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novembro 3, 2026
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Tesouro projeta dívida perto de 90% do PIB em 2030 e diz que queda sustentada depende de reformas

Por · novembro 3, 2026
Tesouro projeta dívida perto de 90% do PIB em 2030 e diz que queda sustentada depende de reformas


A dívida bruta do governo geral deve subir ano a ano até 2030, quando chegará a 89,7% do Produto Interno Bruto (PIB), e a redução sustentada desse endividamento depende da continuidade de reformas, sobretudo as que promovam ajuste nas contas públicas. A avaliação está no Relatório de Riscos Fiscais da União de 2026, elaborado pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN) e divulgado nesta terça-feira.
O Tesouro calcula que a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) — que reúne o endividamento dos governos federal, estaduais e municipais e é o indicador mais usado em comparações internacionais — fechará 2026 em 83,7% do PIB, alta de 5,1 pontos percentuais sobre os 78,6% do fim de 2025. A relação subiria para 86,5% em 2027, 88,4% em 2028 e 89,6% em 2029, até o pico de 2030. Depois, recuaria devagar, para 86,3% em 2036, último ano da projeção.
No documento, o órgão afirma que “a redução sustentada da dívida/PIB no médio prazo depende da continuidade de reformas que melhorem o ambiente de negócios e maior crescimento do PIB, com destaque para aquelas que promovam a consolidação fiscal”. Pelos números do próprio Tesouro, todo o próximo mandato presidencial, de 2027 a 2030, transcorreria com a dívida em alta.
O principal motor da alta é a conta de juros. Entre 2026 e 2030, os juros devem acrescentar, em média, 8,4 pontos percentuais do PIB à dívida bruta por ano. O crescimento nominal da economia abateria 6 pontos anuais: 2,1 pelo avanço real do PIB e 3,9 pelo efeito da inflação. Só em 2026, os juros respondem por 9,3 pontos de aumento.
No pior cenário, dívida passa de 100% do PIB
O relatório também simula o que acontece se as premissas falharem. O Tesouro aplicou choques ao crescimento do PIB (meio ponto percentual a mais ou a menos por ano), aos juros (um ponto) e ao resultado primário (0,5% do PIB por ano). Os choques valem a partir de 2027 — no caso dos juros, desde a reunião de novembro do Comitê de Política Monetária (Copom).
Na combinação adversa — déficits maiores, crescimento menor e juros mais altos —, a dívida bruta chegaria a 96,3% do PIB em 2030, passaria de 100% em 2033 e alcançaria 103,4% em 2036, 17,1 pontos acima do cenário central. Na combinação favorável, recuaria a 71,3% em 2036, 15 pontos abaixo.
Isoladamente, o resultado das contas já muda o quadro em mais de dez pontos: meio ponto do PIB a mais de superávit por ano levaria a dívida a 81,1% em 2036; meio ponto a menos, a 91,5%. O Tesouro ressalta que os choques tendem a andar juntos.
Projeção piorou desde abril
A trajetória é pior que a apresentada em abril, no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027, que previa pico de 87,8% do PIB em 2029 e 83,4% em 2036. O relatório usa a atualização de setembro do cenário do Anexo de Riscos Fiscais da LDO, revisão que já havia aparecido nas informações complementares do projeto de Orçamento de 2027.
Em informativo de abril sobre o projeto da LDO, as consultorias de Orçamento da Câmara e do Senado já haviam apontado que as metas de superávit do governo central — de 0,5% do PIB em 2027 a 1,25% em 2029 — seriam insuficientes para estabilizar a dívida no curto prazo, mesmo com crescimento de cerca de 2,6% ao ano e juros em queda.
O relatório lista ainda pressões sobre a despesa. Em 2025, 51,9% dos gastos primários cresceram por influência direta da inflação e do salário mínimo. Cada R$ 1 de aumento no mínimo eleva as despesas do governo central em R$ 413,2 milhões em 2027.
O pagamento de sentenças judiciais passou de 2,5% da despesa primária em 2017 para 4,6% previstos em 2026, ou R$ 121,3 bilhões. O estoque de ações contra a União com risco provável ou possível de perda somava R$ 2,19 trilhões em junho.
O envelhecimento da população elevaria despesas selecionadas de saúde em R$ 22 bilhões em 2036, compensados só em parte por uma economia de R$ 4,3 bilhões em educação. Nas estatais, o projeto de Orçamento de 2027 prevê aporte de R$ 6 bilhões nos Correios, e o Tesouro classifica como possível o risco de novos aportes emergenciais.

Tesouro projeta dívida perto de 90% do PIB em 2030 e diz que queda sustentada depende de reformas