Virginia Fonseca voltou a falar sobre um problema que já interferiu em sua rotina: a enxaqueca. Nesta semana, a influenciadora contou aos seguidores que teve uma nova crise e chegou a passar mal. Segundo o relato, ela estava há um período sem sentir as dores, mas não havia retornado à consulta de acompanhamento.
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O episódio chamou atenção em meio a uma rotina marcada por viagens, compromissos profissionais e mudanças frequentes de horários. Nos últimos meses, destinos internacionais apareceram com frequência nos registros publicados pela influenciadora. Mas será que viajar pode favorecer o surgimento de uma crise de enxaqueca?
A viagem, por si só, não é necessariamente responsável pelo quadro. O que pode pesar são as alterações de rotina que costumam acompanhá-la. Sono irregular, longos períodos em deslocamento, alimentação fora do horário habitual, menor ingestão de água, cansaço e estresse podem se combinar e favorecer uma crise em quem já tem predisposição.
“Para quem tem enxaqueca, alterações bruscas na rotina podem funcionar como gatilhos. Uma viagem frequentemente envolve dormir e acordar em horários diferentes, passar muitas horas em deslocamento, mudar a alimentação, beber menos água e enfrentar períodos de maior cansaço e estresse. Quando esses fatores se acumulam, podem favorecer uma crise em pessoas predispostas”, explica Marcelo Junqueira, médico com atuação no diagnóstico e tratamento da dor.
A American Migraine Foundation também aponta mudanças no sono e no fuso horário, desidratação, refeições puladas, estresse e excesso de estímulos entre fatores que podem contribuir para as crises. Isso não significa, porém, que exista sempre um único responsável pela dor. Em muitos casos, diferentes circunstâncias se somam até atingir o chamado “limiar” individual para o início dos sintomas.
O problema não é necessariamente o avião
Aeroportos e voos podem alterar justamente alguns hábitos importantes para quem convive com enxaqueca. Uma refeição pode ser adiada por causa do deslocamento, o consumo de café pode aumentar, a ingestão de água pode diminuir e, ao chegar ao destino, a pessoa pode seguir diretamente para compromissos.
Por isso, a recomendação não é deixar de viajar, mas tentar preservar alguns aspectos da rotina sempre que possível.
“O mais importante é tentar preservar alguma regularidade mesmo quando a rotina muda. Sono, hidratação e alimentação não devem ser vistos como detalhes para quem apresenta crises recorrentes. Também é importante conhecer os próprios gatilhos e perceber quais situações costumam anteceder a dor”, orienta Junqueira.
No caso de Virginia, existe ainda um histórico relacionado ao tratamento. A influenciadora já contou anteriormente que faz acompanhamento preventivo para enxaqueca e que, em março, percebeu uma piora das dores depois de atrasar o tratamento.
Virginia Fonseca volta a sofrer com enxaqueca: viagens podem ser gatilho para crises?
Reprodução Instagram
Quais cuidados podem ajudar antes de viajar?
Para quem tem crises recorrentes, alguns cuidados podem ser planejados antes mesmo do embarque. Tentar manter horários de sono próximos dos habituais, evitar longos períodos sem comer, beber água regularmente e levar os medicamentos prescritos pelo médico são medidas que podem facilitar a manutenção da rotina durante o deslocamento.
Em viagens internacionais, a mudança de fuso merece atenção especial, já que pode interferir no sono. Também pode ser útil registrar quando as crises aparecem e quais circunstâncias estavam presentes nos dias anteriores. Anotar informações sobre descanso, alimentação, hidratação, estresse e deslocamentos ajuda a identificar padrões individuais ao longo do tempo.
Mais do que relacionar automaticamente uma viagem ao surgimento da dor, o acompanhamento médico permite observar a frequência e a intensidade das crises e avaliar a necessidade de ajustes no tratamento.
“Quando as crises reaparecem, ficam mais frequentes, mais intensas ou começam a interferir na rotina, é importante reavaliar o quadro. A enxaqueca não deve ser normalizada simplesmente porque a pessoa já está acostumada a sentir dor”, ressalta Junqueira.
Assim, para quem precisa conciliar uma agenda movimentada com episódios de enxaqueca, a questão não é necessariamente evitar viagens, mas reconhecer quais mudanças de rotina podem funcionar como gatilhos e buscar formas de reduzir esse impacto.
Enxaqueca: viagens podem desencadear crises? O caso de Virginia Fonseca reacende a dúvida
