Passando por um processo de recuperação extrajudicial, a Oncoclínicas encerrou o segundo trimestre com prejuízo líquido R$ 475,7 milhões, um aumento de quase 235% na comparação com o mesmo período do ano passado.
O tíquete médio dos tramentos subiu em 9,5%, o que não foi suficiente para compensar a redução no volume de pacientes atendidos pela rede de clínicas de tratamento oncológico. Foram 114 mil procedimentos realizados entre abril e junho, contra 169 mil no mesmo período do ano anterior.
Segundo a empresa, houve interrupção nos atendimentos a usuários de planos de saúde graças a “negociações comerciais não favoráveis”.
O endividamento da companhia também preocupa. A dívida líquita da Oncoclínicas alcançou R$ 3,4 bilhões no trimestre, e é de origem principalmente financeira, concentrada em debêntures e certificados de recebíveis imobiliários (CRIs).
No relatório de resultados, a companhia destaca que o principal objetivo tem sido a “retomada operacional” do grupo, que pode ser resolvido com “iniciativas inorgânicas que estão em análise atualmente”.
O termo é usado no mercado para se referir a movimentos que envolvem outras empresas ou investidores, como fusões, aquisições, venda de ativos ou entrada de novos sócios. A Oncoclínicas, porém, não detalhou quais operações estão sendo avaliadas.
Entenda a crise
No relatório, a Oncoclínicas também destaca que segue negociando com os credores. São R$ 5,1 bilhões de dívidas incluídas no processo de reestruturação.
“A companhia manteve durante o período conversas com seus credores a fim de reestabelecer o cronograma de amortização das suas dívidas financeiras e de aquisições. A companhia visa estabelecer um cronograma de amortização de dívidas consistente com sua geração de caixa e eficiência operacional, além de endereçar estruturalmente sua capacidade financeira para os próximos períodos”, diz o documento.
Ao todo, a lista de credores da Oncoclínicas no processo de reestruturação extrajudicial envolve 795 nomes. As dívidas incluem principalmente operações de financiamento via bancos e mercado de capitais, faturas em aberto com fornecedores de medicamentos e também valores relativos a fusões e aquisições, um dos caminhos que a empresa seguiu nos últimos anos para crescer.
Juntos, a securitizadora Opea, a corretora Pentágono DTVM e a administradora de fundos Oliveira Trust concentram mais de R$ 3 bilhões em créditos. Já entre os fornecedores, a distribuidora de medicamentos OncoProd tem o maior montante a receber, R$ 1,02 bilhão, enquanto Santander, Itaú e Banco Votorantim se destacam entre as instituições financeiras.
A recuperação não abrange custos operacionais atuais da rede de clínicas, ou seja, apenas débitos já vencidos com fornecedores de medicamentos e insumos foram incluídos no plano. Valores relativos a médicos, enfermeiros e outros funcionários também ficaram de fora. Desse modo, segundo a empresa, os atendimentos aos pacientes continuam normalmente durante o processo.
O plano de recuperação, segundo a companhia, poderá envolver medidas como a injeção de recursos pelos acionistas, a conversão de parte das dívidas em ações da empresa, a renegociação de alguns dos débitos por novos empréstimos e a ampliação do prazo para pagamento aos credores.

