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outubro 7, 2026
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Força-tarefa de IA de Trump reúne membros próximo ao setor e levanta questionamento sobre conflito de interesse

Por · outubro 7, 2026
Força-tarefa de IA de Trump reúne membros próximo ao setor e levanta questionamento sobre conflito de interesse


A nova força-tarefa de inteligência artificial do presidente Donald Trump, que vai ajudá-lo a elaborar diretrizes para o uso da tecnologia, é composta por vários integrantes com fortes vínculos com o setor, segundo uma análise da Bloomberg Government, serviços da agência americana sobre assuntos governamentais. Esse perfil é apontado pelo governo como uma vantagem, mas também vem despertando questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse.
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Pelo menos cinco integrantes da força-tarefa, incluindo três dos quatro principais responsáveis pelo grupo, têm vínculos financeiros ou profissionais anteriores com o setor de IA. E pelo menos um dos membros mantém relações atuais com a indústria.
O diretor de Inteligência Nacional, Jay Clayton, escolhido para liderar a chamada Força de Superinteligência (Super Intelligence Force) de Trump, foi anteriormente presidente do conselho e principal diretor independente da Apollo Global Management, uma grande empresa de gestão de ativos que investiu pesadamente em data centers.
Clayton deixou a empresa em abril de 2025 para assumir o cargo de procurador dos EUA para o Distrito Sul de Nova York, mas a atuação da Apollo no segmento de data centers já ocorria antes de sua saída.
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Anteriormente, quando atuava como advogado em um escritório privado, Clayton representou clientes como o cofundador do LinkedIn, Reid Hoffman, e o conglomerado japonês SoftBank, um importante investidor e parceiro de empresas de inteligência artificial.
“O diretor de Inteligência Nacional, Clayton, está comprometido em cumprir as normas de ética aplicáveis e continuará consultando os responsáveis de carreira pela área de ética em relação a seus cargos e participações financeiras”, afirmou seu gabinete.
Dois dos outros líderes da força-tarefa têm vínculos ainda mais diretos com o setor de IA, que Trump vem tentando rebatizar de “superinteligência” em meio à reação negativa aos potenciais riscos e custos da tecnologia.
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Scott Kupor, diretor do Escritório de Gestão de Pessoal (OPM), foi sócio-gerente da Andreessen Horowitz, ou a16z, uma empresa de capital de risco do Vale do Silício que está entre as mais ativas investidoras em IA nos Estados Unidos e que financiou importantes empresas do setor, incluindo a OpenAI. Uma página de Kupor no LinkedIn o identifica como “Funcionário nº 1” da a16z.
Emil Michael, subsecretário de Guerra para Pesquisa e Engenharia, foi anteriormente executivo da gigante de transporte por aplicativo Uber e, segundo relatos, vendeu milhões de dólares em investimentos em IA — incluindo participações na xAI, de Elon Musk, e na Perplexity AI — ao assumir o cargo no segundo mandato de Trump.
Trump argumentou que é importante incorporar as perspectivas do setor privado à resposta do governo federal à IA, especialmente devido à complexidade da tecnologia e à velocidade com que ela vem se desenvolvendo.
“Não há muitas pessoas que entendam o que está acontecendo”, disse Trump à revista TIME poucos dias antes de discutir IA com dezenas de executivos de tecnologia e autoridades do governo na Casa Branca na semana passada.
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Em resposta a pedidos de comentário, autoridades do governo apresentaram os vínculos dos integrantes da força-tarefa com o setor sob uma perspectiva semelhante, ao mesmo tempo em que rejeitaram a ideia de que eles possam representar conflitos de interesse.
Um funcionário da Casa Branca afirmou que as alegações de que os vínculos dos integrantes representam um conflito decorrem de uma interpretação equivocada de como essas normas funcionam. O funcionário acrescentou que o governo escolheu esses dirigentes por sua experiência em tecnologia, negócios, investimentos e segurança nacional, o que, segundo ele, é um ativo para manter a liderança dos Estados Unidos na área.
“Com a Força-Tarefa de Superinteligência, o presidente Trump garantirá que os Estados Unidos continuem liderando o mundo em inovação em SI (sigla referente a superinteligência), ao mesmo tempo em que protegem os consumidores americanos”, disse a porta-voz da Casa Branca, Liz Huston, em comunicado.
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A porta-voz do OPM, Kiki Nyoh, afirmou em comunicado que “todas as declarações financeiras do diretor Kupor são públicas e foram rigorosamente examinadas pelos órgãos de ética competentes”.
“Ter pessoas que entendem do setor de tecnologia acrescenta ao conjunto de competências dos profissionais escolhidos pelo presidente para esta iniciativa tão importante”, afirmou.
O Departamento de Guerra não respondeu aos questionamentos sobre a força-tarefa.
Jeff Hauser, diretor-executivo do grupo de fiscalização de atividades governamentais Revolving Door Project, de orientação política à esquerda, questionou a ideia de que os integrantes da força-tarefa tenham conhecimentos técnicos específicos para contribuir com o debate sobre IA.
— Eles não estão trazendo cientistas da computação. São empresários — afirmou.
Hauser argumentou que a força-tarefa faz parte de um esforço para aproximar ainda mais o governo de empresários que têm a ganhar com a rápida implementação da IA, colocando o governo como aliado da “ala aceleracionista eficaz do setor de tecnologia americano”.
Segundo o funcionário da Casa Branca, dois ex-integrantes do governo que deverão participar da força-tarefa como membros externos também têm vínculos relevantes com o setor: David Sacks e Condoleezza Rice.
acks é um investidor ativo no setor de tecnologia que se desfez de investimentos em empresas de tecnologia e IA, incluindo Meta, Amazon, TSMC e xAI, quando anteriormente atuou como primeiro czar de IA de Trump. Condoleezza Rice, que foi secretária de Estado durante o governo do ex-presidente George W. Bush, aparece como integrante do conselho da C3 AI, empresa de inteligência artificial voltada ao mercado corporativo, cargo que ocupa desde 2009.
Não está claro se Sacks ou Rice serão designados como funcionários especiais do governo para atuar na força-tarefa, uma medida que o governo já havia adotado ao nomear Sacks como czar. A Casa Branca se recusou a responder a perguntas sobre as possíveis designações.
Porta-vozes da Craft Ventures, empresa de investimentos de Sacks, e da C3 AI não responderam a perguntas sobre a força-tarefa.
Hauser afirmou que Sacks e Condoleezza provavelmente deveriam ser registrados como funcionários especiais do governo para participar da força-tarefa. Segundo ele, porém, será difícil determinar a extensão do envolvimento de ambos e apresentar uma justificativa para isso, diante de como as normas de ética governamental se tornaram “confusas”.

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