Pular para o conteúdo
outubro 6, 2026
BRcom
Dólar PTAXR$ 4,9853
News

Defesa de mulher que sobreviveu à injeção letal pede que pena passe para prisão perpétua

Por · outubro 6, 2026
Christa Pike: quem é a americana que será executada aos 50 anos por assassinato cometido na década de 1990


Os advogados de Christa Pike, condenada à morte nos Estados Unidos, vão pedir que a pena seja convertida em prisão perpétua depois que ela sobreviveu à tentativa de execução por injeção letal no Tennessee, na semana passada, segundo a emissora americana CBS, Pike permanece internada, em estado crítico e sob ventilação mecânica, enquanto médicos trabalham para eliminar do organismo o pentobarbital utilizado no procedimento.
Veja também: O que tem na injeção letal que foi aplicada duas vezes em americana que sobreviveu e como age a substância
E mais: Como está a saúde de Christa Pike após falha na execução nos EUA
Ainda não está claro se a detenta vai recuperar a consciência. Diante da possibilidade de o estado tentar executá-la novamente, o advogado Steve Ferrell, do Federal Defender Services of Eastern Tennessee, afirmou que a prioridade da defesa é retirar a pena de morte da condenação.
— O mínimo que poderia acontecer agora é que pelo menos tiremos a morte da mesa e comecemos a procurar o que o futuro poderia ser para ela — disse Ferrell ao programa “CBS Mornings”.
O advogado afirmou que a equipe está disposta a discutir a mudança da sentença com o governador do Tennessee, Bill Lee, ou com qualquer autoridade que tenha poder para tomar a decisão. Segundo ele, mesmo que Pike acorde, seu futuro permanece incerto e pode levar bastante tempo até que ela tenha condições de participar do processo judicial.
— Pode ainda levar muito tempo até que ela consiga participar do processo legal — afirmou.
Defesa teme nova tentativa de execução
A estratégia dos advogados busca impedir que o Tennessee tente executar Pike novamente. Segundo Ferrell, historicamente, presos que sobrevivem a procedimentos de execução malsucedidos podem voltar a ser submetidos à pena de morte.
Pike está presa há cerca de três décadas, em grande parte desse período em isolamento. Ela foi condenada à morte pelo assassinato de sua ex-colega de escola Colleen Slemmer, de 19 anos, em 1995. Pike tinha 18 anos na época do crime e se tornou a pessoa mais jovem da era moderna da pena de morte nos Estados Unidos a receber o processo de execução por um crime cometido aos 18, 19 ou 20 anos, embora a tentativa de execução tenha fracassado.
No crime, ele teve ajuda do namorado, Tadaryl Shipp, e de uma amiga dela, Shadolla Peterson. Tadaryl recebeu ainda em 1997 a sentença de prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional. Já Shadolla recebeu liberdade condicional após se tornar informante no caso do Estado contra Christa e Tadaryl.
Christa Pike
Reprodução
A detenta recebeu duas doses de pentobarbital durante o procedimento. Segundo um especialista ouvido pela CBS, o fato de ela ter sobrevivido mesmo após receber efetivamente a substância letal é sem precedentes na era moderna da pena de morte.
— Esse fato, por si só, nos diz que algo deu muito errado na câmara de execução — afirmou Robin Maher, diretora-executiva do Death Penalty Information Center, à emissora.
Protocolo do Tennessee volta a ser questionado
O episódio provocou mudanças na estrutura responsável pelas execuções no Tennessee. O comissário do Departamento de Correção do estado deixou o cargo após o procedimento malsucedido.
O governador Bill Lee também cancelou a próxima e última execução prevista para este ano e determinou uma revisão independente para apurar o que ocorreu. Apesar disso, o governador afirmou a jornalistas que, até onde se sabia, o Departamento de Correção havia seguido exatamente o protocolo estabelecido.
O procedimento de execução do Tennessee já havia sido alvo de questionamentos. Em 2022, o estado chegou a suspender as execuções para investigar seu protocolo de injeção letal. Os procedimentos foram retomados em 2025, utilizando um novo coquetel formado por uma única substância, o pentobarbital, em vez da combinação de três medicamentos usada anteriormente.
No início deste ano, outro procedimento também apresentou problemas. A execução de Tony Carruthers foi interrompida depois que funcionários não conseguiram estabelecer uma linha intravenosa para a aplicação da substância.
Segundo a CBS, pelo menos sete presos nos Estados Unidos, incluindo Carruthers, sobreviveram a tentativas de execução por injeção letal devido a problemas com o acesso intravenoso. O caso de Pike, porém, é diferente por ela ter sobrevivido mesmo depois de receber as substâncias letais.

Defesa de mulher que sobreviveu à injeção letal pede que pena passe para prisão perpétua