Mais um preso famoso está tentado deixar a Penitenciária de Tremembé, no interior de São Paulo. Réu por assassinato, o empresário Fernando Sastre de Andrade Filho, de 25 anos, aguarda julgamento no Tribunal do Júri. Em março de 2024, ele dirigia um Porsche 911 quando colidiu na traseira de um Renault Sandero na Avenida Salim Farah Maluf, no Tatuapé. O motorista do Sandero, Ornaldo da Silva Viana, de 52 anos, foi socorrido, mas morreu no hospital. Testemunhas relataram que o veículo de luxo trafegava muito acima do limite de 50km/h e havia feito uma ultrapassagem em alta velocidade instantes antes da batida.
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Para tentar escapar de Tremembé, Fernando contratou uma nova banca de advogados. Na última terça-feira, seus defensores apresentaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para o empresário aguardar em casa o desfecho do processo que o acusa de assassinato e ferir gravemente, no mesmo acidente, seu ex-amigo Marcus Vinícius Machado Rocha.
Nas últimas semanas, dois colegas de pavilhão de Sastre deixaram Tremembé: o ex-jogador Robinho e o empresário Thiago Brennand, ambos condenados por estupro. Mais recentemente, o miliciano Ronnie Lessa, assassino confesso da vereadora Marielle Franco, também trocou a prisão dos famosos pela Papuda, em Brasília.
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No caso de Sastre, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já havia analisado o caso em outubro e manteve a ordem de prisão por considerar que havia risco à instrução do processo e possibilidade de reiteração de condutas. Para os ministros, o histórico de infrações graves e a postura do réu após o acidente justificavam a medida extrema. A decisão foi unânime e reforçou sua permanência na penitenciária. Na decisão, a magistrada Maria Marluce Caldas ressaltou o risco de fuga.
Logo após a batida, Fernando fugiu do local acompanhado da mãe. Testemunhas relataram que ela disse aos policiais que o levaria ao hospital. Em vez disso, ambos seguiram direto para a casa da família, no Tatuapé, em um movimento interpretado pelas autoridades como fuga do flagrante. Esse episódio consta no inquérito e é lembrado em todas as decisões judiciais como um dos pontos mais graves da conduta posterior ao acidente.
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Os novos advogados do empresário, Eugênio Malavasi, Alan Holanda e Lucas Ferreira, insistiram no recurso no STF, mas repetiram a mesma linha argumentativa do recurso no STJ. Ou seja, as razões apresentadas para tirar o preso de Tremembé seguem o padrão do que já havia sido negado antes. A defesa sustenta que ele é réu primário, possui residência fixa e trabalho lícito. Afirma também que não representa risco de fuga e poderia cumprir medidas cautelares em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica.
Enquanto o processo avança nos tribunais superiores em Brasília, a rotina de Fernando em Tremembé segue marcada por crises de choro e inconformismo, segundo fontes do sistema prisional. Ele repete a colegas e funcionários que não aceita estar cercado de condenados por crimes violentos. A equipe técnica afirma que ele tem dificuldade em lidar com a possibilidade de permanecer preso até o julgamento, que ainda não tem data definida, e até mesmo de pegar 30 anos de prisão.
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Fernando participa das atividades religiosas do presídio. Auxilia na limpeza da igreja interna, organiza o espaço para as missas e tenta ocupar as horas com tarefas pequenas de manutenção. Também cuida das plantas do pátio central, atividade que se tornou para ele uma forma de aliviar a ansiedade diária da prisão.
Sastre está matriculado em cursos profissionalizantes da unidade, como jardinagem, rotinas administrativas e noções básicas de manutenção. Essas atividades contam pontos no comportamento institucional e funcionam como mecanismo de rotina para impedir que ele passe dias inteiros sem ocupação.
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Fernando recebe visitas íntimas da namorada, que comparece com regularidade à penitenciária. A mãe também o visita com frequência. Nos encontros, tenta demonstrar força e tranquilidade, mas pessoas próximas afirmam que ele desaba assim que volta para a cela.

