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novembro 6, 2026
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'É apenas o começo', diz grupo que reivindica autoria de ameaças de bomba na Europa; 'nova onda' é registrada nesta sexta

Por · novembro 6, 2026
'É apenas o começo', diz grupo que reivindica autoria de ameaças de bomba na Europa; 'nova onda' é registrada nesta sexta


Um grupo que reivindica a autoria de ameaças de bomba registradas nesta semana na Europa enviou mensagens a veículos de comunicação alertando sobre novos ataques contra meios de transporte no continente. “É apenas o começo”, dizia um dos e-mails, segundo relatos de jornais da Bulgária, da Irlanda e do Reino Unido. Nesta sexta-feira (6), uma nova onda de alertas atingiu pelo menos 18 voos em nove países europeus. Todas as aeronaves aterrissaram em segurança, e as inspeções não encontraram explosivos.
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Os novos incidentes afetaram voos com origem ou destino na Bulgária, no Chipre, na República Tcheca, na França, na Hungria, na Itália, em Portugal, na Romênia e no Reino Unido. Também houve uma ameaça contra o aeroporto de Copenhague, na Dinamarca, mas a administração informou que as operações não foram interrompidas.
A sequência de alertas ocorre após ameaças registradas na terça-feira (3) e na quinta-feira (5), que obrigaram pelo menos 35 voos a mudar de rota ou passar por inspeções de segurança. Desde o início da semana, dezenas de aeronaves comerciais e até um navio de cruzeiro foram alvo de avisos semelhantes.
Na sexta-feira, os alertas atingiram pelo menos nove voos com origem ou destino em Praga, quatro aeronaves que sobrevoavam a França, dois aviões a caminho de Sófia e um voo entre Lisboa e Roma. A Hungria chegou a mobilizar caças três vezes para escoltar aeronaves civis em seu espaço aéreo, segundo o ministro da Defesa, Romulusz Ruszin-Szendi.
Na Irlanda, ameaças contra veículos de comunicação provocaram a evacuação de funcionários e buscas policiais em redações e escritórios. A emissora pública RTÉ, em Dublin, retirou os trabalhadores de suas instalações após receber um alerta de bomba. Também foram evacuados funcionários do jornal Irish Independent, das rádios Newstalk e Today FM e do canal Virgin Media. A programação de algumas emissoras foi interrompida.
A britânica Sky informou ter recebido uma ameaça de segurança e comunicado o caso às autoridades. A emissora francesa TF1 também foi citada entre os veículos que receberam alertas.
Irlanda vê provável campanha coordenada
O governo irlandês classificou como provável a existência de uma campanha coordenada de falsas ameaças destinada a provocar perturbações. As autoridades mobilizaram especialistas em segurança e cibersegurança para investigar os episódios.
— Ainda não sabemos se há uma pessoa por trás desta operação ou se é algum tipo de ação coordenada — afirmou o vice-primeiro-ministro da Irlanda, Simon Harris, à rádio Cork 96FM. Ele classificou a situação como grave e em constante evolução.
Saiba mais: Nova onda de ameaças de bomba afeta voos comerciais na Europa e mobiliza caças pela segunda vez na semana
O premiê irlandês, Micheál Martin, também condenou os episódios. Em entrevista à rádio RTÉ, afirmou que as ameaças precisam ser levadas a sério, pois representam uma tentativa de disseminar medo e comprometer o funcionamento da sociedade.
— Isso mostra como pode ser relativamente simples provocar perturbações e comprometer o funcionamento normal da sociedade — declarou.
Suspeita de guerra híbrida
As autoridades europeias investigam se os alertas fazem parte de uma estratégia de desestabilização em meio às tensões geopolíticas envolvendo o continente e ao apoio europeu à Ucrânia na guerra contra a invasão russa.
Até o momento, não há evidências de que as ameaças tenham sido organizadas por um grupo terrorista ou por um Estado estrangeiro, como Rússia ou Irã. As investigações continuam.
Alguns dos alertas enviados na quinta-feira foram assinados em nome dos “combatentes do Estado Masculino”, em referência a um movimento russo de extrema direita, ultranacionalista e misógino, fundado em 2016. Seu fundador, Vladislav Pozdniakov, negou envolvimento e afirmou, em uma publicação no Telegram, que o grupo deixou de existir em 2021.
O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, afirmou que a repetição de incidentes com métodos semelhantes indica um possível padrão.
— Não pode ser mera coincidência que tantos incidentes com exatamente o mesmo modus operandi estejam acontecendo em toda a Europa — declarou à emissora pública TVE.
Para o chanceler, a hipótese mais razoável é a de uma tentativa de agressão híbrida e de guerra psicológica. Ele acrescentou que os países europeus precisam se preparar para novos episódios.

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, também chamou atenção para os ataques contra infraestruturas civis. No início da semana, sistemas de refrigeração de supermercados em pelo menos sete países europeus foram alvo de ataques cibernéticos.
— Não estamos em condições de afirmar se todos esses episódios estão relacionados. Mas todos nos indicam uma mesma realidade: hoje, o que está sob ataque são as infraestruturas civis — afirmou.
A Otan informou que acompanha a situação e mantém contato próximo com os países aliados.
Polícia britânica pede cautela
O chefe da Polícia Metropolitana de Londres, Mark Rowley, defendeu uma resposta equilibrada das autoridades para evitar que mensagens falsas provoquem interrupções desproporcionais.
Em entrevista à BBC Radio 4, ele comparou a situação às ameaças enfrentadas pelo Reino Unido durante a atuação do Exército Republicano Irlandês (IRA), grupo paramilitar que protagonizou décadas de violência no país.
Na época, a polícia usava a expressão “terrorismo de 10 pence” para descrever ligações falsas sobre bombas, feitas de telefones públicos, capazes de paralisar cidades inteiras.
— Teremos que nos adaptar à mesma metodologia para garantir que não reajamos de forma exagerada a cada mensagem que recebemos pela internet — afirmou Rowley
(Com informações de AFP e The Guardian)

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