Quantos joelhos você já comeu na vida? Aquele tradicional salgado carioca, vendido em lanchonetes, é também conhecido como italiano, enroladinho, bauru, pão de pizza ou brioche em outras regiões do Brasil. A influenciadora gastronômica conhecida nas redes como Pi, teve como meta de 2025 percorrer vários pontos do Rio para provar 182 joelhos e montar um ranking: do pior para o melhor, com detalhes como preço e onde encontrar cada um. Praticamente um salgado a cada dois dias durante o ano todo.
Graduada em psicologia e gastronomia, Priscilla Corrêa, 40, percorreu todo o trajeto com a companheira, Rosa Castro, 50, e registrou cada experiência nas redes sociais da página “Já Comi Rio”, criada em 2021 como um hobbie em que as duas se dedicam a publicar avaliações de restaurantes da cidade. Cada um dos 182 joelhos ganhou um vídeo de análise do sabor, e o projeto, que custou em torno de R$ 4 mil, levou 11 meses para ser concluído.
Pi conta que a ideia surgiu dos seguidores nas redes sociais, após se dedicar a encontrar a melhor coxinha do Rio de Janeiro em 2024, em um ranking que contou com 61 opções. Para este ano, o público escolheu o joelho, em um projeto que seria três vezes maior. O martelo foi batido: foi dada a largada na busca pela melhor massa de pão recheada com presunto e queijo.
Engana-se quem pensa que a nota de cada joelho foi dada sem um fundamento minucioso. O primeiro critério que Pi Corrêa avaliou foi a massa do salgado: se a fermentação estava correta, impactando no sabor e textura, se tinha umidade adequada e se estava assado ao ponto de degustação.
Quanto ao recheio, ela analisava a quantidade adequada e a qualidade, a intensidade da gordura e, claro, o sabor. Outro critério foi o custo-benefício. Somente a versão clássica do joelho, com queijo e presunto, foi considerada.
— Reparei a questão de tamanho, qualidade e preço, sempre levando em consideração a localização, pois ela interfere no valor, e por fim o salgado como um todo: se os sabores estavam equilibrados, sem faltas ou exageros — contou a influenciadora, que reforçou o compromisso em manter uma avaliação justa das iguarias.
Os lugares visitados foram escolhidos por indicação dos seguidores. Segundo ela, um fator surpreendente foi a relação entre preço e qualidade do produto. As opções mais custosas não necessariamente garantiam o melhor sabor.
— Os mais caros estão entre os piores! Inclusive, o último lugar [do ranking] foi um dos mais caros. E não há dúvida de que para comer joelho bom precisa sair do circuito mais nobre que os perfis de comida habitualmente gravam. Zona Norte e Baixada foram de longe os melhores — revelou Priscilla.
De acordo com Priscilla, a meta inicial era de experimentar cem joelhos, mas os seguidores recomendaram tantos lugares que o objetivo se tornou conhecer todas as sugestões possíveis de serem visitadas em um trajeto de carro. Dessa forma, as fronteiras foram expandidas: ela e a companheira, que filmava as avaliações, saíram da região metropolitana do Rio e foram até Piraí, no Vale do Paraíba, só para experimentar o lanche.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/k/A/04w0vITNKQcjYbAnkuWA/whatsapp-image-2025-12-02-at-16.22.20.jpeg)
Os post sobre os melhores joelhos levantaram um questionamento nos comentários acerca da nomenclatura do salgado. Em Niterói, ele é conhecido como italiano e foi decretado como Patrimônio Cultural Imaterial da cidade em dezembro de 2022. “Aqui não se vende joelho, se vende italiano. Outro patamar”, dizia um dos comentários no perfil. “Primeiro, que da ponte para cá, é italiano”, publicou outro internauta. Outro ponto cultural específico da cidade é o costume de maionese temperada como acompanhamento, observou Priscilla.
— A gente aqui do Rio capital sempre lidou com a nomenclatura de forma lúdica, até pela provável origem de ser ‘por ficar embaixo da coxinha na estufa’, nunca foi algo levado muito a sério. Em Niterói a questão da nomenclatura de fato tem uma relevância, inclusive muitas pessoas se ofendiam por eu gravar ‘o melhor joelho’ na terra do italiano. Em Niterói isso tem um peso diferente — comentou a influenciadora.
Qual joelho foi eleito o melhor?
“Massa saborosa, leve, derretendo na boca com aquele toque adocicado perfeito. Ótima quantidade de recheio: dá pra sentir bem o queijo e o presunto em todas as mordidas. Estamos diante de um excelente joelho, um dos melhores que já provei na vida”, diz a descrição da postagem sobre aquele que foi eleito por Priscilla o melhor joelho do Rio de Janeiro. Trata-se da iguaria encontrada na lanchonete Vascão, em Madureira.
Veja, abaixo, como ficou o top 15 do ranking:
- 15° Salgados a Moda Antiga – Nilópolis – R$ 8,00
- 14° Panetteria – Méier – R$ 8,99
- 13° O Joelhão – Nilópolis R$ 8,90
- 12° Estúdio do Pão – Niterói – R$ 9,95
- 11º Quiosque dos Salgados – Duque de Caxias – R$ 9,00
- 10º Doce Sensação – Mesquita – R$ 8,00
- 9° Padaria Danúbio Azul – Del Castilho – R$ 9,00
- 8° Bobagem – Curicica – R$ 10,00
- 7° Sua Alteza Lanches – Duque de Caxias – R$ 11,00
- 6° Ravelle – Tijuca – R$ 11,00
- 5° Padaria Guanabara – Brás de Pina – R$ 6,50
- 4° Bar da Gema – Maracanã – R$ 10,00
- 3° Casa de Massas – Cachambi – R$ 6,50
- 2° Fada Madrinha – São Cristóvão – R$ – 8,00
- 1° Vascão – Madureira – R$ 10,00

