As decisões dos deputados e a indicação de Jorge Messias ao STF foram os temas mais comentados pelos leitores do GLOBO na semana de 28 de novembro a 4 de dezembro. Nesse período, recebemos cerca de 300 mensagens do público com comentários sobre o noticiário, críticas e sugestões.
Desse conjunto, 83 textos foram selecionados para publicação no jornal impresso. A redação analisou os temas que mais apareceram nessas mensagens.
Ainda entre os assuntos mais mencionados nos textos publicados estavam as investigações e as decisões sa Justiça sobre o Banco Master e os desdobramentos da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Leia alguns trechos das cartas dos leitores publicadas no jornal impresso ao longo da semana
“Alcolumbre e Motta de mãos dadas, unidos na degradação moral de um Congresso apodrecido. Desta vez, pouco após se fazerem ausentes do evento de sanção do projeto de isenção do Imposto de Renda, celebraram a derrubada dos vetos presidenciais ao plano de devastação ambiental. É triste. No momento em que milhões de brasileiros celebram a prisão daqueles que atentaram contra a democracia, o Poder Legislativo, cuja existência e atuação deveria ser um símbolo dessa democracia, enoja grande parte da população”. Por Rodrigo Machado (Rio)
“A PM entra com tudo nas comunidades derrubando barricadas. Entretanto, barricadas muito mais perniciosas acontecem na Câmara e no Senado: a barricada do agro derrubou veto de Lula que impedia a tal da autodeclaração, isto é, o próprio dono da terra vai declarar que está tudo correto. A barricada do pessoal do PL tenta blindar o maior devedor do Brasil, um sujeito com enorme influência no Judiciário do Rio e entre políticos daquele partido. Há ainda o pessoal que faz barricada para blindar políticos que fugiram do país e continuam ganhando salários robustos. Fica difícil resolver os problemas do país. Vamos pensar melhor na hora de votar! Por Marisa Cruz (Rio)
“Parece estar se tornando uma praxe política deste país: criam problemas, fogem para o exterior e lá permanecem pagos pela União, como é o caso desses três deputados federais. Desde que fugiram, juntos já deram um prejuízo aos cofres públicos, em um mês, da ordem de R$ 460 mil. Apenas um deles teve o seu salário cortado, enquanto os outros continuam recebendo. E ninguém faz nada. Soa como conto de fadas, mas é a mais pura realidade: nós outros temos que sustentar políticos desocupados e irresponsáveis que vivem lá fora às nossas custas. Inacreditável!” Por Marcelo Correia Lima (Rio)
“Que Davi Alcolumbre me desculpe, mas o Legislativo não está sendo ofendido. Ofendidos estão o povo e a democracia, que elegem seus representantes para que lutem com dignidade pelo bem da sociedade, e não por seus próprios interesses. Digo e repito: devemos aprender como e em quem votar. Política se faz com inteligência e bom senso, não com chantagem ou truculência.” Por Leila Murad (Petrópolis, RJ)
- Entenda a derrubada aos vetos: Congresso derruba 56 vetos ao licenciamento ambiental e dá vitória expressiva à bancada ruralista
- Entenda a questão dos deputados que fugiram: Eduardo, Zambelli e Ramagem; Câmara gasta R$ 460 mil em um mês com deputados que fugiram do Brasil
Indicação de Jorge Messias ao STF
“A justificativa é que a indicação para o STF é prerrogativa do presidente. Mas há um desejo, quase um clamor da sociedade por um nome que tenha protagonismo na defesa do direito cotidiano, alguém com currículo de coragem para condenar bandidos e criminosos de colarinho branco. Esta indicação é mais do mesmo. Mais política e gabinete, nenhuma proximidade com a realidade duríssima que o cidadão vive, confrontado com violência e injustiça. É o momento para se buscar um grande representante da Justiça, de preferência mulher, e há muitas por aí exercendo com a maior competência os cargos que conquistaram. Senado, é hora da sua prerrogativa!” Por Cristina Werneck (Rio)
“Parece até que é uma eleição para definir o novo ministro do STF. Sugestões e opiniões a favor ou contra aparecem nas mídias a todo instante. Seria melhor que a escolha fosse por votação dos órgãos vinculados à legislação. Advogados, juízes, promotores e outros órgãos, como numa eleição para cargos públicos, pois este é um cargo público. Essa eleição poderia ser para todos cargos de indicação hoje feita por presidentes, governadores e prefeitos.” Por Arnaldo Vieira da Silva (Aracaju, SE)
