A defesa do cantor Alexandre Pires divulgou nota pública nesta quarta-feira negando qualquer participação dele no esquema investigado pela Polícia Federal (PF). O documento é assinado pelo advogado Luiz Flávio Borges D’Urso. O cantor foi alvo de mandado de busca e apreensão na operação Disco de Ouro. Ele é investigado por suspeitas de integrar uma organização criminosa que movimentava recursos oriundos de extração e comercialização ilegal de cassiterita na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. Há suspeita de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.
Alexandre Pires: entenda em seis pontos o que fez o cantor ser alvo da PF
Morte do cantor Rick: acidente aéreo eleva para 129 o total de mortes em quedas de helicóptero em uma década
Segundo a nota, Pires “não tem e nunca teve qualquer envolvimento com garimpo ou extração de minério, muito menos em área indígena”. D’Urso afirma ainda que o cantor foi “tomado de surpresa” com os desdobramentos da operação, que “indevidamente envolveu seu nome”.
O advogado destaca que Pires é “uma das mais importantes referências da música brasileira”, com “longa e impecável carreira artística”. A defesa encerra a nota dizendo que o cantor “jamais cometeu qualquer ilícito” e que isso “já está sendo devidamente demonstrado no curso das investigações.
Entenda o caso
A operação Disco de Ouro é focada no combate ao comércio irregular e à exportação da mineração extraída da reserva. Expedidas pela Justiça Federal, as ordens judiciais incluem 12 mandatos de busca e apreensão e 17 medidas para sequestro de bens e valores. Não foram emitidos mandatos de prisão nesta etapa. O advogado Diego Possebon e o empresário Matheus Possebon, que trabalha com o cantor, também são alvos.
Investigações iniciais apontam que Alexandre Pires teria recebido mais de R$ 4 milhões. A empresa A.P.N. Serviços Ltda., pertencente a Alexandre Pires, recebeu inicialmente R$ 2,53 milhões segundo a planilha analisada pela PF.
A investigação descobriu indícios de que foi armado um suposto esquema para a retirada ilegal de cassiterita da terra indígena ianomâmi. O minério, valorizado no mercado internacional, era declarado como originário de um garimpo regular no Rio Tapajós, em Itaituba, no Pará, e supostamente transportado para Roraima para tratamento, segundo a PF. As investigações apontam que tal dinâmica ocorreria apenas no papel, já que o material era extraído do próprio estado de Roraima.
“Foram identificadas transações financeiras que relacionariam toda a cadeia produtiva do esquema, com a presença de pilotos de aeronaves, postos de combustíveis, lojas de máquinas e equipamentos para mineração e laranjas para encobrir movimentações fraudulentas”, informou a PF, em nota.
Defesa de Alexandre Pires nega envolvimento do cantor com garimpo ilegal
