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setembro 30, 2026
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Eduardo Bolsonaro diz que estará 'na cola' de diplomatas que teriam 'sabotado' o governo do pai caso Flávio seja eleito

Por · setembro 30, 2026
Eduardo Bolsonaro diz que estará 'na cola' de diplomatas que teriam 'sabotado' o governo do pai caso Flávio seja eleito


O ex-deputado Eduardo Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira que estará “na cola” de diplomatas que, segundo ele, teriam atuado para “sabotar” o governo de seu pai, Jair Bolsonaro, caso seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seja eleito presidente. Em vídeo publicado nas redes sociais, Eduardo disse ter mapeado embaixadores e servidores do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e afirmou que pretende promover mudanças na estrutura do Itamaraty.
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No vídeo, Eduardo reproduz um áudio atribuído à lobista Roberta Luchsinger, no qual ela estaria conversando com o embaixador do Brasil na Espanha sobre a mudança de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, para Madri. Na gravação, Luchsinger menciona a chegada do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Espanha e a organização da casa onde ele ficaria. Depois de exibir o áudio, Eduardo questionou a atuação da representação diplomática brasileira na Espanha e comparou o tratamento dado a Lulinha ao que recebeu quando deixou o Brasil e se mudou para os Estados Unidos.
“O embaixador (do Brasil) na Espanha estava ajeitando a casa para ver os gostos do Lulinha para recebê-lo na Espanha, depois do Lulinha fugir da justiça brasileira, porque ele estava sendo investigado pelo sumiço de R$ 6 bilhões que o governo do PT, essa quadrilha que voltou à cena do crime, roubou de aposentados e pensionistas do INSS. O pessoal do 8 de Janeiro, que teve que sair às pressas, chegando na Argentina com uma mão na frente e outra atrás, fugindo de uma perseguição, uma cadeia injusta que o Moraes queria colocar em cima delas. Essas pessoas não tiveram a recepção do embaixador”, afirma Eduardo no vídeo.
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A afirmação de Eduardo sobre a atuação do embaixador se refere a Luiz Alberto Figueiredo Machado, diplomata de carreira e ex-ministro das Relações Exteriores. Ele foi nomeado em 2025 para comandar a Embaixada do Brasil em Madri, com aprovação do Senado, e permanece no posto. Na sequência, Eduardo afirmou que Figueiredo seria um dos primeiros diplomatas a deixar o cargo em um eventual governo de Flávio.
“É por isso que, Flávio Bolsonaro sendo eleito, certamente, um dos primeiros a saírem do posto será o embaixador do Brasil na Espanha. Para dar o exemplo de que isso aí não acontecerá.”
Eduardo disse ainda que vem levantando informações sobre a movimentação de diplomatas durante a transição entre os governos Jair Bolsonaro e Lula.
“E digo mais, eu tive o trabalho pessoal de mapear todos os embaixadores e diplomatas do MRE. Quem saiu de tal posto, foi para outro país. Quem o Lula, logo no começo da transição, pediu para que arrumassem as malas às pressas, dando uma semana de prazo para certos embaixadores saírem de determinados países e retornarem para o Brasil. Pouco se importando se eles têm filhos em escolas no exterior, ou como estaria a vida deles.”
A ideia, segundo o ex-deputado, seria impedir que servidores do Itamaraty voltassem a atuar contra as orientações de um eventual governo de Flávio. Ele afirmou que pretende cobrar dos diplomatas que, em sua avaliação, tenham agido dessa maneira durante o governo de seu pai.
“Então, meu caro servidor do Itamaraty, que ajudou a sabotar o governo Bolsonaro, preocupe-se de verdade porque eu vou estar na sua cola. Se você não fez isso, parabéns. Você fará parte do time que irá resgatar a credibilidade do Itamaraty. Que vai virar a página de serem servidores de corruptos e filhos de corruptos para passar a servir o povo Brasileiro”, afirmou.
A acusação de que diplomatas atuaram para conter ou contornar decisões do governo Bolsonaro remete a reportagens do jornalista Jamil Chade. Em 2022, o então colunista do UOL revelou a existência de uma rede clandestina de diplomatas que, segundo relatos obtidos com servidores e embaixadores, teria atuado durante o governo Bolsonaro para reduzir crises diplomáticas e preservar a credibilidade do país. Entre as práticas relatadas estavam contatos reservados com governos estrangeiros, vazamento de informações e redução do ritmo de implementação de determinadas orientações do governo.
Em outra reportagem, publicada em 2024, Chade relatou que diplomatas também teriam atuado nos bastidores para preservar a realização das eleições de 2022 e evitar que o governo Bolsonaro produzisse uma crise diplomática em torno das urnas eletrônicas. Segundo a reportagem, o Itamaraty não enviou convites a embaixadas estrangeiras para a reunião convocada por Bolsonaro com representantes de outros países e tentou convencer o então presidente a não realizar o encontro. É a esse material que Eduardo faz referência no vídeo.
“Eles ficaram tão à vontade que colocaram isso na matéria do Jamil Chade de maneira heroica”, ressaltou Eduardo no vídeo.
O ex-deputado, de acordo com o colunista Lauro Jardim, tem dito a interlocutores que pretende comandar o Ministério das Relações Exteriores caso o irmão seja eleito.
A atuação de Eduardo nos Estados Unidos já provoca preocupação entre aliados de Flávio. O ex-deputado tem defendido novas sanções americanas contra autoridades brasileiras e mantém pressão em Washington contra ministros do Supremo Tribunal Federal. A avaliação de integrantes do entorno de Flávio é que uma nova rodada de medidas poderia voltar a associar a candidatura ao governo Donald Trump e reabrir o desgaste provocado pelo tarifaço.
Em setembro, a Primeira Turma do STF manteve, por unanimidade, a condenação de Eduardo a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo. Segundo a decisão, o ex-deputado articulou nos Estados Unidos medidas de pressão contra autoridades brasileiras, incluindo sanções econômicas, com o objetivo de interferir no processo envolvendo seu pai.
Eduardo vive nos Estados Unidos desde março de 2025. Após se licenciar do mandato de deputado federal, permaneceu no país e passou a acumular faltas na Câmara. Em dezembro daquele ano, perdeu o mandato por excesso de ausências.

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