John Textor viveu uma montanha-russa no último mês e passa pela fase mais turbulenta desde que passou a investir no futebol. O empresário americano foi afastado do controle do Lyon após o clube ser rebaixado administrativamente pela DNCG, quase foi retirado do comando da SAF do Botafogo e abriu uma nova empresa nas Ilhas Cayman chamada Eagle Football Group.
Neste período, Textor começou o movimento para “recomprar” a SAF do Botafogo e deve receber o apoio financeiro do empresário grego Evangelos Marinakis. Com muitas idas e vindas, O GLOBO detalhou tudo que aconteceu com John Textor desde sua saída do controle do Lyon até o movimento com o dono do Nottingham Forest, da Inglaterra.
Tudo começou em 24 de junho, quando o Lyon foi rebaixado para Ligue 2 pela Direção Nacional de Controle e Gestão (DNCG), após John Textor não apresentar garantias financeiras. Dias depois, o empresário americano oficializou a sua renúncia à liderança do clube francês e nomeou dois substitutos: o alemão Michael Gerlinger e a sul-coreana naturalizada americana Michele Kang.
Foi com a nova direção que, no dia 9 de julho, o Lyon conseguiu reverter a decisão da Direção Nacional de Controle e Gestão e permaneceu na primeira divisão do Campeonato Francês. O time francês apresentou garantias financeiras imediatas e fez a promessa de que John Textor não retornaria ao controle operacional.
Depois de analisar detalhadamente as contas do Lyon, Kang e outros acionistas se irritaram com o que consideraram um quadro de descontrole financeiro e decidiram que não era suficiente a simples saída de Textor do dia a dia do clube francês. Tanto que, no dia 17 de julho, houve um movimento do lado francês para tentar tirar o americano do comando de todos os clubes da holding, incluindo o Botafogo e o belga Molenbeek.
A Ares Management Corporation enviou uma carta a John Textor para questionar o empresário americano se ele gostaria de comprar novamente as ações do Botafogo. A empresa financiou boa parte dos valores utilizados pela Eagle Football Holding para a compra do Lyon (estima-se que a quantia gire em torno dos 400 milhões de euros) em troca de direitos em pagamentos ou lucros da empresa, ou até parte das ações caso a dívida adquirida por Textor não fosse paga.
O documento afirmava ainda que, se Textor sinalizasse positivamente à Ares, o empresário americano teria 30 dias para apresentar uma proposta oficial de compra e que, durante o período, teria que sair do controle do dia a dia da SAF do Botafogo com a alegação de “conflito de interesses. A argumentação dos investidores era de que Textor não poderia comandar o futebol do time carioca e tentar comprá-lo por outra empresa.
Clube social evita saída de Textor
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No entanto, a intenção da Ares foi vetada pelo presidente João Paulo Magalhães Lins e outros aliados de John Textor no clube social. Os dirigentes afirmaram que qualquer mudança no comando da SAF do Botafogo precisaria ser autorizada também pelo sócio-minoritário da empresa, que é justamente a parte social do alvinegro.
— O John Textor pertence ao Botafogo, e nós não vamos deixar que nada aconteça com ele — cravou João Paulo Magalhães Lins em contato com o GLOBO. A expressão usada pelo mandatário alvinegro foi utilizado para frisar que Textor é uma figura querida dentro do clube e que, por isso, será protegido.
Empresa nas Ilhas Cayman e recompra do Botafogo
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Com a situação controlada, o empresário americano começou o movimento para “recomprar” a SAF do Botafogo e o Molenbeek. Textor abriu uma nova empresa nas Ilhas Cayman chamada Eagle Football Group, que vai adquirir os dois times da Eagle Football Holding (EFH), sua companhia sediada em Londres.
Durante o empate com o Corinthians, no sábado passado, John Textor explicou o imbróglio vivido por ele na França com seus acionistas da Eagle Holding. Segundo o empresário americano, ele saiu voluntariamente do comando do Lyon para que Michelle Kang ganhasse o recurso contra o DNCG. Ele ainda afirmou que a Ares não tem nenhum direito de tirá-lo do Botafogo.
