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setembro 23, 2026
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Embraer investiga pane no GPS: entenda por que aviões podem voar (e pousar) sem o sistema

Por · setembro 23, 2026
Embraer investiga pane no GPS: entenda por que aviões podem voar (e pousar) sem o sistema


Uma falha tecnológica inesperada virou dor de cabeça para companhias aéreas ao redor do mundo nesta terça e quarta-feira, forçando o cancelamento de dezenas de voos. O problema atingiu em cheio os sistemas de GPS dos modernos jatos da família E2 (E190-E2 e E195-E2), a nova geração de aeronaves comerciais da Embraer. No Brasil, a Azul precisou cancelar mais de 80 voos, mas o impacto se estendeu também, em menor escala, ao Canadá e à Europa.
Leia mais: Mais de 8 mil passageiros da Azul foram afetados por instabilidade em sinal de GPS
Veja também: Anac muda regras para aéreas e limita responsabilidade por atrasos e cancelamentos de voos
Para resolver o impasse, a fabricante brasileira montou uma sala de crise em conjunto com a americana Honeywell, fornecedora dos equipamentos eletrônicos da aeronave. Mas, afinal, como funciona esse sistema, que parou momentaneamente uma frota global de mais de 200 aviões, e por que uma falha de satélite não significa que a aeronave está em perigo?
Para entender a pane, é preciso olhar para o painel das aeronaves, já que os jatos da família E2 são equipados com um cérebro eletrônico chamado Primus Epic 2.0. O equipamento foi desenvolvido pela Honeywell e passou a integrar o projeto da fabricante brasileira após um acordo bilionário firmado ainda em 2013, quando o avião estava sendo desenhado. O grande trunfo desse sistema é entregar a jatos regionais menores a mesma tecnologia de ponta usada em aviões maiores que cruzam oceanos.
Implementação do sistema Primus Epic 2.0 em um A300
Divulgação/Honeywell
Na prática, o sistema transforma a cabine de comando com o que há de mais moderno na aviação. Em vez de botões analógicos, os pilotos usam grandes telas e “mouses” parecidos com os de computadores para arrastar e alterar rotas de voo em tempo real, como em um mapa interativo.
O computador projeta imagens 3D do terreno, alerta sobre montanhas, desenha a pista de pouso virtualmente e possui um radar meteorológico inteligente capaz de escanear tempestades em várias altitudes. Para que tudo isso funcione com precisão milimétrica, o computador depende intensamente do sinal de GPS.
Avião voa sem GPS? A questão da segurança
A resposta curta é: sim, e com total segurança. Imagens do painel de alguns E2 afetados pela falha mostraram alertas de perda de sinal nos dois receptores de GPS da aeronave. Isso impede que os pilotos realizem um procedimento chamado “RNP AR”, que é uma aproximação de pouso guiada por satélite e que exige uma precisão rigorosa, essencial em aeroportos com pistas curtas ou geografia difícil, como Congonhas.
No entanto, a ausência do GPS não “cega” o avião. As aeronaves comerciais possuem múltiplos sistemas de navegação redundantes, como sensores inerciais (que calculam o movimento do avião a partir de um ponto inicial) e a navegação por rádio baseada em antenas no solo, ou seja, mesmo sem GPS, o avião sabe exatamente onde está e como chegar ao destino.
Embraer e Honeywell investigam falha em sistema GPS
Reprodução X/@Turbinetraveller
Na prática, o motivo das companhias aéreas, como a Azul, deixarem os aviões no chão não é o risco de o avião “se perder” no céu, mas sim protocolos estritos de operação. Voar sem a disponibilidade desse sistema de precisão limita as rotas que a empresa pode fazer, as condições climáticas que o avião pode enfrentar no pouso e descumpre os requisitos legais despachados para determinados voos. É uma medida de prevenção operacional, não um perigo iminente que ameace a segurança de voo.
Em nota, a Embraer informou que foi notificada sobre relatos de instabilidade no sistema GPS que afeta alguns tipos de aeronaves, entre elas o E2, e acompanha a situação de perto junto aos operadores e ao fabricante do equipamento.
“A empresa está fornecendo suporte técnico aos clientes e conduzindo as ações necessárias para a resolução da questão. Embora a ocorrência possa afetar a programação operacional de companhias aéreas, não há impacto na segurança de voo”, disse a Embraer em nota.
Reset no sistema e investigação
Enquanto a solução definitiva não vem, mecânicos de pista estão recorrendo à mais clássica das soluções da informática: reiniciar a máquina. De acordo com um boletim técnico interno emitido pela Embraer e divulgado pelo portal especializado “Aeroin”, a orientação paliativa tem sido realizar um “cold restart” (reinicialização a frio).
Isso significa literalmente cortar a energia dos módulos de navegação puxando os disjuntores, forçando o sistema a limpar a memória e começar do zero. Segundo o documento, embora essa manobra de reiniciar o sistema faça com que o software volte a captar o sinal dos satélites e elimine a mensagem de erro, a solução é apenas provisória.
Diante do risco, diversas companhias aéreas optaram nesta terça por manter as aeronaves em solo até o desenvolvimento de uma solução definitiva. O problema só será completamente resolvido quando os engenheiros da Honeywell liberarem uma atualização de software que deverá ser instalada pelas equipes de manutenção em cada um dos aviões.

Embraer investiga pane no GPS: entenda por que aviões podem voar (e pousar) sem o sistema