Passar uma escova de cerdas pelo corpo antes do banho se tornou um dos rituais de beleza que ganharam popularidade nas redes sociais. Conhecida como dry brushing, ou escovação a seco, a prática apareceu nas rotinas de autocuidado de celebridades internacionais como Gwyneth Paltrow, Miranda Kerr, Cindy Crawford e Elle Macpherson, além de ter despertado a curiosidade de brasileiras como a modelo e apresentadora Mariana Goldfarb, associada ao hábito.
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A técnica consiste em deslizar uma escova sobre a pele seca, geralmente antes do banho. Entre os benefícios divulgados por quem adere ao ritual estão a remoção de células mortas, a melhora da circulação, o estímulo da drenagem linfática e a redução da sensação de inchaço. Mas, apesar da popularidade entre famosas e nas plataformas digitais, especialistas alertam que a prática não deve ser incorporada automaticamente à rotina de todos.
Segundo o dermatologista Gustavo Saczk, a escovação corporal se aproxima de uma esfoliação mecânica e pode interferir na barreira natural da pele.
“A técnica dry brushing lembra bastante o uso da bucha vegetal. A orientação geral é não utilizar esse tipo de esfoliação. Tanto a bucha quanto a escova podem remover uma camada da pele que não precisa ser retirada. Não é necessário fazer esse tipo de limpeza tão intensa. O mais indicado é tomar banho utilizando sabonete, em barra ou líquido, aplicado apenas com as mãos, sem bucha ou esponja”, explica.
A tendência nas redes não significa indicação para todos
O crescimento do dry brushing acompanha um movimento mais amplo de busca por rituais de beleza compartilhados por celebridades e influenciadores. A associação com nomes conhecidos ajudou a transformar a prática em um hábito desejado por pessoas interessadas em cuidados corporais.
Para especialistas, porém, uma técnica difundida na internet não necessariamente representa uma recomendação universal. A pele possui uma barreira de proteção responsável por ajudar a manter a hidratação e defender o organismo de agentes externos. A fricção frequente pode prejudicar esse equilíbrio.
“O excesso de esfoliação pode provocar uma dermatite e comprometer a barreira de proteção da pele. A gente não precisa retirar constantemente essa camada de proteção. Quando existe uma agressão repetida, a pele pode responder com irritação, vermelhidão, sensibilidade e inflamação”, afirma o dermatologista.
Escovação a seco melhora a circulação?
Um dos principais argumentos usados por defensores da técnica é o suposto estímulo à circulação sanguínea e linfática. A vermelhidão ou sensação de aquecimento após o uso da escova, no entanto, não significa necessariamente um efeito profundo ou permanente.
“O efeito sobre a circulação pode até acontecer, mas tende a ser muito leve e momentâneo. Não é uma técnica capaz de produzir um efeito significativo ou duradouro sobre a circulação. Para pessoas que têm indicação de drenagem linfática, por exemplo, o dry brushing não substitui o procedimento”, esclarece Saczk.
Por isso, sintomas como inchaço frequente, retenção de líquidos ou sensação constante de peso nas pernas não devem ser tratados apenas com a escovação corporal. Essas manifestações podem ter diferentes causas e precisam de avaliação individualizada.
Dry brushing: escovação a seco virou tendência, mas faz bem para a pele?
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Higienização da escova também exige atenção
Além da possível irritação causada pelo atrito, outro ponto de cuidado está relacionado ao próprio instrumento utilizado. Como a escova costuma ser reutilizada, a falta de higienização adequada pode favorecer o acúmulo de microrganismos.
“Como normalmente a escova não é utilizada apenas uma vez, existe o risco de contaminação cruzada. O instrumento pode acumular microrganismos e, quando volta a entrar em contato com a pele, favorecer problemas e infecções. É mais um motivo para não transformar esse tipo de prática em um hábito de rotina”, alerta.
Peles sensíveis precisam de cuidado redobrado
Quem tem pele sensível, tendência a irritações ou condições dermatológicas deve ter atenção maior antes de adotar métodos que envolvem fricção. Mas, segundo o especialista, o cuidado não se restringe a esse grupo.
“A principal contraindicação é para pessoas que têm a pele sensível, justamente porque a fricção pode provocar irritação, inflamação e dermatite. Mas, de maneira geral, quando pensamos no uso contínuo e a longo prazo, a recomendação é evitar a prática, independentemente do tipo de pele”, destaca.
A sensação imediata de pele mais lisa após a escovação está relacionada à retirada de células superficiais, mas não significa necessariamente uma melhora da saúde da pele. Quando realizada em excesso, a técnica pode causar o efeito contrário e deixar a região mais sensibilizada.
Menos procedimentos, mais proteção
Na contramão da busca por novos rituais de beleza, dermatologistas defendem que cuidados básicos continuam sendo fundamentais para preservar a saúde da pele. Higienização adequada, hidratação e proteção são medidas que devem ser adaptadas às necessidades de cada pessoa.
“A pele possui uma barreira de proteção que não precisa ser constantemente removida. Em vez de buscar uma esfoliação agressiva, o ideal é preservar essa barreira e manter uma rotina de higiene e cuidados adequada às necessidades individuais”, conclui.

