Reencontros entre irmãs, conflitos familiares e os desafios de mulheres que se aventuram sozinhas pelo mundo estão no centro de três espetáculos em cartaz na Zona Norte.Entre histórias de afeto, traumas e descobertas, “Um rio dentro de mim”, “Exercício das crianças” e “Daqui também me voy”exploram diferentes experiências femininas nos palcos do Sesc Madureira, do Sesc Tijuca e do Teatro Municipal Ziembinski, respectivamente, com ingressos a preços entre R$ 7,50 e R$ 40. Confira a programação.
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‘Um rio dentro de mim’
No Sesc Madureira, o musical “Um rio dentro de mim” terá sessão neste sábado (17), às 15h. Com dramaturgia de Rebecca Noguchi, direção de Bernardo Dugin e direção musical de Tony Lucchesi, a montagem tem duas indicações ao Prêmio Musical Rio e homenageia a cidade por meio de uma história familiar.
Interpretadas por Carol Botelho e Deborah Marins, duas irmãs se reencontram após a morte da mãe, Ivone. Ao organizar o porão da casa, encontram cartas que revelam a trajetória da matriarca, marcada por amores e perdas, tendo o Rio como elo entre as lembranças.
Nicole Cordery (à esquerda) e Fernanda Viacava vivem irmãs em “Exercício das crianças”
Divulgação/Joao Caldas
A narrativa é acompanhada por canções criadas ou cantadas por nomes como Vinicius de Moraes, Aldir Blanc, Elza Soares e Cássia Eller. As atrizes dividem o palco com os músicos Tony Lucchesi, Pedro Parreira e Thaís Ferreira.
— “Um rio dentro de mim” é um musical que nos convida a refletir sobre o quanto pessoas, lugares e acontecimentos nos deixam marcas permanentes, mesmo que passem rapidamente, como um rio, em nossas vidas — afirma o diretor Bernardo Dugin.
O ingresso custa R$ 15 (inteira), com gratuidade para o público PCG. As entradas estão disponíveis pelo site ingresso.com.
‘Exercício das crianças’
O Sesc Tijuca recebe, até o próximo dia 8, “Exercício das crianças”. Com texto de Bruno Cavalcanti e direção de Noemi Marinho, a peça acompanha duas irmãs que se reencontram após 15 anos separadas, por ocasião da morte do pai.
Marta, interpretada por Fernanda Viacava, permaneceu na casa da família para cuidar do pai doente e das duas sobrinhas. Carla, vivida por Nicole Cordery, decidiu seguir a própria vida longe daquele núcleo familiar. Ao retornar, afirmando estar muito doente, ela quer reassumir seu lugar na casa. O reencontro traz à tona abusos, traumas e conflitos guardados por anos.
A encenação aposta em poucos elementos visuais e concentra a atenção nos diálogos e no jogo entre as atrizes. Com figurinos básicos e mudanças discretas de luz, a montagem explora os limites entre intérpretes e personagens, convidando o público a construir suas próprias interpretaçõe
— Para mim, o mais instigante dessa peça é perceber o público juntando as pecinhas do jogo na cabeça, como uma participação ativa. A gente vai sentindo as risadas soltas que vão aos poucos se tensionando — conta Fernanda.
A peça tem sessões de quinta-feira a sábado, às 19h, e aos domingos, às 18h, no Teatro II do Sesc Tijuca. O ingresso custa R$ 30 (inteira), com gratuidade para o público PCG. As entradas podem ser adquiridas pelo ingresso.com ou na bilheteria da unidade.
‘Daqui também me voy’
No Ziembinski, na Tijuca, “Daqui também me voy” será apresentado nas próximas terça e quarta-feira e nos dias 27 e 28, sempre às 20h. Criado por Cami Basterra, da Argentina, e Florencia Santangelo, do Uruguai, com direção de Ana Carolina Sauwen, o espetáculo combina clown e teatro gestual para contar a história de duas mulheres que viajam sozinhas e precisam lidar com medos e inseguranças.
Cami interpreta Alucinda, metódica e desconfiada, enquanto Florencia vive Magnolia, expansiva e emocionalmente intensa. Entre malas, desencontros e situações inesperadas, as personagens constroem uma relação que revela a identificação entre mulheres diante dos desafios de circular sozinhas pelo mundo.
— O encontro entre duas mulheres pode criar uma possibilidade de abertura e relaxamento diante de um mundo que exige delas um estado constante de alerta — afirma a diretora.
A experiência itinerante das artistas também passa pela a montagem, que reúne referências culturais do Brasil, da Argentina e do Uruguai. A trilha sonora mistura tango, funk, candombe e canções populares latino-americanas. O processo de criação também foi marcado pela memória da palhaça venezuelana Julieta Hernández,colega de trabalho de Cami, vítima de feminicídio no Maranhão, em 2023, enquanto viajava sozinha de bicicleta pelo Brasil. O ingresso custa R$ 40 (inteira).
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De traumas familiares a viagens sem companhia: veja três peças sobre mulheres em cartaz na Zona Norte do Rio
