A Ambipar, grupo de serviços de gestão ambiental que pediu recuperação judicial anteontem com uma dívida que supera R$ 10 bilhões, está entre os fornecedores da Petrobras nos trabalhos de perfuração do poço exploratório no bloco FZA-M-059, na Margem Equatorial brasileira.
A estatal recebeu ontem aval do Ibama para iniciar os trabalhos, após cinco anos de processo de licenciamento.
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“Iniciamos os preparativos para estabelecer uma rede de proteção ambiental preventiva, com bases de defesa ambiental entre Pará e Amapá, para permitir a atuação responsável para o segmento de óleo e gás na Margem Equatorial, no Norte do Brasil”, diz o comunicado de resultados da Ambipar do segundo trimestre de 2025.
A Petrobras afirmou ter um contrato com o grupo, de serviços de atendimento veterinário à fauna de Belém, que é uma das estruturas de apoio às atividades na Margem Equatorial.
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Segundo uma pessoa próxima da Ambipar, a Petrobras está entre os maiores clientes do grupo no Brasil, integrando uma carteira que conta com outras grandes empresas de setores como aviação, mineração e papel e celulose. Vale, Klabin, Suzano, Embraer, Gerdau e CSN estão entre elas, segundo informações públicas.
A Ambipar cresceu a reboque da definição e da expansão de metas de sustentabilidade, descarbonização e redução de impacto das companhias, oferecendo soluções combinadas de serviços em todas essas frentes, da prevenção à remediação.
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Os serviços para o setor de óleo e gás são o que justifica, de acordo com as petições elaboradas pelo advogados da companhia, que o pedido de proteção feito à Justiça tenha sido iniciado no Rio de Janeiro, ao invés de na capital paulista, ponto que vem sendo questionado por credores da Ambipar.
O argumento para isso é que a capital fluminense — que concentra 70% da indústria de óleo e gás do país — responde por um lucro quase oito vezes maior que o aferido na cidade de São Paulo nos últimos 12 meses. Em faturamento, foram mais de R$ 300 milhões em território carioca, contra R$ 70 milhões em São Paulo e R$ 1,67 milhão em Nova Odessa, onde está a sede do Grupo Ambipar.
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A Petrobras afirmou, em nota, que a Ambipar é um dos fornecedores da estatal nas atividades de meio ambiente, havendo diversos outros capacitados para prestação dos serviços. Após o pedido de recuperação judicial da companhia, a estatal disse que está acompanhando o caso de perto com a Ambipar, avaliando os próximos passos da empresa, que alega que não terá impacto operacional. “Caso haja algum risco de interrupção dos serviços prestados, iremos proceder com as tratativas contratuais. O mercado tem capacidade de absorver a demanda, caso necessário”, diz a Petrobras.
Procurada, a Ambipar não respondeu até o fechamento desta reportagem.
O Grupo Ambipar entrou com pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça do Rio anteontem, pouco antes da meia-noite, e voltou a chamar a atenção do mercado financeiro para sua crise financeira. Mas muita gente que tem visto a empresa no noticiário não entende bem o que ela faz. Afinal, o que é a Ambipar?
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Criada há 30 anos, a Ambipar é uma companhia brasileira de gestão ambiental que está presente em mais de 40 países. Trabalha com soluções ambientais em áreas como projetos de descarbonização, economia circular, transição energética e regeneração ambiental. Também atua na recuperação de resíduos e respostas a emergências ambientais, atendendo grandes companhias de petróleo.
O grupo tem dois braços de atuação. Um deles é a Ambipar Environment, que presta serviços de transformação ecológica para empresas, como redução do uso de água e outros recursos, reciclagem, tratamento e destinação de resíduos, além de projetos para redução de emissões de gases do efeito estufa.
O outro é a Ambipar Response, de atuação global, focada em prevenir, gerir e responder a emergências ambientais. Ela trabalha com pesquisa e relatórios de impacto ambiental e licenciamento, serviços de transporte e logística de apoio ao setor de óleo e gás a contenção de derramamento de petróleo. Tem 642 bases em 41 países. Entre os clientes estão Petrobras, Klabin, Natura e Vale.
O grupo, que reúne mais de 280 empresas, afirma pagar cerca de R$ 500 milhões em tributos ao ano e gerar 23 mil empregos diretos.
Embora vista há pouco tempo como uma multinacional brasileira promissora, a companhia teve de recorrer recentemente à proteção judicial depois que o Deutsche Bank fez cobrança de garantias vinculadas a um empréstimo de US$ 35 milhões contratado em setembro e que poderia, segundo a companhia, funcionar como gatilho para a antecipação de até R$ 10 bilhões em débitos com instituições financeiras. Anteontem, pediu recuperação judicial somando dívidas de R$ 10,48 bilhões,
No ano, as ações da Ambipar acumulam perda de nada menos que 96,8%. Só ontem, os papéis caíram 29% e estão cotados a R$ 0,41. No mercado, um dos principais questionamentos em torno da situação da Ambipar é o fato de que a companhia registrava um caixa no valor de R$ 4,7 bilhões ao fim do segundo trimestre.
Um dos braços de atuação da Ambipar, a Ambipar Emergency Response, pediu, na segunda-feira, ingresso no Chapter 11 — equivalente nos EUA à recuperação judicial no Brasil — na divisão da Corte de Falências dos EUA no Texas.

