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outubro 28, 2026
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Empresa acusada de lavar dinheiro para aliado de Milei é dona de jato envolvido na fuga de Flávio Bolsonaro

Por · outubro 28, 2026
Flávio precisa reconhecer que perdeu eleição


O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado na eleição à Presidência, deixou o país pela Argentina, após cruzar a fronteira a rumo a Puerto Iguazú, onde embarcou em um avião privado que fez uma parada em Guayaquil, no Equador, no início da madrugada desta quarta-feira, e seguiu com destino a Miami, nos Estados Unidos. A suspeita de fuga, que começou nesta terça-feira, ganhou novos contornos com o uso de uma aeronave de empresa que tem laços com o presidente argentino, Javier Milei, e que atualmente é o alvo central de uma investigação da Justiça Federal de Buenos Aires.
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A suspeita de fuga, que começou nesta terça-feira, ganhou novos contornos hoje ao confirmar-se o histórico da aeronave que o aguardava no país vizinho. O jato posicionado na fronteira pertence à Baires Fly, companhia que é acusada de lavar milhões em recursos públicos desviados por aliados de primeira hora da Casa Rosada, conectando a crise política brasileira a um dos maiores escândalos de corrupção do atual governo argentino.
Informações divulgadas pelo canal argentino C5N dão conta de que o assessor político do presidente argentino esteve no aeroporto em Iguazú, no mesmo momento em que Flávio Bolsonaro chegou ao local ao lado da esposa e das filhas. Não há informações se eles conversaram, mas a TV argentina registrou que o senador cruzou a fronteira em uma van na noite desta terça, e estava em uma fazenda em Foz do Iguaçu desde a noite anterior.
A Baires Fly, de propriedade do empresário Luis Grande, ganhou forte projeção no país vizinho após as eleições argentinas de 2023. Na ocasião, Javier Milei utilizou um jato da companhia para sua primeira viagem internacional aos Estados Unidos. A polêmica cresceu porque o voo privado foi financiado pelo empresário Gerardo Werthein, que posteriormente acabou nomeado embaixador da Argentina em Washington.
A proximidade da Baires Fly com o poder logo se transformou em caso de polícia e passou a repercutir na Argentina. A empresa é hoje a principal peça de um escândalo de corrupção investigado na Agência Nacional de Deficiência (ANDIS). O órgão governamental argentino foi entregue por Milei ao comando de Diego Spagnuolo, seu ex-advogado pessoal e aliado de primeira hora.
Spagnuolo é investigado como o chefe de um esquema de desvio de verbas públicas por meio de licitações irregulares na saúde. Segundo a Justiça Federal argentina, fornecedores do Estado que ganhavam esses contratos superfaturados transferiam propinas milionárias para as contas da Baires Fly.
De acordo com as investigações, para justificar a entrada dos recursos e ocultar a origem ilícita, a empresa de Luis Grande emitia faturamento simulado, cobrando por voos fretados que nunca ocorreram. Devido à gravidade das provas financeiras, a Justiça argentina determinou o bloqueio de bens dos executivos da Baires Fly e o confisco de aeronaves para garantir o pagamento de multas.
‘Passageiro teve um problema’: jornal relata cancelamento ‘surpresa’ de voo suspeito de plano de fuga de Flávio
PF apura possível fuga
A Polícia Federal brasileira ainda apura junto às autoridades argentinas as condições que Flávio Bolsonaro deixou o país após ser derrotado no segundo turno presidencial de domingo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O político é investigado pelo STF em pela conexão com o advogado Willer Tomaz em inquéritos sobre lavagem de dinheiro em plataformas de apostas e financiamento irregular.
Durante a madrugada de terça, o site argentino “Infobae” reportou que Flávio teria cruzado a fronteira utilizando seu documento de identidade nacional e estaria em Puerto Iguazú (fronteiriça com Foz do Iguaçu). De lá, partiria às 2h da manhã rumo a Miami a bordo de um Gulfstream G400 (matrícula LV-JQW), operado pela Baires Fly. O jato de cabine larga tem alcance intercontinental de 7.800 km, capaz de realizar a rota até a Flórida sem escalas. A decolagem, no entanto, nunca ocorreu.
O último voo do jato Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, que supostamente seria usado por Flávio Bolsonaro
Reprodução/FlightRadar24
Segundo o jornal “La Nación”, o voo estava programado para quatro passageiros, mas foi cancelado. O “Clarín” informou que a única justificativa dada às autoridades aeroportuárias foi que “um dos passageiros teve um problema” e que a lista de embarque não foi entregue à Imigração.
Flávio Bolsonaro não entrega os passaportes à Polícia Federal no prazo determinado por Moraes
Oficialmente, o governo argentino negou a presença do brasileiro. A PF também não identificou nenhuma saída de Flávio Bolsonaro por canais oficiais. Em notas, a Direção Nacional de Imigração, o Ministério da Segurança e a Casa Rosada afirmaram não haver registro de entrada de Flávio no país. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) ironizou o caso, afirmando que “Elon Musk está mandando um foguete” para o irmão, embora dias antes tivesse defendido que Flávio deixasse o país em caso de derrota.
O governo argentino só informou na madrugada que Flávio entrou no país às 22h50 pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu, no Paraná, a Puerto Iguázu, na província argentina de Missiones. De lá, embarcou em um jatinho rumo a Guayaquill. Já no Equador, decolou às 6h22, no horário de Brasília, com destino a Miami.
Segundo o Palácio Presidencial argentino, Flávio, acompanhado de sua mulher Fernanda e de suas duas filhas, entrou na Argentina na noite de terça-feira e partiu imediatamente de avião para Guayaquil, no Equador, onde desembarcaram na manhã desta quarta-feira.
Bolsonaristas não sabem paradeiro de Flávio
Enquanto o avião estava retido na Argentina, o paradeiro de Flávio Bolsonaro era incerto até para aliados. O prazo de 24 horas dado pela Polícia Federal expirou sem que os passaportes fossem entregues, contrariando o que o próprio político havia combinado com sua defesa: permanecer no Brasil para capitalizar o capital político como principal herdeiro do bolsonarismo.
Segundo a colunista Bela Megale, procurado desde as primeiras horas da manhã de ontem, Flávio estava incomunicável e seu celular não recebia mensagens. O coordenador de sua campanha, senador Rogério Marinho, afirmou inicialmente que ele estaria no Brasil e que conversou com o aliado cedo para “espairecer”.
Nos bastidores, contudo, Marinho reconheceu à cúpula do partido não saber o real paradeiro do senador desde que os rumores de fuga ganharam força. No PL, a aposta majoritária era ontem de que ele já estaria a caminho dos Estados Unidos.
A reportagem do GLOBO esteve na residência de Flávio no Lago Sul, em Brasília, nesta terça-feira. O porteiro confirmou que havia pessoas na casa, mas não soube afirmar se o senador estava no local. Na noite anterior, um comboio foi visto deixando o endereço.
Em reunião na segunda com amigos, equipe jurídica e aliados de peso — como Marinho, o governador Tarcísio de Freitas e o senador Guilherme Derrite —, Flávio estava “possesso”, segundo apuração da colunista do GLOBO. A irritação maior não mirava a derrota nas urnas, mas a ordem de Alexandre de Moraes para reter seu passaporte.
O senador demonstrava medo de uma prisão iminente e dos reflexos judiciais sobre sua família. Na ocasião, foi fortemente aconselhado pelo núcleo duro a baixar a temperatura, não contestar o resultado eleitoral e, sobretudo, não tentar fugir, sob o argumento de que o STF evitaria uma prisão imediata para não incendiar o país.

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