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setembro 24, 2026
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Depois dos óculos inteligentes, IA e câmeras chegam aos fones de ouvido

Por · setembro 24, 2026
Fones de ouvido com IA e câmeras entram na disputa com óculos inteligentes


A corrida pela inteligência artificial já passou pelos smartphones, chegou aos computadores e, mais recentemente, colocou os óculos inteligentes no centro das apostas de gigantes como Meta, Google e Samsung. Agora, a próxima revolução pode acontecer em um dispositivo muito mais discreto: os fones de ouvido sem fio. A aposta é transformar esses aparelhos em assistentes pessoais com IA embarcada, capazes de executar tarefas, acessar serviços online e interagir por voz de forma contínua ao longo do dia. O detalhe fica por conta da presença de câmeras capazes de captar informações sobre o ambiente do usuário.
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Em vez de serem apenas acessórios para ouvir música ou atender chamadas, os dispositivos passariam a assumir funções que hoje dependem do smartphone. O objetivo, dizem as empresas, é permitir que o usuário converse naturalmente com a inteligência artificial dos fones enquanto caminha, trabalha ou dirige, sem precisar tirar o celular do bolso para abrir aplicativos ou executar comandos.
Foi com essa visão que a Qualcomm apresentou uma nova geração de chips para áudio durante o Snapdragon Summit, evento realizado nesta semana nos Estados Unidos que reúne gigantes do setor de tecnologia. A segunda geração da plataforma Snapdragon Sound Elite foi desenvolvida para permitir que os fones e outros aparelhos vestíveis como os próprios óculos inteligentes mantenham conexão permanente com a internet e ofereçam novas experiências diretamente no dispositivo, afirmou a companhia. Dados do IDC apontam que o segmento deve crescer 4% neste ano, somando vendas de pouco mais de 407 milhões de unidades.
Fones de ouvido além da música: IA e câmeras acirram disputa com óculos inteligentes
Bruno Rosa / Agência O Globo
— Nosso estudo mostra que até 70% dos usuários querem recursos avançados de IA em seus dispositivos vestíveis. À medida que a IA se torna uma capacidade central, os usuários esperam cada vez mais formas naturais de interagir com ela. Essas interações nem sempre acontecerão por meio de uma tela. Elas vão ocorrer por meio de conversas naturais, nas quais os usuários podem simplesmente falar com um assistente de IA e receber ajuda em tempo real — afirmou Ziad Asghar, vice-presidente sênior e gerente-geral de XR, Wearables e Personal AI da Qualcomm Technologies.
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A aposta se apoia em uma mudança tecnológica importante. Os novos chips passam a combinar Bluetooth com a versão mais avançada do Wi-Fi 6E, permitindo que dispositivos extremamente pequenos mantenham conexão contínua com a internet sem comprometer a autonomia da bateria. Até agora, as limitações de energia tornavam inviável levar esse tipo de conectividade avançada para fones sem fio.
O objetivo da Qualcomm é permitir que serviços sejam executados diretamente nos fones por meio do conceito chamado “Direct to Cloud”. Na prática, o usuário poderá pedir por voz para remarcar uma reunião, encontrar uma oferta melhor para um produto ou solicitar um transporte sem precisar abrir diferentes aplicativos no celular. A interação passa a ocorrer de forma mais natural, com a IA funcionando em segundo plano.
A estratégia representa uma mudança importante para a indústria. Em vez de servirem apenas para reproduzir música ou atender chamadas, os fones passam a ganhar características de dispositivos computacionais independentes.
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A empresa também trabalha com parceiros para criar um ecossistema de aplicativos e agentes de IA que poderão ser instalados diretamente nesses equipamentos ao longo do tempo, por meio da plataforma Snapdragon Sound Apps & Agents.Fazem parte desse ecossistema empresas como Cinemo, especializada em software para entretenimento digital e streaming em dispositivos conectados; Qobuz, serviço de streaming de música em alta resolução; e Roon, plataforma de gerenciamento e reprodução de áudio de alta fidelidade.
— A experiência se torna imediata e totalmente mãos livres. Nossa estrutura facilita para desenvolvedores de aplicativos, provedores de serviços e criadores de plataformas adicionarem novos apps e agentes aos dispositivos. A ideia é ir além da música e do entretenimento, chegando à assistência baseada em IA e a serviços digitais, transformando os fones de ouvido em dispositivos inteligentes que se tornam cada vez mais capazes com o passar do tempo — afirmou Sarah McMurray, gerente de Marketing da companhia.
Segundo as empresas, a IA nos fones sem fio funcionará em segundo plano enquanto o usuário escuta música, recebe orientações, monitora informações relevantes ou executa tarefas por meio de agentes inteligentes.
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Nos últimos anos, os fones já vêm incorporando recursos avançados, como cancelamento de ruído adaptativo baseado em IA, melhorias na captura de voz e tradução em tempo real. A expectativa da indústria é que a próxima etapa dessa evolução transforme esses dispositivos em uma nova porta de entrada para a inteligência artificial no dia a dia dos consumidores.

Depois dos óculos inteligentes, IA e câmeras chegam aos fones de ouvido