Após anos de inflexão, isolamento e ameaças, o novo presidente sul-coreano, que será escolhido na eleição desta terça-feira, terá diante de si um regime norte-coreano mais hostil e com novos aliados estratégicos — em especial a Rússia — quando assumir o poder. E as propostas dos candidatos não poderiam ser mais distintas.
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Lee Jae-myung segue a tradição dos progressistas de buscar um caminho de diálogo com Pyongyang, com o restabelecimento de acordos , como o firmado em 2018 por Moon Jae-in, que reduziu o risco de “acidentes” entre as forças na fronteira. O plano foi abandonado por Yoon Suk-yeol, em meio a tensões envolvendo o lançamento de balões com lixo vindos do norte.
Lee, contudo, reconhece que uma reunião com Kim Jong-un , embora necessária, é improvável em um futuro próximo. No ano passado, os norte-coreanos abandonaram as políticas de reunificação e declararam a Coreia do Sul um “Estado hostil”.
Kim Moon-soo, por sua vez, defende a continuidade da política de enfrentamento de Yoon Suk-yeol. Seu plano de governo não menciona a possibilidade de diálogo com Pyongyang, mas sim mira no aumento da capacidade militar de Seul. Isso inclui acenos ao retorno das armas nucleares dos EUA, removidas em 1991, sem rejeitar um discurso que ganha força entre os conservadores: o do desenvolvimento local de um arsenal atômico. Analistas apontam para a ausência da palavra “desnuclearização” em suas propostas de segurança regional.
Durante a campanha, o candidato do PPP apontou abusos cometidos pelo regime contra a própria população, e prometeu buscar uma “reunificação baseada na liberdade”, refletindo um plano apresentado por Yoon em 2024 mas que jamais saiu do papel.
Pyongyang não fez comentários sobre a eleição, mas logo após a decretação da lei marcial, no ano passado, disse que o ex-presidente tentou criar uma “ditadura fascista”.

