No primeiro semestre de 2026, secas, deslizamentos e enchentes no Brasil causaram um prejuízo financeiro de R$ 6,6 bilhões, aponta um relatório da AON, empresa de seguros, que alerta para os riscos do El Niño ampliar esses danos. Os eventos brasileiros foram os mais impactantes no continente, ao lado de casos semelhantes na Colômbia e dos terremotos na Venezuela. No mundo, foram estimadas perdas de R$ 565 bilhões no primeiro semestre.
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O Brasil foi destacado no relatório como um dos principais exemplos de impactos do El Niño, principalmente nas perdas agrícolas, eventos de clima extremos e no mercado de seguros. A AON cita um estudo do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), que identificou 220 eventos em 16 estados brasileiros entre 2000 e 2021 associados ao El Niño, que, no Brasil, gera fortes chuvas no Sul e seca no Norte.
Há previsão de que um forte El Niño atue nos próximos meses. Nas últimas semanas, intensas ventanias registradas no Sul e Sudeste podem ter acontecido por influência do aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, o que configura o El Niño e altera a circulação dos ventos e da atmosfera.
Principais desastres no ano
O Global Catastrophe Recap (retrospectiva global de catástrofes), nome do relatório da Aon, identificou quatro eventos extremos no Brasil no primeiro semestre: um de seca, um de tempestade, e dois de enchentes e deslizamentos. Esses episódios somaram 127 mortes e perdas econômicas estimadas em R$ 6,6 bilhões.
O caso mais grave aconteceu em Minas, em fevereiro, onde chuvas, enchentes e deslizamentos resultaram em 72 mortes em Juiz de Fora e Ubá.
O principal desastre climático da América Latina em 2026 foi a sequência de terremotos que atingiu a Venezuela em 24 de junho, com cerca de 5 mil mortes e perdas preliminares estimadas entre 20 bilhões e 30 bilhões de dólares. Foi o terremoto mais severo no continente desde o ocorrido no Chile em 2010.
Na Colômbia, os principais problemas foram inundações. Chile e Argentina sofreram com incêndios florestais, enquanto enquanto Peru e Equador registraram enchentes e deslizamentos de terra. Já o México foi afetado pela tempestade tropical Boris.
O relatório considerou que houve menos eventos que a média, porém com intensidade acima do normal, o que gerou “impacto humano e financeiro significativo”.
Panorama global
Globalmente, as perdas econômicas provocadas por desastres climáticos totalizaram 111 bilhões de dólares, ou R$ 565 bilhões, no primeiro semestre de 2026, cerca de 25% abaixo da média do século. Ainda assim, o patamar é muito alto, reforça o relatório, com 23 eventos com perdas superiores a 1 bilhão de dólares.
Houve, por exemplo, a tempestade de vento mais impactante já registrada em Portugal e uma intensa temporada de tempestades marítimas nos Estados Unidos.
O relatório destaca que a frequência de eventos extremos e o crescimento das perdas seguradas reforçam a necessidade de ampliar a resiliência da infraestrutura, fortalecer estratégias de prevenção e aperfeiçoar a gestão integrada de riscos diante de um cenário climático cada vez mais volátil.

