Após um fim de semana marcado por intensas trocas de tiros em diferentes pontos da Zona Norte, a semana começou com moradores de pelo menos cinco comunidades acuados por confrontos. A Polícia Militar apreendeu sete fuzis, duas pistolas e 11 granadas, além de ter prendido 14 suspeitos, em operações nas favelas da Primavera, em Cavalcante, e da Serrinha, em Madureira, no Complexo da Pedreira, em Costa Barros, e na Vila Norma, em São João de Meriti.
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— Essas operações representam um esforço estratégico e diário da Polícia Militar para enfraquecer e combater organizações criminosas que promovem violência e ameaçam a rotina da população. Neste ano, somente os policiais militares já apreenderam mais de 360 fuzis, utilizados por criminosos para dominar territórios e aterrorizar a sociedade — afirmou o secretário de Estado de Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes Nogueira.
No Morro dos Macacos, em Vila Isabel, onde o Comando Vermelho e o Terceiro Comando Puro disputam o território há anos, a guerra se intensificou nos últimos dias. Ontem, houve nova troca de tiros, e nove escolas fecharam as portas. O atendimento numa clínica da família também foi prejudicado.
Na última sexta-feira, o Batalhão de Operações Policiais (Bope) fez uma operação na favela. Moradores relataram que foram “horas” de tiroteio. No conflito travado pelos dois lados armados com fuzis, o traficante Pedro Paulo Lucas Adriano do Nascimento, o Titauro, que seria um dos chefes do Comando Vermelho na região, foi baleado e morreu. Cerca de 12 horas depois, novos confrontos voltaram a assustar a população. Uma equipe da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da comunidade foi atacada por traficantes, mas desta vez não houve prisões ou feridos.
Ontem, no Complexo da Pedreira, equipes do 41º BPM (Irajá) apreenderam cinco fuzis, uma pistola e uma granada. Um ônibus foi sequestrado e atravessado na pista para impedir o avanço dos policiais. O intenso tiroteio levou ao fechamento de 11 escolas públicas e de três unidades de saúde. O Rio Ônibus, sindicato que reúne as empresas, informou que este ano 68 coletivos foram roubados para serem usados como barricadas.
Na Serrinha, em Madureira, um suspeito foi baleado e levado para o Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes, mas não resistiu. Policiais do Batalhão de Choque apreenderam dez granadas de fabricação caseira e certa quantidade de droga não contabilizada. Em outro ponto, o Batalhão de Ação com Cães encontrou 17 tabletes de drogas, com apoio dos cães farejadores.
No mesmo horário, policiais do 9º BPM (Rocha Miranda) fizeram uma operação na comunidade da Primavera, em Cavalcante, vizinha à Serrinha. De acordo com a PM, o policiamento foi reforçado na região, onde moradores contam que os tiroteios e as balas traçantes se tornaram uma rotina.
Outra guerra na região também aterroriza a população, que relatou intensas trocas de tiros de sexta até domingo no Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho. Por lá, os confrontos acontecem há pelo menos seis meses, com traficantes do CV e do Terceiro Comando Puro (TCP) numa disputa pelo controle da favela. A guerra entre as duas facções também tira a tranquilidade de quem vive no Morro do Fubá, no Campinho, há pelo menos dois anos.
Embora não tenha registrado confrontos neste fim de semana, o Complexo de Israel — formado pelas favelas de Parada de Lucas, Vigário Geral, Cidade Alta, Cinco Bocas e Pica-Pau, na Zona Norte — é uma região onde também impera o poder dos fuzis do tráfico. Qualquer operação policial no conjunto de comunidades leva ao fechamento da Avenida Brasil e da Linha Amarela, porque a estratégia dos traficantes tem sido atirar a esmo, o que tem feito vítimas a mais de um quilômetro distância.