Circula nas redes sociais uma imagem falsa de uma matéria do jornal O GLOBO que diz que o presidente dos EUA, Donald Trump, teria suspendido a entrada de todos os brasileiros ao país em retaliação à decisão do governo Lula de cancelar o visto de Darren Beattie, assessor do governo americano, que viria ao Brasil visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão. A informação, no entanto, é #FAKE, assim como a imagem da matéria.
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A postagem, que circula nas redes entre perfis ligados ao bolsonarismo, mostra o título e o subtítulo de uma suposta matéria de O GLOBO, assinada pela colunista Miriam Leitão, que teria ido ao ar na sexta-feira. A imagem, no entanto, foi forjada, e a matéria, entitulada “Trump suspende entrada de todos os brasileiros nos EUA”, jamais existiu.
O conteúdo da postagem é enganoso porque, apesar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter de fato proibido a visita de Beattie ao Brasil, ainda não há posição ou manifestação oficial do governo americano em retaliação ao caso.
Ao comentar a não-autorização à visita do assessor americano, o presidente vinculou a medida ao episódio envolvendo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, cuja família teve visto cancelado pelos Estados Unidos no ano passado.
— Aquele cara americano que disse que vinha pra cá, pra visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar e eu o proibi de vir ao Brasil, enquanto não liberar os vistos do ministro da Saúde, que está bloqueado — disse Lula em evento no Rio de Janeiro. Em seguida, acrescentou: — Bloquearam o visto do Padilha, o visto da mulher dele e o visto da filha dele de 10 anos.
A defesa de Bolsonaro havia recebido autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para Beattie visitar o ex-presidente na Papudinha, onde ele cumpre pena por tentativa de golpe de Estado.
Na quinta-feira, porém, Moraes voltou atrás e negou autorização para a visita. A decisão reconsiderou despacho anterior que autorizava o encontro durante a passagem de Beattie pelo Brasil.
Ao rever o caso, Moraes acolheu informações enviadas pelo chanceler Mauro Vieira ao Supremo. No ofício, o ministro informou que o pedido de visto apresentado em Washington mencionava apenas participação no Fórum Brasil-EUA de Minerais Críticos e reuniões com autoridades brasileiras, sem qualquer referência à intenção de visitar Bolsonaro.
Na decisão, Moraes afirmou que a visita não estava vinculada às atividades oficiais indicadas e citou o risco de “indevida ingerência em assuntos internos”, argumento apresentado pelo Itamaraty ao tribunal.
A defesa de Bolsonaro havia pedido autorização para que Beattie pudesse visitá-lo nos dias 16 ou 17 de março, durante sua passagem pelo país. A decisão manteve a regra segundo a qual visitas ao ex-presidente dependem de autorização judicial. Bolsonaro está preso por decisão do Supremo no âmbito das investigações relacionadas à tentativa de golpe após as eleições de 2022.
Segundo informações divulgadas posteriormente, o pedido de agenda diplomática para Darren Beattie ocorreu apenas de última hora. Após Moraes pedir esclarecimentos sobre a viagem e a possível visita ao ex-presidente, a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília solicitou reuniões para o assessor com autoridades do Ministério das Relações Exteriores. O pedido foi feito apenas depois da solicitação de visita a Bolsonaro e sem que houvesse qualquer agenda diplomática previamente comunicada ao Itamaraty.

