A Grécia voltou a pressionar o Reino Unido nesta quinta-feira pela devolução dos mármores do Partenon, esculturas da Antiguidade que estão no Museu Britânico, em Londres. Em artigo publicado no jornal britânico The Guardian, o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, afirmou que são necessárias “vontade política” e “coragem” para encerrar uma disputa que se arrasta há décadas.
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Mitsotakis defendeu que as esculturas sejam reunidas novamente na Grécia e afirmou que a devolução poderia transformar a controvérsia em um gesto de aproximação cultural entre os dois países.
A disputa envolve peças retiradas do Partenon no início do século XIX por Thomas Bruce, o 7º conde de Elgin, então embaixador britânico junto ao Império Otomano, que controlava a Grécia. Os gregos sustentam que os objetos foram retirados de forma indevida. O Reino Unido afirma que Elgin obteve autorização das autoridades otomanas para remover as esculturas e posteriormente as vendeu ao Museu Britânico.
Uma lei britânica de 1963 impede que o museu se desfaça de parte significativa de seu acervo. A legislação é um dos principais obstáculos jurídicos à restituição permanente dos mármores.
No artigo, Mitsotakis também cita o atual primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, que assumiu o cargo em julho, após a saída de Keir Starmer. Segundo o grego, Burnham havia defendido anteriormente a devolução dos mármores “sem condições”.
Desde que chegou ao poder, porém, Burnham passou a atribuir ao Museu Britânico a responsabilidade por qualquer eventual acordo. Em agosto, em entrevista ao Financial Times, o primeiro-ministro britânico afirmou que a decisão caberia à instituição.
As discussões entre o Museu Britânico e o governo grego sobre um possível acordo começaram em 2021, mas, segundo o jornal The Telegraph, as negociações não avançaram. Procurado pela AFP, um porta-voz do museu não confirmou que as tratativas tenham fracassado.
Na quarta-feira, o Museu Britânico afirmou à agência que sua posição permanece a mesma e que a instituição continua aberta a um acordo.
Os chamados Mármores do Partenon, também conhecidos como Mármores de Elgin, incluem esculturas e elementos arquitetônicos retirados do templo construído na Acrópole de Atenas no século V a.C. Parte do conjunto permanece na Grécia, enquanto outras peças estão no Museu Britânico desde o século XIX.
A restituição de objetos retirados de antigos territórios colonizados ou sob domínio estrangeiro tornou-se uma questão recorrente entre museus europeus e países que reivindicam a devolução de seu patrimônio cultural. No caso dos mármores do Partenon, Atenas sustenta que o conjunto deve ser reunido na Grécia, enquanto o Museu Britânico defende a permanência de sua coleção em Londres.
Grécia volta a pressionar Reino Unido por devolução de mármores do Partenon
