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empresas atingidas fazem contas e correm para embarcar produtos para os EUA

BRCOM by BRCOM
agosto 1, 2025
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Setor e pescados é um dos mais preocupados — Foto: Gabriel de Paiva/Agência O Globo

Enquanto um acordo comercial com os EUA não vem, boa parte das 9,5 mil empresas brasileiras que exportam para lá, segundo mapeamento da Câmara Americana de Comércio do Brasil (Amcham), está correndo para se adaptar ao quadro de incerteza com a sobretaxa de 40% instituída por decreto do presidente Donald Trump na quarta-feira, mostram relatos ao GLOBO.

Desde que Trump publicou uma carta ameaçando o Brasil, três semanas atrás, a Novus, fabricante de equipamentos eletrônicos de instrumentação e automação industrial sediada em Canoas (RS), começou a mandar o máximo que conseguiu de produtos para seu armazém nos EUA, contou Marcos Dillenburg, CEO da empresa.

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Foram oito embarques por via aérea, modal de transporte normalmente usado pela empresa. A última das remessas chegaria aos EUA após a data de hoje, prazo citado inicialmente por Trump na carta. A flexibilização no cronograma — o decreto fixou 6 de agosto como marco e incluiu exceções a cargas em trânsito — garantiu que o último envio da Novus chegará sem a sobretaxa.

Metade do faturamento da Novus vem de exportações, para 65 países. Os EUA são o principal destino, com 10% das vendas no exterior.

— Colocamos estoque lá para três meses de vendas. Na prática, compramos tempo. Sem pagar a tarifa a mais, temos três meses de estoque a preços competitivos ainda, o que dá tempo para entender a legislação nova ou para o Trump mudar de ideia umas 14 vezes — disse Dillenburg.

Segundo o executivo, em torno de 80% dos bens vendidos pela Novus no mercado americano estão na lista de exceções do decreto de Trump, mas todas com o asterisco que alerta que a isenção só vale se o equipamento for destinado para a indústria de aviação, que não é a principal cliente da fabricante gaúcha.

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  • Produção de móveis parada
  • Cadeia produtiva em risco
  • Pescados: setor espera nova negociação
      • empresas atingidas fazem contas e correm para embarcar produtos para os EUA

Produção de móveis parada

Com 50% de tarifa, os produtos da Novus deverão perder espaço para concorrentes do Japão e da Coreia do Sul. A saída será se voltar para a Europa, frustrando investimentos no mercado americano.

A direção da Temasa, fabricante de móveis de Caçador (SC), está ainda mais preocupada por que é mais dependente do mercado americano. Toda a produção da fábrica, que tem 850 empregados, vai para o mercado externo, e 45% têm como destino os EUA. Os móveis ficaram de fora da lista de exceções e enfrentarão tarifa de 50%, na soma da taxa mínima de 10% com a sobretaxa de 40%.

— Exportamos 85 contêineres de móveis desmontados por mês para os EUA, que totalizam US$ 1,5 milhão. Os embarques já foram suspensos, assim como a produção a pedido dos nossos clientes americanos, grandes magazines, que vendem na ponta final ao consumidor. O clima é de apreensão e incerteza — contou Leonir Antônio Tesser, diretor-geral da Temasa.

Segundo o executivo, é difícil direcionar esses produtos para outros países, já que são itens específicos para o mercado americano, como pequenos armários, cômodas, racks para tevês, vendidos no conceito “monte você mesmo”. Também é difícil que os varejistas consigam repassar um aumento de 50%, disse Tesser.

Cadeia produtiva em risco

A Temasa tem a produção verticalizada, o que significa que planta as árvores, corta e serra a madeira, para que os móveis sejam então criados de forma sustentável. Por isso, diz Tesser, o impacto do tarifaço não se dará apenas entre os funcionários, mas em toda uma cadeia, que envolve a plantação, logística, fornecedores de componentes, entre outros setores, como tintas, vernizes. tecidos, embalagens — que equivalem a cerca de 1,1 milhão de empregos no país.

O setor moveleiro conta que o governo brasileiro continue negociando com as autoridades de comércio americano, para que o tarifaço seja revisto. Os Estados Unidos absorvem cerca de 30% dos embarques internacionais de móveis e colchões prontos, e quase 40% das exportações de matérias-primas, insumos e tecnologias com produção no Brasil, sendo o principal destino do setor no exterior.

Só entre janeiro e maio deste ano, a indústria moveleira exportou mais de US$ 306 milhões em produtos acabados e US$ 1,4 bilhão em suprimentos para o mercado global.

— A ideia é que o governo possa fornecer linhas de crédito para capital de giro com juros menores do que a Selic (15%), além de colocar em prática medidas como as da pandemia, que possam evitar demissões — explica Irineu Munhoz, presidente da Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel) e fundador do Grupo Caemmun, fabricante de móveis sediada em Arapongas, no Paraná.

Munhoz lembra que a China é grande concorrente do Brasil no mercado moveleiro e que com uma tarifa de 25% sobre os produtos asiáticos, a exportação de móveis brasileiros para os EUA praticamente se inviabiliza.

Ele diz que as margens de ganho do setor já são apertadas no mercado nacional devido à concorrência, e que se muitas empresas deixarem de vender para os EUA isso pode impactar ainda mais o setor localmente.

Pescados: setor espera nova negociação

Na agroindústria, Sidney Zamora, pecuarista do grupo Zamora, classifica como um “golpe duro” o fato de as carnes ficarem de fora da lista de exceções. A empresa está reforçando sua presença na China, Oriente Médio, Sudeste Asiático, Índia e Europa:

— Já existem frigoríficos redirecionando embarques para esses mercados, e o produtor rural também está atento a essas movimentações. Mas isso não anula o impacto da tarifa. O mercado americano é um dos que melhor remunera.

