esteve ligado à independência. “Quando eu saí com a sacola de prata, eu estava buscando a minha independência. Vender me deu renda, mas também me deu confiança. É isso que eu vejo acontecer com as mulheres que entram na Rahra hoje”, conta.
A revenda como ponto de partida
A Rahra estruturou um espaço exclusivo para as revendedoras, com suporte, capacitação e ferramentas para quem quer começar a vender. A proposta é reduzir a distância entre a vontade de empreender e a primeira venda, uma etapa que a fundadora enfrentou sozinha.
O modelo pelo qual a fundadora começou segue majoritariamente feminino no país. Estudo da ABEVD (Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas) realizado em 2026 com 5.916 empreendedores mostra que 87% da força de vendas pesquisada é formada por mulheres. O setor movimentou cerca de R$ 50 bilhões em 2025 e reúne aproximadamente 3 milhões de revendedores.
“Eu aprendi batendo na porta, sem ninguém para me orientar. Por isso faço questão de que quem revende Rahra tenha apoio desde o começo, com treinamento e com uma marca que dá segurança na hora de oferecer a peça”, afirma.
Da venda direta à rede
A expansão do negócio seguiu etapas bem definidas. A marca cresceu primeiro no atacado, e a primeira loja ainda tinha esse formato. O varejo veio depois, seguido da abertura de unidades franqueadas, modelo que levou a Rahra a outros estados, com Minas Gerais como base mais forte.
Revenda e franquia funcionam como dois degraus de um mesmo percurso, com investimentos e estruturas diferentes. Os dois canais dependem da mesma coisa que sustentou o começo da marca: a proximidade com a cliente. “A semijoia mexe com a autoestima de quem compra e de quem vende. A mulher que revende leva beleza para a cliente e, ao mesmo tempo, constrói a própria renda. Isso nunca mudou desde o primeiro dia”, diz a fundadora.
Um negócio que passa de geração para geração
A Rahra continua familiar. Os filhos de Dona Solange estão na operação: Jônatas cuida da frente de negócios, e Tomás é diretor de produto. A empresa ampliou a estrutura nos últimos anos, com banho das peças em galvânica própria, design autoral nas campanhas e licenciamentos com a Warner Bros. Mesmo assim, a fundadora segue como referência da marca.
Para ela, o que conecta a revendedora de 1988 às mulheres que vendem e administram lojas Rahra hoje é a chance de mudar a própria realidade. “Toda mulher que começa a revender ou abre uma loja está apostando em si mesma, como eu fiz lá atrás. A diferença é que agora ela não precisa começar sozinha”, afirma.
Da sacola de prata às revendedoras: o percurso de Dona Solange na Rahra
