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novembro 3, 2026
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Eleições nos EUA: Impulsionada por jovens e negros, onda azul pode chegar com um terremoto e assusta republicanos

Por · novembro 3, 2026
Eleições nos EUA: Impulsionada por jovens e negros, onda azul pode chegar com um terremoto e assusta republicanos


Uma das imagens definitivas das eleições desta terça-feira nos Estados Unidos será a marcha de estudantes negros e latinos em estados do Sul e do Oeste do país, unidos pelo slogan “tirem as mãos dos meus votos”. Caminharam quilômetros a fio rumo aos locais de votação mais próximos, em média a uma hora dos alojamentos universitários. Fizeram-no logo nos primeiros dias de votação antecipada, pois estavam ávidos para votar. A primeira manifestação foi registrada na Carolina do Norte. Cientes do senso comum que classifica sua geração como individualista e alienada, destacaram nas redes sociais o comparecimento em massa aos protestos. Viralizaram.
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“Muitos se juntaram ao sacarem que as marchas transmitem a mensagem de que, apesar de terem dificultado como puderam, ainda assim exerceremos nosso direito ao voto, pelo qual nossos antepassados tanto lutaram. Este ano, nada nos impediria de votar”, afirmou a estudante de Ciência Política Dihanna Williams ao jornal britânico The Guardian.
Uma das medidas do Trump 2.0 para restringir o voto das minorias, que tende aos progressistas, foi a paulatina eliminação — ordenada aos governos estaduais republicanos — de postos de votação em universidades como a de Dihanna, cujas seções datam da luta pelos direitos civis. Outras iniciativas, ainda mais escandalosas, incluíram o redesenho dos distritos eleitorais, que ameaça reduzir acentuadamente a representação dos negros no Sul, marcado pela escravização e a segregação. E o desmantelamento das iniciativas públicas de proteção ao voto das minorias implantada no governo Lyndon Johnson nos anos 1960, que a Casa Branca argumenta não serem mais necessárias.
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Balela. A revista Mother Jones informou que, em média, estudantes negros e latinos, quase todos sem carro, pagam US$ 30 (R$ 165) para uma corrida de aplicativo até a urna mais próxima. Ou andam entre 45 minutos e 1h15 a áreas nobres das cidades mais próximas. O Fair Elections Center mostrou que, após o Trump 1.0, apenas 25% dos institutos de ensino superior mantinham postos de votação. Nos últimos dois anos, estados comandados pelos republicanos eliminaram os que ainda restavam.
Esta coluna foi fechada antes de a apuração confirmar se a onda azul, referência à cor do Partido Democrata, desceu sobre os Estados Unidos com a força prevista pelas pesquisas. Mesmo sem os resultados, já é possível constatar a vitalidade de uma democracia golpeada de forma inédita na última década pelo trumpismo. De forma reservada, estrategistas da oposição têm inclusive ruminado sobre o que pode se revelar um dos maiores fenômenos do pleito: o comparecimento recorde de eleitores negros, como Dihanna, às urnas.
O senador Raphael Warnock, da Geórgia, pastor que comandou a mesma igreja batista que teve à frente Martin Luther King Jr., vem percorrendo os estados do Sul e do Oeste, ao lado de ativistas organizados em modelo iniciado há duas décadas para levar Barack Obama à Presidência. É a figura mais destacada da reação ao asfixiamento da representação democrática do estrato no momento em que a alta do custo de vida os atinge de forma desproporcional. Se bem-sucedido, crê, o esforço concentrado nas Carolinas, no Mississippi e na Louisiana não só manterá a representação dos negros na região como afetará a sucessão de Trump em 2028. De proporções bíblicas, as urnas de ontem trariam, além da onda, um terremoto.

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