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outubro 12, 2026
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Em dia de Nossa Senhora, Lula e Flávio vão a celebrações em Brasília, e politização divide romeiros em Aparecida

Por · outubro 12, 2026
Em dia de Nossa Senhora, Lula e Flávio vão a celebrações em Brasília, e politização divide romeiros em Aparecida


Após a polêmica envolvendo a imagem de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, marcar o primeiro turno das eleições, os dois candidatos à Presidência que seguem na disputa participaram ontem de missas no dia dedicado à santa. Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve em uma celebração na capela do Palácio da Alvorada, seu adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL), foi à Catedral Metropolitana de Brasília. Já no Santuário Nacional de Aparecida, no interior de São Paulo, fiéis se dividiram sobre a politização da data.
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Lula é católico e convidou um grupo restrito para acompanhar a missa, celebrada pelo padre jesuíta Álvaro Pimentel. Estavam presentes o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), a ministra da Cultura, Margareth Menezes, e o senador Camilo Santana (PT-CE).
— Recebemos aqui para homenagear a Nossa Senhora Aparecida, sobretudo num instante que Nossa Senhora Aparecida é ofendida por alguns religiosos que não querem respeitar a religião dos outros. Esse gesto é para poder mostrar que, em um país civilizado, harmônico, democrático, cada um segue a religião que quiser e todos nós temos de respeitar — disse o presidente após a missa.
Geraldo Alckmin participa de celebração no Santuário Nacional de Aparecida
Pablo Porciuncula/AFP
Já Flávio, que é evangélico e foi batizado em 2024, participou de uma missa na Catedral de Brasília acompanhado da esposa, Fernanda, e do candidato a vice em sua chapa, Alfredo Gaspar, que é católico. A cerimônia religiosa foi celebrada pelo padre Agenor Vieira, pároco da catedral.
O senador se sentou na primeira fileira, acompanhou trechos da missa pelo folheto litúrgico e cantou junto em alguns momentos. Parte dos assentos em frente ao altar foi reservada para autoridades e políticos que acompanharam a comitiva. Entre os aliados do candidato presentes estavam a senadora eleita Bia Kicis (PL-DF), o deputado Izalci Lucas (PL-DF) e Daniella Marques, coordenadora da área econômica da campanha, além de familiares. A deputada federal Simone Marquetto (MDB-SP), que chegou a ser cotada para a vaga de vice na chapa de Flávio, entrou na catedral carregando uma imagem de Nossa Senhora Aparecida.
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Título de padroeira
Flávio chegou a cogitar uma visita ao Santuário Nacional de Aparecida, no interior paulista, mas desistiu da ideia diante do risco de reavivar a polêmica envolvendo a padroeira na campanha. Em setembro, o senador precisou rebater a alegação de que pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira.
Alfredo Gaspar, vice da chapa de Flávio, acompanhou a cerimônia junto ao senador
Brenno Carvalho
O senador, que nega intenção de adotar a medida se eleito, foi associado a um projeto apresentado no Congresso em 2007 que propunha restringir o título de padroeira aos brasileiros católicos e acabou arquivado em 2008. Impulsionado nas redes sociais, o tema foi parar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que determinou a remoção de publicações sobre o assunto.
No Santuário Nacional de Aparecida, a missa solene celebrada ontem pelo arcebispo Dom Mário Antonio da Silva fez um apelo à pacificação:
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— Jesus manda construir a paz, uma paz desarmada e desarmante. Mas muitas vezes alimentamos divisões com armamentos, guerras e tantos confrontos entre nós. O evangelho não nos autoriza a odiar quem pensa diferente e nem a matar os inimigos. O evangelho nos autoriza a construir pontes.
A missa contou com a participação do vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), e de sua mulher, Lu Alckmin, além da deputada federal Tabata Amaral (PSB) e do marido, o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT).
Fiel com o boné do PT no Santuário de Aparecida
Maria Isabel Oliveira
A passagem de figuras públicas pela basílica é uma tradição na política nacional. O ex-presidente Jair Bolsonaro foi ao complexo religioso em pelo menos três ocasiões nos últimos anos, incluindo feriados da padroeira. Em disputas anteriores, José Serra, Dilma Rousseff, Fernando Haddad e Ciro Gomes também incluíram o destino no Vale do Paraíba em suas rotas de campanha.
Alckmin foi festejado por apoiadores do petista que se concentraram em uma das saídas da basílica. Eles entoaram gritos de ordem e em defesa da reeleição do presidente. No momento em que o vice começou a descer as escadas, vaias se misturaram a aplausos e cânticos favoráveis ao presidente, que prevaleceram. Ao deixar a basílica, Alckmin defendeu a liberdade religiosa:
— Defendemos a liberdade religiosa. Cada um pode ter a sua religião, deve respeitar a religião dos outros, até quem não tem religião. Então essa é a beleza, o Brasil é um país de paz — disse. — Ano passado não teve eleição e estávamos aqui, ano que vem não terá eleição e estaremos aqui.
Manifestação silenciosa
No templo, a transformação de Nossa Senhora Aparecida em alvo de disputa narrativa das eleições não passou despercebida pelos devotos que lotaram a basílica. O ambiente foi de tranquilidade, marcado por demonstrações políticas silenciosas e isoladas, com alguns vestindo camisa do Brasil e outros com peças vermelhas.
Fiel escolheu roupa para apoiar bolsonarismo em missa no Santuário de Aparecida
Maria Isabel Oliveira
O romeiro Wallace Ribeiro Santoro Vidal, de Guaratinguetá (SP), fez questão de comparecer à basílica vestindo a camisa da seleção como forma de manifestação política. Ele diz que as acusações contra Flávio foram uma narrativa fabricada pela esquerda para jogar a maioria católica contra os conservadores.
— Não se deveria usar a fé e a religião para mentir, ganhar voto ou jogar o povo católico contra um político. Criaram uma narrativa, que nunca existiu, de que iriam fechar igrejas ou tirar o título de Nossa Senhora Aparecida por causa da religião dele — afirmou.
Já João França saiu da vizinha Pindamonhangaba para fazer a romaria vestindo uma camisa em apoio a Lula. Apesar de pregar a liberdade religiosa e a manifestação pacífica, ele relatou ter sido hostilizado assim que pisou na basílica, recebendo gritos de ofensa de outros frequentadores:
— A gente que se identifica como de esquerda é constantemente atacado. São ataques realmente de ódio, de baixo calão, pessoas dizendo que queriam que a gente morresse porque a gente discorda deles. Isso mostra o quanto o país e a democracia estão doentes, o Brasil não respeita a liberdade de manifestação individual.
A fadiga com a politização virou alvo de católicos que trabalham na estrutura do evento. A voluntária Ana Maria Soares Silva vê a polêmica eleitoral sobre Nossa Senhora como sinal de desespero da esquerda ancorado em “desinformação para rachar a sociedade”.
— Eu entendi tudo que aconteceu como fake news do Lula, porque não existe candidato no mundo que vá querer entrar numa treta com uma imagem nacional — criticou.
Eleitora histórica do PT, Maria Conceição de Moraes, de 70 anos, contou que esconde o voto dos filhos, mas que decidiu vestir vermelho para a missa após o episódio envolvendo a padroeira:
— Não devia nem existir essa mistura de religiosidade com política, porque às vezes a Igreja fala uma coisa, o povo interpreta outra, e aí surgem essas polêmicas. De 1 a 10, eu daria nota 4 para tudo isso nesta eleição, não foi positivo nem mesmo para o meu candidato.

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