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outubro 28, 2026
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MPT recebe 530 denúncias de assédio eleitoral nos dois dias após a votação; listas de boicote viram alvo da Justiça

Por · outubro 28, 2026
MPT recebe 530 denúncias de assédio eleitoral nos dois dias após a votação; listas de boicote viram alvo da Justiça


Se multiplicaram nas redes sociais nos últimos dias publicações feitas por políticos, empresários e influenciadores de direita incentivando a demissão de funcionários que votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o boicote a estabelecimentos que ajudaram a reeleger o petista. O Ministério Público do Trabalho (MPT) já recebeu 530 denúncias de assédio eleitoral após o resultado das eleições.
Os números registrados de 23h59 do último domingo até as 17h45 desta terça-feira (27) correspondem a 21,4% das 2.467 denúncias recebidas pela instituição em todo o ano. Até o fim do primeiro turno, o MPT recebeu 991 denúncias. No segundo turno, foram registrados 946 novos casos.
Segundo o órgão, o volume chama a atenção para a continuidade das práticas de assédio eleitoral mesmo após o encerramento da votação, com publicações nas redes sociais que incentivam empresários a demitir trabalhadores que votaram em determinado candidato.
Ameaças de demissão, dispensas, recusa de contratação e outras formas de retaliação motivadas pelo voto dos trabalhadores podem configurar assédio eleitoral e podem ser alvo de investigação do MPT. O procurador-geral do Trabalho, Gláucio Araújo de Oliveira, afirmou que a liberdade de escolha política deve ser respeitada também no ambiente de trabalho.
— O empresário é dono do negócio, e não do voto do seu empregado. Demitir trabalhadores por sua convicção política é ilegal e será alvo de atuação do MPT perante a Justiça do Trabalho.
O que antes ficava restrito a discussões acaloradas em época de campanha ganhou a forma de ações coordenadas para asfixiar financeiramente trabalhadores e pequenos empreendedores. Em alguns casos, a instrução é literal, como a da vereadora londrinense Jessicão (PL), que incentivou o empresariado a desligar sumariamente funcionários de esquerda.
Em outros, ganha contornos mais abrangentes, a exemplo da influenciadora Josiflora. Com uma base que supera 1 milhão de seguidores no Instagram, ela recomendou um isolamento total, pedindo que o público negasse desde oportunidades de trabalho até favores básicos ou um copo de água aos eleitores do presidente reeleito.
O componente político também tem sido camuflado em postagens sob o jargão corporativo. O criador de conteúdo e empresário Rapha Hanzol usou suas redes para anunciar a demissão de sua profissional de maior destaque. Sem citar as urnas diretamente, ele justificou o desligamento como uma “falta de alinhamento à cultura” da empresa, argumentando que a saída era vital para que a funcionária não “contaminasse” a equipe.

MPT recebe 530 denúncias de assédio eleitoral nos dois dias após a votação; listas de boicote viram alvo da Justiça