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outubro 6, 2026
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Com voto 'territorializado', dirigentes partidários se destacam entre os deputados mais votados da bancada do Rio

Por · outubro 6, 2026
Com voto 'territorializado', dirigentes partidários se destacam entre os deputados mais votados da bancada do Rio


O ranking dos deputados federais mais votados do Rio registra uma diferença nítida na comparação com São Paulo e Minas Gerais. Se nos outros estados os campeões de voto são quase todos políticos de perfil ideológico, no território fluminense também se destacam dirigentes partidários com redutos consolidados em partes específicas do mapa.
Presidente estadual do PP, Dr. Luizinho foi o líder com 213,9 mil votos. Dentro de Nova Iguaçu, município da Baixada Fluminense que tem como reduto, conseguiu 20% dos sufrágios nominais depositados em todas as centenas de candidatos disponíveis. É como se tivesse um resultado de candidato majoritário, mas numa eleição proporcional.
O exemplo mais sintomático disso, no entanto, é o de Antonio Rueda, presidente nacional e estadual do União Brasil. Pernambucano, ele mudou o domicílio eleitoral para concorrer no Rio com o apoio do grupo de Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo. No município, conseguiu 40% de todos os votos nominais. Os 93,8 mil recebidos por ele dentro da cidade superam, inclusive, os de Eduardo Paes (PSD) na disputa pelo governo, 76,6 mil.
Outro dado relevante sobre a “territorialização” de Rueda, oitavo da lista, mostra que 60% dos 155,8 mil votos que conseguiu foram em Belford Roxo. Ao longo da campanha, quem circulava pela cidade percebia o absoluto predomínio dos materiais dele pelas ruas — sempre de forma casada com Canella, que foi o segundo mais votado do Rio para deputado estadual.
— Na época da fusão entre os antigos estados do Rio e da Guanabara, na década de 1970, tivemos a hegemonia do modelo inaugurado pelo governador Chagas Freitas, baseado na construção de uma rede clientelista não muito conectada com os grandes debates nacionais. Isso é a base da qual partiu esse enraizamento territorial — avalia a cientista política Mayra Goulart, pesquisadora do tema e professora da UFRJ. — No Rio, a ditadura militar foi muito exitosa em ceifar lideranças mais ideológicas e permitiu que essas elites fisiológicas construíssem um patrimônio político profundo.
Também chama atenção Altineu Côrtes, mandachuva do PL. Quinto mais votado do estado, teve 43% dos votos concentrados em São Gonçalo. O vice-presidente da Câmara é padrinho político do primeiro colocado da eleição para governador, Douglas Ruas.
— O Altineu é um caso interessantíssimo. Comanda a maior máquina estadual do PL, a mais enraizada, e combina o discurso ideológico com esse enraizamento, prefeitos, vereadores, a estrutura tradicional. Consegue ser ao mesmo tempo muito sistêmico e ter discurso antissistema — aponta Mayra Goulart.
Altineu Côrtes
Reprodução
Há ainda o quarto colocado no ranking, Luciano Vieira, que assumiu o comando do PSDB estadual este ano. O irmão dele, Léo Vieira, é prefeito de São João Meriti, onde Luciano conseguiu 22% dos sufrágios.
Gutemberg Reis, 11º mais votado do Rio, não é presidente de partido, mas representa o irmão que preside o MDB, Washington Reis. A família tem Duque de Caxias, a maior cidade da Baixada, como base, e 66% dos 145,8 mil votos do deputado saíram de lá.
O curioso é que todos esses dirigentes, com exceção de Altineu, apoiaram Paes na tentativa de conquistar o governo, mas o ex-prefeito da capital não conseguiu vencer nas cidades dominadas por eles. O candidato do PSD dedicou especial atenção à Baixada durante a campanha, com inúmeras carreatas.
Entre os campeões de voto no Rio, além dos caciques partidários, aparecem alguns deputados de “opinião”, como se diz na política. O segundo mais votado foi Rick Azevedo (PSOL), que ganhou fama por ter impulsionado via redes sociais a pauta do fim da escala 6×1. Depois dele, os petistas Lindbergh Farias e Marcelo Freixo vêm em terceiro e sexto, respectivamente, sempre com predomínio na capital.
Nenhum deles, contudo, recebeu mais de 200 mil votos. Enquanto isso, São Paulo e Minas, estados com os quais o Rio encabeça a lista de maiores colégios do país, veem esse perfil de candidato mais ideológico reinar no ranking de mais votados, e com volume maior de sufrágios dado a cada um — embora, por terem mais eleitores que o Rio, seja natural haver um patamar superior.

Com voto 'territorializado', dirigentes partidários se destacam entre os deputados mais votados da bancada do Rio