A convicção de que Jair Bolsonaro será condenado no processo da trama golpista já se formou até entre seus aliados mais próximos há algum tempo, mas recentemente começou a surgir no entorno do ex-presidente um novo motivo para preocupação: o receio de que o ex-presidente seja obrigado a se afastar das redes sociais, mesmo em caso de prisão domiciliar, o que seria um duro golpe na sua tentativa de pautar o debate público e mobilizar apoiadores.
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“Moraes criou o exílio virtual. Vão tentar silenciar o Bolsonaro nas redes, matá-lo civilmente”, diz um interlocutor do ex-presidente com bom trânsito no meio jurídico.
É um veto que o ministro já impôs no formato de medida cautelar a outros investigados da trama golpista, como a cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, que pichou com batom a frase “Perdeu, mané” na estátua da Justiça em frente ao prédio do STF. Ela foi condenada em abril passado a uma pena de 14 anos por associação criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração do patrimônio tombado – mesmos crimes pelos quais Bolsonaro é réu.
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Os bolsonaristas temem inclusive que as medidas restritivas do Supremo comecem a vir antes mesmo da condenação, em decorrência do acirramento do conflito com a Corte por causa das iniciativas do governo Trump contra autoridades estrangeiras que eles considerem que estão violando a liberdade de expressão dos americanos.
A abertura de um inquérito para investigar Eduardo Bolsonaro por Alexandre de Moraes para investigá-lo por coação na articulação com Trump fez Bolsonaro acreditar que pode vir a ser alvo de prisão preventiva ou de bloqueio de bens. Se isso ocorrer, os aliados não descartam que possa vir aí também a proibição de continuar usando as redes sociais.
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O ex-presidente, que vai depor no inquérito na próxima quinta-feira (5), já declarou que paga as despesas de Eduardo nos Estados Unidos — o que pode levá-lo a ser considerado cúmplice caso o filho seja condenado lá na frente. Uma possibilidade bastante temida é que Moraes decida adotar alguma medida já agora, logo após o depoimento.
Nas últimas duas campanhas presidenciais, o ex-presidente utilizou as redes sociais como sua principal ferramenta de comunicação.
Seus perfis no X e no Instagram reúnem respectivamente 13,9 milhões e 26,6 milhões seguidores – números bem mais expressivos que os de Lula nessas plataformas: 9,5 milhões e 13,2 milhões. Para ele, a depender das circunstâncias, perder esses canais de comunicação pode ser pior ainda do que a prisão.
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