Setor e pescados é um dos mais preocupados — Foto: Gabriel de Paiva/Agência O Globo

O setor de peixes aposta na possibilidade de uma nova rodada de negociações. Arimar Franco Filho, diretor da Produmar e presidente do Sindicato das Empresas de Pesca do Rio Grande do Norte, comparou o quadro com o instalado pela Covid-19, em 2020:

— Dos 30 barcos, apenas oito saíram hoje para pescar. A questão é que, sem os EUA, o mercado terá muitas perdas, pois não podemos vender para a Europa desde 2018 e o Brasil não comporta esse volume.

Alberto Sérgio Capucci, vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul (Sincadems) e diretor do frigorífico Naturafrig, afirma que as empresas estão buscando alternativas aos EUA para tentar amenizar as perdas e escoar a produção.

Os EUA representam atualmente 7,3% das exportações de carne bovina brasileira. O país é o segundo maior destino dos embarques do produto de Mato Grosso do Sul, respondendo por 18,42% do total comercializado.

— Estamos buscando outros mercados, como o próprio Brasil, além de Chile, China e países do Oriente Médio. A questão é que as taxas estão no campo político, mas o setor sempre fica esperançoso com uma possível redução — diz Capucci.

Com as frutas frescas também sujeitas à sobretaxa de 40%, a Lina Frutas, que produz manga e uva no Vale do São Francisco, principal polo de fruticultura nacional, já projeta queda de 30% no faturamento este ano, disse Priscilla Nasrallah, sócia da empresa.

O tombo nas receitas se deve tanto à frustração de vendas para os EUA quanto à esperada queda nos preços domésticos. A expectativa é que boa parte da produção destinada ao mercado americano, principalmente de manga, fique no país, inundando o mercado interno e derrubando os preços.

Videiras na fazenda da Lina Frutas, que fica em Santa Maria da Boa Vista (PE), no Vale do São Francisco — Foto: Divulgação
Videiras na fazenda da Lina Frutas, que fica em Santa Maria da Boa Vista (PE), no Vale do São Francisco — Foto: Divulgação

— A fruta não espera no pé, tenho que colher. No mercado interno, a fruta (manga) está menos de R$ 1 por quilo, ou seja, vou perder dinheiro — afirmou Priscilla, explicando que deixar a fruta apodrecer no pé aumenta o risco de contaminação por pragas, espalhadas por moscas atraídas pelas frutas maduras. — Tenho que colher porque fruta no pé apodrece e traz doença.

Na indústria de rochas ornamentais, que fornece insumos para a construção civil americana, a aposta da associação do setor é o envio de uma comitiva a Washington. O quartzito, que responde pela metade das exportações, ficou na lista de exceções, mas o trabalho é para isentar mármore, granito e ardósia, disse Fábio Cruz, vice-presidente da CentroRochas.

Confira a seguir a íntegra das tarifas recíprocas ajustadas, divulgadas pela Casa Branca

  • Afeganistão – 15%
  • Argélia – 30%
  • Angola – 15%
  • Bangladesh – 20%
  • Bolívia – 15%
  • Bósnia e Herzegovina – 30%
  • Botsuana – 15%
  • Brasil – 10% (acrescido da sobretaxa de 40% anunciada ontem)
  • Brunei – 25%
  • Camboja – 19%
  • Camarões – 15%
  • Chade – 15%
  • Costa Rica – 15%
  • Costa do Marfim – 15%
  • República Democrática do Congo – 15%
  • Equador – 15%
  • Guiné Equatorial – 15%
  • União Europeia: Produtos com alíquota da Coluna 1 acima de 15% – 0%
  • União Europeia: Produtos com alíquota da Coluna 1 abaixo de 15% – 15% menos a alíquota da Coluna 1
  • Ilhas Malvinas (Falkland) – 10%
  • Fiji – 15%
  • Gana – 15%
  • Guiana – 15%
  • Islândia – 15%
  • Índia – 25%
  • Indonésia – 19%
  • Iraque – 35%
  • Israel – 15%
  • Japão – 15%
  • Jordânia – 15%
  • Cazaquistão – 25%
  • Laos – 40%
  • Lesoto – 15%
  • Líbia – 30%
  • Liechtenstein – 15%
  • Madagascar – 15%
  • Maláui – 15%
  • Malásia – 19%
  • Maurício – 15%
  • Moldávia – 25%
  • Moçambique – 15%
  • Mianmar (Birmânia) – 40%
  • Namíbia – 15%
  • Nauru – 15%
  • Nova Zelândia – 15%
  • Nicarágua – 18%
  • Nigéria – 15%
  • Macedônia do Norte – 15%
  • Noruega – 15%
  • Paquistão – 19%
  • Papua-Nova Guiné – 15%
  • Filipinas – 19%
  • Sérvia – 35%
  • África do Sul – 30%
  • Coreia do Sul – 15%
  • Sri Lanka – 20%
  • Suíça – 39%
  • Síria – 41%
  • Taiwan – 20%
  • Tailândia – 19%
  • Trinidad e Tobago – 15%
  • Tunísia – 25%
  • Turquia – 15%
  • Uganda – 15%
  • Reino Unido – 10%
  • Vanuatu – 15%
  • Venezuela – 15%
  • Vietnã – 20%
  • Zâmbia – 15%
  • Zimbábue – 15%

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