— Eu me demiti voluntariamente (do comando do dia a dia do Lyon) porque sabia que eu era o problema com os órgãos dirigentes de lá. Então, as histórias são escritas depois do fato. Eu estava muito quieto porque queria que Michelle tivesse a oportunidade de ganhar o recurso (contra o DNCG, que determinou o rebaixamento da equipe francesa com a alegação de má administração financeira). Isso era o mais importante. Minha posição, meu ego, nada disso era importante na França, só precisávamos ganhar o recurso. Sempre fomos financeiramente sustentáveis, a Uefa já havia nos aprovado no exame. Tínhamos bastante dinheiro. No dia 20 de maio, o DNCD me olhou diretamente nos olhos, com minha equipe e em uma audiência preliminar, e disse que o rebaixamento estava fora de questão. Então, o que mudou entre 20 de maio e 24 de junho? Claramente, não foi sobre dinheiro, foi sobre mim — iniciou Textor, que falou como toda essa questão afeta o Botafogo diretamente.
— Tudo isso cria muitas dúvidas sobre minha estabilidade dentro da organização (Eagle Holding), mas ainda sou o acionista majoritário. Ainda controlo a maioria das cadeiras na diretoria. A Ares não tem nenhum direito de me substituir. Eles não querem. Então, no que diz respeito ao Botafogo, estamos estáveis. Somos uma organização bem administrada. Tivemos o melhor ano em 120 anos. Nada está quebrado aqui. Então, Michel pode comandar a França, eu posso comandar o Brasil. Temos uma boa família aqui. Não estou ferido — afirmou.
Avaliação do preço do Botafogo
Nesta semana, o imbróglio ganhou mais um capítulo: os conselheiros da Eagle Football Holding (EFH) contrataram, nos últimos dias, uma empresa independente para avaliar o preço do Botafogo para a “recompra” desejada por John Textor. A ideia é que, após a determinação do valuation da SAF alvinegra, as partes comecem a negociar o montante final e as formas de pagamento.
Em paralelo a isso, John Textor e outros diretores da SAF do Botafogo têm tentado estreitar os laços com alguns conselheiros da Eagle. Os empresários, inclusive, foram ao Nilton Santos para conhecer as instalações do estádio e chegaram a assistir ao empate do time carioca por 1 a 1 contra o Corinthians, no último sábado.
Enquanto negocia a “recompra” da SAF do Botafogo, Textor também enfrenta uma disputa judicial com a Iconic Sports, um fundo de investimentos que ajudou o empresário americano a levantar verbas para a compra do Lyon em 2022. No início de julho, a empresa entrou com um processo na justiça da Inglaterra para requisitar a transferência das ações da Eagle Football Holding com o objetivo de assumir o controle das propriedades que Textor detém dentro da holding.
Ao todo, John Textor levantou 75 milhões de dólares com auxílio da Iconic Sports — que passou a dividir 40% das ações da EFH com Textor e a Ares Management, fundo de investimentos que tentou tirar o americano do controle da SAF do Botafogo — e apresentou ações do Botafogo e do Molenbeek como garantia. Agora, a empresa pede que o empresário recompre as próprias ações por US$ 94 milhões (o valor acrescido é de juros). O processo se desenrolará na justiça inglesa nas próximas semanas.
Justiça congela ações da Eagle na SAF do Botafogo
Enquanto isso, a 3ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, ontem, determinou o arresto das ações da Eagle Football Holdings na SAF do Botafogo, congelando temporariamente qualquer mudança no controle do clube e mantendo John Textor à frente da operação. A decisão, revelada pelo Blog do Lauro Jardim, foi tomada no âmbito de uma execução de título extrajudicial movida pela própria SAF, que cobra uma dívida vencida de 23 milhões de euros (cerca de R$ 152 milhões) — metade do débito total estimado em 150 milhões de euros.
A decisão não autoriza o bloqueio de ativos financeiros da Eagle, mas garante à SAF Botafogo a prioridade para recuperar o crédito. Ao congelar as ações, o tribunal também evita que eventuais novos controladores da Eagle vendam ou onerem a participação no clube sem antes resolver a dívida.
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Enquanto tenta acertar suas contas no tribunal, Textor recebeu uma boa notícia no movimento de tentar “recomprar” o Botafogo. O empresário grego Evangelos Marinakis deve apoiar financeiramente o americano na tentativa de recomprar a SAF do Botafogo. No entanto, o clube carioca não deve integrar a rede multiclubes liderada pelo Nottingham Forest, da Inglaterra, também controlado por Marinakis.
Há tratativas para o magnata colaborar na recompra das ações da SAF que hoje pertencem à Eagle Football Holdings, antes chefiada por Textor. O modelo de negócio ainda está em construção, mas a disposição de Marinakis em participar da operação, com recursos próprios, foi confirmada por fontes próximas às negociações. A expectativa é que ele atue como investidor com interesses específicos no projeto.