A agenda de diversidade e inclusão, parte dos compromissos das empresas com a agenda ESG (governança ambiental, social e corporativa, na sigla em inglês), avança lentamente nas mineradoras brasileiras, principalmente quando se olha para cargos de comando, num momento em que essa agenda vem sendo desmontada nas empresas americanas, por pressão do presidente americano Donald Trump.
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Atualmente, as mulheres ocupam poucos espaços no setor, enquanto a maioria dos profissionais negros estão em posições operacionais.
O relatório anual da organização Women in Mining Brasil (WIM), que desde 2019 mapeia a participação feminina na mineração, mostra que, em 2024, 90% das 50 empresas associadas afirmaram possuir programas de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI).
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Apesar disso, apenas 22% das vagas do setor eram ocupadas por mulheres. Em 2023, este patamar era de 21%. A WIM Brasil calcula que, neste ritmo, só haverá paridade de gênero na mineração em 2038.
O censo da entidade — com representações em países como Canadá, Peru e Namíbia — é elaborado em parceria com a consultoria EY. Patrícia Procópio, diretora-presidente da organização, diz que o relatório serve como um guia para as empresas sobre “para onde as atenções devem ser direcionadas”.
— Promover equidade de gênero não pode ser algo para marketing, como “greenwashing”, mas medidas de fato transformadoras. E é uma agenda ainda mais urgente no cenário que estamos vendo internacionalmente de desprezo por esses temas como tem acontecido pelo novo governo dos EUA — destaca Patrícia, que também é diretora de Planejamento, Inovação e ESG para a América Latina da Hexagon Mining.
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O mapeamento da entidade mostra que tem aumentado o interesse das mulheres pelo crescimento na carreira. Em 2022, 11% das profissionais passaram por programas de desenvolvimento de liderança no setor. O percentual foi a 24% em 2023 e chegou a 31% no ano passado.
A participação de mulheres em cargos de chefia ainda é baixo. Em vagas de gestão corporativa, elas são 24%. Nos postos de gestão operacional, são 10%. Nos times executivos, são 20%.
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— O tema é relevante para as empresas, existem iniciativas, mas ainda insuficientes. Quem aposta nestas estratégias têm melhores resultados em índices de satisfação, saúde e segurança, e também nos próprios resultados financeiros e operacionais — afirma Patrícia.
A pouca presença de pessoas negras na mineração também preocupa. Camila Silva Chaves, presidente do Quantos, coletivo que atua pela agenda racial na mineração, diz que a participação de profissionais pretos e pardos chega a 65% em algumas empresas, mas concentrada em posições operacionais e técnicas.
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Para o avanço da diversidade racial, ela afirma que as mineradoras precisam dar condição de equidade aos profissionais e capacitar seus RHs para um olhar mais inclusivo, principalmente nos processos para cargos estratégicos.
— As vagas de coordenação, gerência e gestão são um funil. As empresas precisam sair da negação e revisitar o programa de avanços de carreira. Não estamos falando de inclusão de pessoas negras. Elas já estão no setor. O que está impedindo que elas cresçam? — questiona Camila, também analista de Responsabilidade Social da Vale.
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Na Alcoa, dedicada à produção de bauxita, alumina e alumínio, as mulheres são 26% dos trabalhadores, com 33% delas ocupando posições de liderança.
Já profissionais negros ocupam 36% dos cargos de chefia. Em 2024, 86% dos novos empregados são mulheres, pessoas negras, com deficiência ou LGBTQIAP+.
— Para garantir que todos e todas tenham oportunidade de crescimento igualitárias, investimos em recrutamentos afirmativos, formamos grupos de inclusão, desenvolvemos programa de aceleração de carreira. Nossos grupos de inclusão têm o compromisso de construir ambientes plurais e proporcionar segurança psicológica — afirma a gerente de Gestão de Talentos, Paula Domingues, citando medidas como treinamentos sobre equidade e inclusão e auxílio-creche para homens e mulheres.

