Dois navios petroleiros com bandeira indiana, carregados com gás liquefeito de petróleo (GLP) com destino a portos no oeste do país, cruzaram o Estreito de Ormuz, informou o Ministério da Marinha Mercante neste sábado (14). O anúncio ocorre após duas autoridades do governo indianos afirmarem no dia anterior que estavam em negociações com o Irã — que bloqueou a rota havia em meio à guerra com Israel e EUA no Oriente Médio — para que ao menos 23 navios atravessassem a rota.
- Rede xiita: No Iraque, milícias pró-Irã assumem protagonismo em frente paralela da guerra de EUA e Israel contra Teerã
- Vídeo: Iraque suspende operações nos portos de petróleo após novos ataques no Golfo Pérsico
— Eles cruzaram o Estreito de Ormuz em segurança no início da manhã e estão a caminho da Índia — disse Rajesh Kumar Sinha, secretário especial do Ministério de Portos, Marinha Mercante e Hidrovias, em uma coletiva de imprensa em Nova Déli.
Os navios estão retidos no Golfo Pérsico desde o início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, no último dia 28. As forças iranianas afirmaram que qualquer embarcação que pretenda passar pela via marítima deve pedir autorização, sob risco de afundamento.
Teerã praticamente interrompeu o tráfego pela rota marítima desde o lançamento da ofensiva. Por ser responsável por 20% do escoamento do petróleo no mundo, o controle da passagem tem importância estratégica tanto na tática de resistência iraniana quanto nos planos israelense e americano, com seu impacto sendo sentido ao redor do globo.
Na quarta-feira, a Guarda Revolucionária iraniana informou ter bombardeado duas embarcações — um navio-graneleiro de bandeira da Tailândia e um navio de bandeira da Libéria — sob acusação de que seriam propriedade de Israel. Outros relatos afirmavam que ao menos quatro navios foram atingidos no mesmo dia.
O Estreito de Ormuz é o acidente geográfico que divide o Golfo Pérsico do Golfo de Omã. A costa norte é controlada em sua totalidade pelo Irã, enquanto o sultanato de Omã controla a margem sul, quase na fronteira com os Emirados Árabes Unidos. As águas por onde navegam os petroleiros e cargueiros que costumam transitar pela rota — antes do conflito, a média diária era de 129 navios — são consideradas internacionais pelo Direito Internacional e pela ONU.
Embora tenha mais de 30 quilômetros de largura no ponto mais próximo entre as margens norte e sul, a parte transitável para os gigantescos petroleiros e navios de carga que cruzam diariamente Ormuz é consideravelmente menor. As embarcações percorrem dois corredores marítimos definidos, chamados de canais de tráfego, estabelecidos internacionalmente para organizar o fluxo e evitar acidentes.
Cada um dos canais tem apenas três quilômetros de largura, com uma faixa de separação de outros três quilômetros entre eles. Um corredor é usado para entrada e outro para saída do Golfo Pérsico, em um sistema de mão dupla semelhante a uma estrada. Ou seja, todo o tráfego comercial global fica ali, naquele trecho, comprimido em seis quilômetros.
A área reduzida e a previsibilidade sobre o trânsito das embarcações torna toda a região vulnerável às ações iranianas, cujos mísseis e drones são capazes de cortar toda a extensão do Golfo, e que tem a capacidade de instalar minas navais, capazes de avariar severamente e afundar embarcações de uso militar e civil.