“Espero realmente que o Senado reprove Messias com sua bagagem lulista, pois, vejam o que Toffoli, outro indicado por Lula, fez com Vorcaro, do Banco Master: decretou sigilo máximo nas investigações para que não se saibam os podres dos poderes.” Por Cecilia Centurión (São Paulo, SP)
“Fico estarrecido com o que vejo sobre esse embate da indicação de Messias ao STF. Temos “visão espiritual”, diz o evangélico Mendonça, indicado por Bolsonaro, apoiando o evangélico Messias, indicado por Lula, inimigo visceral do patrono de Mendonça, quando o Estado é laico. Temos o fator ego, em que Alcolumbre, cuja preferência foi ignorada, cria empecilhos para o detentor do poder legal de indicar o novo ministro. Por que a ausência do fator crucial, que é o notório saber jurídico? Este deveria ser o embate no Senado. Não o gênero; não a raça; não a crença religiosa; não a tendência política do proponente.” Por Eduardo Aguinaga (Rio)
- Entenda os desdobramentos da indicação de Messias: Alcolumbre cancela sabatina de Messias e critica governo por demora em enviar nome ao Senado
Banco Master e a soltura de Daniel Vorcaro
“A decisão da desembargadora Solange Salgado de substituir a prisão preventiva de Vorcaro e dos demais investigados por medidas cautelares faz pouco caso da Polícia Federal e de cerca de 1,6 milhão de vítimas de um bilionário esquema de fraudes financeiras. A própria prisão de Vorcaro ocorreu no momento em que ele tentava embarcar para deixar o Brasil, o que reforçaria a necessidade de uma prisão preventiva para assegurar a aplicação da lei penal. Ao considerar que “não mais subsistem os requisitos” para a manutenção da prisão, a decisão minimiza o impacto de crimes financeiros dessa magnitude, os quais, embora não envolvam violência física, geram enorme dano social, econômico e institucional. Isso não é normal!” Por Wilde Raia (Rio)
“Aposto que Serginho Cabral vai prestar consultoria a Vorcaro sobre o dolce far niente: como superar a adversidade e viver bem com um dinheirinho guardado. Se pobre fosse e tivesse furtado um pão, seguiria preso.” Por Evandro Pagy (Rio)
“Revoltante a decisão de Toffoli de impor sigilo às investigações sobre o Banco Master. Tomamos conhecimento das providências do ministro Gilmar Mendes para blindar os membros do STF em caso de pedidos de impeachment por parte do Legislativo, modificando a legislação atual, sabendo-se que o Supremo não pode legislar. Fato comum ao Legislativo e ao Judiciário é a participação de políticos e alguns ministros do STF em convescotes milionários no exterior patrocinados por Vorcaro. Os Poderes no Brasil estão corrompidos, literalmente podres.” Por Elisabeth Fiorencio (Teresópolis, RJ)
“É inadmissível o sigilo no processo de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Envolve uma fortuna de dinheiro público e muitos entes públicos. A sociedade tem todo direito de ser informada. Como diz o velho ditado: quem não deve não teme.” Por Herbert Luiz Rollemberg Cruz (Rio)
- Entenda a soltura de Vorcaro: TRF1 manda soltar Daniel Vorcaro, que terá que usar tornozeleira eletrônica
- Entenda o sigilo nas investigações: Toffoli decreta sigilo e transforma em caixa-preta ação de Vorcaro
Prisão de Bolsonaro e seus desdobramentos
“Conforme coluna de Bernardo Mello Franco (“Cruzadinha no xadrez”, 28 de novembro), Jair Renan foi visitar Bolsonaro na cadeia. Ao passar pelos repórteres, falou que estava levando alguns livros para o pai. Os repórteres ficaram curiosos e perguntaram sobre que tipo de livros. A resposta: alguns caça-palavras. O presente estava coerente, pois Bolsonaro nunca foi chegado à leitura de livro, ou seja, cultura zero. Foi esse homem que governou o nosso país. Segundo Mello Franco, no seu último ano de governo, quando precisou de dinheiro para a reeleição, bloqueou R$ 800 milhões do Programa do Livro e do Material Didático. O Brasil precisa de presidentes cultos e capazes para colocar o país no nível em que mereceria estar.” Por Emerson Rios (Niterói, RJ)
“Se meros apoios, preferências e pretensões têm causado tanta treta e dissensão entre os herdeiros políticos do ex-presidente Bolsonaro, um patrimônio tão imaterial quanto o carnaval e o boi-bumbá, imagine-se a disputa que ocorreria caso se tratasse de bens materiais.” Luis Eduardo Neves (Rio)
“Trump afirmou que qualquer país envolvido na produção ou na venda de drogas para os EUA poderá ser atacado. Mais um desafio para nossa diplomacia. Afinal, Eduardo Bolsonaro também foi produzido aqui, e, embora muitos discordem, ele não é droga, mas causa efeitos colaterais bem piores que muita substância ilícita.” Por Eris A. Scheiguetz (Niterói, RJ)

