Após o primeiro turno com resultado mais apertado desde a redemocratização, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) miram abstenções e votos de candidatos que não alcançaram o segundo turno, concentrados principalmente no Sul e no Sudeste. Ambos buscam ampliar suas alianças para manter a liderança, no caso de Flávio, ou obter uma inédita virada no segundo turno presidencial, no caso de Lula.
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Segundo turno: Flávio aposta em governadores eleitos para buscar votos nos estados no segundo turno, enquanto falta de palanques preocupa Lula
Especialistas, porém, projetam dificuldades para os candidatos na tentativa de reduzir abstenções e de herdar votos de nomes que já estão fora da disputa, especialmente em estados nos quais não haverá segundo turno estadual. Para os analistas, Lula só terá chance real de vitória se repetir o fenômeno do segundo turno de 2006, contra Geraldo Alckmin, quando desidratou o oponente após a primeira rodada de votações.
Flávio saiu das urnas com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A diferença equivale a 2,2 milhões de votos. No primeiro turno, 33,4 milhões de pessoas não votaram, e outras 8,7 milhões escolheram Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) ou Ronaldo Caiado (PSD), que somaram 7,3% dos votos.
Margem maior em jogo
Tanto as abstenções quanto o desempenho da terceira via neste ano foram ligeiramente superiores ao registrado em 2022, o que sugere haver uma margem para que Lula e Flávio disputem esses eleitores. Em estados como Pernambuco, Paraná e Rio Grande do Sul, o somatório de Cury, Renan e Caiado fica um ponto percentual acima do obtido por Ciro Gomes e Simone Tebet há quatro anos. O estado que destoa acima da média é Goiás, onde Caiado teve 12% dos votos no primeiro turno.
Rio, São Paulo e Minas, os três maiores colégios eleitorais do país, também aparecem entre os melhores desempenhos da terceira via neste ano, tanto em percentual quanto em votos absolutos. Também foram esses os estados com maiores índices de abstenção, atrás apenas do Mato Grosso do Sul.
O cientista político Antonio Lavareda, presidente de honra da Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (Abrapel), avalia que a abstenção nesses estados, porém, tende a aumentar no segundo turno, por já estarem com disputas resolvidas aos governos estaduais. Na contramão da hipótese de que Flávio tenha crescido devido a um “antipetismo de reta final”, Lavareda avalia que os apoios a Lula e à chamada terceira via é que acabaram caindo, dragados para a abstenção.
— O eleitor mais pobre, que vota mais no Lula, tende a comparecer menos à urna, assim como aquele que vê seu candidato sem nenhuma chance de vencer. E quem votou mesmo assim na terceira via mostrou que tem resistência grande a outros nomes. Na minha avaliação, Lula terá que desgastar a imagem de Flávio nesses eleitores, mas também em quem votou no próprio Flávio, como foi feito em 2006 — avalia Lavareda.
Coordenador do grupo de pesquisa em Comunicação Política e Opinião Pública da UFPR, Emerson Cervi diz que a mobilização do eleitor nem lulista, nem bolsonarista será a chave do segundo turno, mas ressalta que o presidente terá que reconquistá-lo:
— Lula perdeu esses votos do meio para o Flávio no primeiro turno. Esse eleitor é pendular, mas manteve até aqui, de 2022 para 2026, a preferência por quem está na oposição — aponta Cervi.
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