A terceira fase da Operação Carbono Oculto, realizada nesta manhã, mirou empresários e executivos ligados à investigação sobre a infiltração do crime organizado no setor de combustíveis. Entre os alvos estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, diretor do Banco Genial; seus irmãos, André Tupinambá e Bruno Tupinambá; e o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, dono da Entre Investimentos e personagem das apurações envolvendo o Banco Master.
Segundo o Ministério Público, os investigados teriam criado ou utilizado empresas, fundos de investimento e outras estruturas para assumir o controle da distribuidora e ocultar os verdadeiros responsáveis pelos ativos.
Entre as estruturas citadas na investigação estão os fundos Radford, Derby 44 e Los Angeles 01 e as empresas Berna Holdings e Branson Holdings. Mais de R$ 120 milhões teriam circulado por contas utilizadas como passagem antes de chegar à estrutura de aquisição da Terrana.
A apuração é baseada em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), documentos bancários, informações financeiras e mensagens obtidas em etapas anteriores da investigação.
O Ministério Público aponta Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo, como líderes da organização investigada. Os dois, porém, não estão entre os alvos das buscas desta terceira fase. As buscas são realizadas em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina e Espírito Santo.
A nova etapa, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo e pela Receita Federal, investiga a estrutura financeira e societária utilizada na aquisição da Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., a Terrana. O GLOBO tenta contato com a defesa dos citados, o espaço segue aberto. Veja os alvos:
Humberto Arthur Tupinambá Neto
Humberto Tupinambá é executivo do mercado financeiro e diretor do Banco Genial. Ele ocupa o cargo de diretor da instituição desde 2022, quando sua nomeação foi aprovada pelo Banco Central. Seu nome também aparece na relação de diretores do banco registrada pela autoridade monetária em 2025. Além do Banco Genial, Tupinambá aparece em registros societários ligados a empresas do grupo e a outras companhias. Entre elas estão empresas relacionadas à Genial Energy e à Genial Investimentos.
O executivo é um dos principais alvos da nova etapa da Carbono Oculto. A investigação busca esclarecer o papel de estruturas financeiras e societárias utilizadas na operação de aquisição da Terrana. Segundo o Ministério Público, o esquema teria movimentado mais de R$ 120 milhões por contas e empresas utilizadas como passagem até a estrutura que assumiu a distribuidora.
André Tupinambá
André Tupinambá é irmão de Humberto e também está entre os alvos das buscas realizadas nesta quinta-feira. O nome dele já havia aparecido em apurações relacionadas às empresas Áster e Copape, investigadas em fases anteriores da Carbono Oculto. Informações reunidas na investigação apontam uma relação de André com pessoas ligadas aos negócios que estavam no radar dos investigadores.
Bruno Tupinambá
Bruno Tupinambá é o outro irmão de Humberto e também foi alvo de busca e apreensão nesta quinta-feira. Assim como André, ele aparece entre os investigados por sua relação com o núcleo empresarial alcançado pela operação.
Antonio Carlos Freixo Junior, o Mineiro
Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, é empresário e dono da Entre Investimentos. Ele construiu sua carreira no mercado financeiro e passou por instituições como Banco Nacional, Banco Garantia e Credit Suisse. Depois de deixar o Credit Suisse, Freixo fundou o Grupo Entre, em 2016. Em 2022, passou a comandar a Entrepay, empresa de meios de pagamento. Freixo aparece como diretor da companhia desde fevereiro daquele ano.
Em março de 2026, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial da Entrepay e de outras empresas do conglomerado. A decisão também determinou a indisponibilidade de bens de controladores e ex-administradores. Freixo ganhou notoriedade nos últimos meses por sua relação com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O empresário firmou um acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República no âmbito das investigações sobre o banco.
A colaboração trata, entre outros pontos, de operações financeiras atribuídas a Vorcaro. Entre elas estão transferências para um fundo nos Estados Unidos relacionado ao financiamento de Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Diretor do Banco Genial e empresário ligado a Vorcaro e a Dark Horse: quem são os alvos da 3ª fase da Carbono Oculto
