Formado na base de Xerém, Thiago Silva consolidou uma carreira de sucesso na Europa até o coração “pesar” para voltar a vestir a camisa do Fluminense, em 2024. Aos 40 anos, o Monstro — apelido dado pela torcida — segue em alto nível, não à toa é um dos veteranos que mais se destacam na Copa de Clubes. Com uma atuação sólida na vitória sobre a Inter de Milão, na segunda-feira, pelas oitavas de final, ele fez novamente jus à braçadeira de capitão da equipe, com sua liderança dentro e fora de campo. E os pedidos de um possível retorno à seleção brasileira já chegaram aos ouvidos do técnico Carlo Ancelotti, que trabalhou com o defensor no Milan e no PSG.
Com quatro Copas no currículo, entre 2010 e 2022, Thiago não é convocado desde o Mundial do Catar, quando se tornou o atleta mais velho (38 anos) a entrar em campo pela Amarelinha. Apesar de a falta de oportunidades indicar um fim de ciclo, o defensor se vê capaz de defender o Brasil, mas não faz alarde. A presença de veteranos em outras seleções, como o português Cristiano Ronaldo, é usada como parâmetro por seu entorno. Mesmo que não atue como titular, o zagueiro é visto como alguém que pode agregar valor ao grupo pela liderança e pelo conhecimento de jogo.
— Infelizmente, esse preconceito da idade existe há muito tempo. Pela forma física em que ele se encontra, além da liderança que exerce, consegue usar atalhos no jogo, não precisa mais daquela correria toda. Seria importantíssimo tê-lo não apenas dentro de campo, mas também fora dele para ajudar nessa reconstrução da seleção brasileira. E ninguém melhor do que um capitão por onde passou. Isso tem um peso enorme — argumenta Júnior, ex-lateral e hoje comentarista da Globo, que foi preterido, aos 40 anos, por Zagallo, coordenador técnico da seleção para a Copa de 1994.
Pessoas próximas a Thiago avaliam que o ciclo de um atleta não pode ser definido por sua idade, somente por seu desempenho. Antes de retornar ao Brasil, o zagueiro abriu mão de propostas de clubes de Inglaterra e Itália para realizar o sonho de atuar novamente pelo Flu.
A estrutura que o cerca é digna de um atleta de elite. Thiago Silva mantém uma rotina intensa de recuperação e prevenção. Após as partidas, realiza tratamentos imediatos e utiliza equipamentos de última geração em sua própria casa. Entre eles, uma câmara hiperbárica, onde dorme por até duas horas, e uma máquina de crioterapia, que atinge 100ºC negativos. Toda essa disciplina é fruto de uma carreira construída com foco no desempenho físico e técnico. O próprio jogador, aliás, define seus limites e controla a carga de esforço para evitar lesões, como fez recentemente.
Mesmo em grande fase, o zagueiro precisaria superar outros obstáculos, aponta o comentarista do Grupo Globo Rodrigo Coutinho:
— A seleção está muito bem servida na zaga. Há jogadores lesionados que poderiam ser titulares, como Éder Militão (Real Madrid) e Gabriel Magalhães (Arsenal). Não vejo a presença do Thiago como imprescindível. Não é que ele não tenha nível, longe disso, mas, se eu fosse o treinador da seleção, daria oportunidade para outros nomes se desenvolverem, pensando no futuro.
Após a readaptação ao futebol brasileiro, Thiago está a um jogo em 2025 de igualar seu número de partidas pelo time no ano passado (20). No entanto, as contusões ainda o perturbam. Além de ter tido um problema na coxa direita, em abril, o zagueiro apresentou dores musculares no fim do jogo contra o Ulsan, da Coreia do Sul, e foi preservado diante do Mamelodi Sundowns, da África do Sul, pela última rodada da fase de grupos.
Na Europa, Thiago contava com uma equipe própria de suporte fora das quatro linhas. Um dos nomes dessa estrutura era Bruno Mazziotti, fisioterapeuta reconhecido no meio esportivo. Essa preparação se estende ao futuro. Em janeiro do ano passado, dois clubes — um da Europa e outro do mundo árabe — demonstraram interesse em ter Thiago como técnico assim que ele se aposentar. Desde então, o zagueiro vem se preparando para a nova função.
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O plano para quando pendurar as chuteiras já está em andamento. Thiago comprou uma casa em Londres, na Inglaterra, e pretende trabalhar na Europa após encerrar a trajetória de atleta. A decisão também considera questões familiares, pois seus filhos atuam nas categorias de base do Chelsea, e ele deseja permanecer próximo. Dentro de campo, o zagueiro segue impactando o elenco do Flu. Companheiros de defesa crescem tecnicamente ao seu lado, resultado da orientação constante que oferece durante as partidas. Ignácio e Freytes já colhem os frutos.
Durante a parada técnica para hidratação no segundo tempo contra a Inter de Milão, Thiago tomou a frente do técnico Renato Gaúcho ao sugerir uma mudança tática para o 5-4-1. Com Arias desgastado fisicamente, o capitão propôs que Everaldo fizesse a recomposição pelo lado esquerdo no lugar do colombiano, que ficaria como único homem no ataque. O treinador chegou a fazer um questionamento sobre o encaixe na marcação, mas demonstrou confiança e respeito ao acatar o pedido do camisa 3.